barbuy:barbuy-das-capas-da-realidade
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revision | |||
| barbuy:barbuy-das-capas-da-realidade [27/01/2026 17:10] – mccastro | barbuy:barbuy-das-capas-da-realidade [17/02/2026 18:34] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== DAS CAPAS DA REALIDADE ====== | ||
| + | |||
| + | Quando começamos a perguntar o que é a realidade, começamos também a perguntar o que é. A primeira visão que se nos oferece neste mundo sujeito à mudança e à corrupção é constituída por um conjunto de qualidades, de fenômenos — (o que Heidegger recentemente denominava “mundo à mão”, zuhandene Welt); a primeira capa da realidade não é senão aquela que os sentidos percebem, feita só de mudança e de acidente, dos objetos que nos cercam e com os quais vivemos, de cuja realidade não duvidamos e com os quais estamos numa relação vital. Porém, apenas começamos a perguntar o que são estas cousas todas; apenas começamos a olhar para o mundo como para um espetáculo estranho, logo a realidade com a qual vivemos se desfaz sob um aspecto inteiramente diverso. Os fenômenos desaparecem como sombras, as qualidades se esvaem como superfícies ilusórias e no lugar de uma realidade feita de objetos tangíveis, surge um universo intangível, | ||
| + | |||
| + | Contudo, se a primeira capa da realidade é uma capa de aparências, | ||
| + | |||
| + | Quando se pergunta o que é a substância da realidade, se desfaz a segunda capa e se busca a profundeza íntima das cousas, procura-se o que é em si mesmo — o ser enquanto ser — objeto da metafísica, | ||
| + | |||
| + | A terceira capa da realidade é constituída pelo que existe em si mesmo, como explicativo do acidente que se verifica na substância, | ||
| + | |||
| + | Se tudo é contingente, | ||
| + | |||
| + | Se a segunda capa da realidade, aquela capa que poderíamos chamar científica, | ||
| + | |||
| + | É o que também se vê claramente na história da filosofia, a partir do instante em que os primeiros filósofos, começando a perguntar o que é a realidade, não tardam a perceber que nem todas as cousas dadas como reais, realmente são. Há cousas que se decompõem em outras cousas e essas cousas não são em si mesmas. São seres em outrem, seres acidentais e não seres em si mesmos, seres substanciais. E se não existem em si mesmas essas cousas não são e é necessário procurar o ser no qual e pelo qual elas têm existência. Por isso, o primeiro esforço do pensamento grego consistiu em buscar os princípios, | ||
