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| + | ====== DO SER E DAS FACULDADES COGNITIVAS ====== | ||
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| + | A visão científico-naturalista do mundo e da vida falsifica a realidade justamente porque ignora a única realidade real, o que os gregos denominavam — dytos dy — que são as substâncias e só considera os acidentes, os quais não existem senão nas e pelas substâncias. A concepção “científica” do mundo, entendendo que a noção de substância é pura invenção do espírito, como queria Locke, visualiza um só aspecto da realidade, qual seja por exemplo a categoria da quantidade (a que menos determina o ser). Muito longe de entender que a quantidade é uma categoria da substância, | ||
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| + | Afirmar a quantidade e negar a substância é o mesmo que afirmar um atributo de um sujeito, negando ao mesmo tempo a existência do sujeito, sem o qual o atributo não poderia existir. De fato, quando nos dizem como Locke que não há na realidade senão um conjunto de qualidades, a isto se responde: ou bem essas qualidades são em si mesmas, ou bem existem em outrem; se em si mesmas, são substâncias (substantia est res, cuius quidditati debetur esse in se et non in alio); se existem em outrem, são acidentes (accidens est res cuius quidditati debetur esse non in se sed in alio, seu inhaerere). O conceito mesmo de qualidade conota sempre uma substância, | ||
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| + | Pelo fato de se haver completamente desviado da inteligência do ser, a visão quantitativa da realidade começou a falir no instante mesmo em que pretendeu comprimir a vitalidade do espírito confinando-o ao dogmatismo das suas “leis”. Essas “leis” pretendiam ser a negação de toda metafísica em nome da “ciência”; | ||
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| + | Tendo negado a vida, o positivo-materialismo abriu caminho para a poderosa reação bergsoniana, | ||
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| + | Porque não se pode confundir, por exemplo, o intelectualismo tomista com o racionalismo posterior a Descartes. Em primeiro lugar a inteligência adequando-se à realidade afirma o ser na sua substancialidade, | ||
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| + | A inteligência circunscrita aos limites da razão matemática, | ||
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| + | O intelectualismo tomista nunca operou uma separação entre a inteligência por um lado e a emoção e a vontade por outro, como sucede com a metafísica de Kant, a qual destrói a objetividade formal da realidade em nome da inteligência e reconstrói essa mesma realidade em nome da vontade. Os escolásticos não ignoravam que a intuição emotiva é o fundamento da religiosidade extática e da identificação com o amor de Deus. Mas, as intuições emotiva e volitiva nada seriam sem o esclarecimento da inteligência, | ||
| + | El anti-intelectualista que me quiere convencer de su sistema, no hace sino proponerme una serie de ideas, juicios y raciocínios, | ||
| + | La posicion anti-intelectualista, | ||
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| + | Mas o termo intuição adquiriu um significado de valor irracional depois de Bergson e a intuição se entendeu apenas no sentido emotivo. Na realidade, existe a intuição intelectual que é aquela que nos dá os princípios racionais de evidência; intellectus, | ||
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| + | Mas, as três intuições, | ||
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| + | Porém, uma vez confundido o conjunto da faculdade cognitiva com a razão físico-matemática, | ||
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| + | A injustificada identificação da faculdade cognitiva intelectual com as formas físico-matemáticas do saber científico, | ||
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| + | O realismo escolástico, | ||
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| + | Que o intelectualismo escolástico não tenha sido a desvalorização da vontade e da emoção, mas ao contrário a fusão de todas as faculdades cognitivas num só todo e que tendem para um único fim (e o ato de fé é um ato de inteligência e de vontade) tal fato ressalta tão claramente de toda a filosofia escolástica, | ||
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| + | Tal é pois o valor da intuição mística, da comunhão extática e do mistério da graça. — Porém, se nos referirmos à intuição tal como a entende a linguagem corrente, veremos que essa função tem o seu lugar na hierarquia dos valores cognitivos. Para os escolásticos, | ||
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| + | Vis aestimativa é o sentido que geralmente se denomina intuição, na linguagem corrente e da qual P. Janet dá a seguinte definição: | ||
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| + | Porém, todas essas formas de conhecimento, | ||
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| + | Igualmente, nada seria mais absurdo do que contrapor a vontade à inteligência, | ||
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| + | A imaterialidade do conhecimento prova também a espiritualidade da substância humana. O homem é um ser cuja inteligência tem como objeto o conhecimento do ser. No entanto, para o racionalismo, | ||
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| + | Substancializam-se os acidentes e depois se declara que a substância é uma invenção da metafísica. E assim se procede para as relações constantes encontradas em todos os planos de fenômenos. — Deste modo, nos moldes do racionalismo, | ||
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| + | Sendo a vida legítima negação do mecanicismo, | ||
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| + | Se a ciência constrói artificialmente a realidade e se o racionalismo faliu juntamente com o idealismo e o materialismo, | ||
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| + | A afirmação do ser não é possível sem a reabilitação da inteligência no seu exato sentido, porque justamente o objeto adequado da inteligência é o ser, atingindo-se as noções de potência pelo ato, de essência pela existência, | ||
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| + | Justamente, o que desmoralizou a inteligência perante as teorias irracionalistas e o que produziu o ceticismo dos correntes dias, foi essa pseudo-explicação científica da realidade e da vida, erigida além do mais em filosofia pelo positivismo e pelo materialismo, | ||
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| + | Uma restauração do realismo autêntico implicaria também uma restauração da naturalidade da vida, cuja artificialização levou à ignorância dos princípios da inteligência e às filosofias fictícias. | ||
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| + | O positivismo tem a marca dos seus erros na visão do que se fabrica, não do que se cria. A vida mesma é explicada pelo positivismo, | ||
