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| + | ====== DA NEGAÇÃO VERBAL DO SER ====== | ||
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| + | As preocupações do pensamento posterior a Kant foram de ordem fenomênica, | ||
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| + | O espírito científico-naturalista, | ||
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| + | Entretanto, o fenomenismo absoluto, querendo explicar o vir-a-ser sem a admissão da existência dos seres e do Ser — explicar a mudança sem admitir a existência da cousa que muda — dirá que a determinação do ser se dá unicamente pela sucessão regular dos fenômenos no tempo (tempo evidentemente matemático, | ||
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| + | Toda negação do ser substancial padece dessa contradição interna, cujo tipo comum consiste geralmente num sofisma de lógica, pelo qual se realiza uma abstração, | ||
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| + | Ora, a realização da abstração, | ||
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| + | Toda negação do ser é meramente verbal, implica uma afirmação do que nega. Neste verbalismo negativo incorre Hegel quando encontra como princípio do mundo “o desenvolvimento da Ideia”, o que representa uma dupla contradição, | ||
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| + | Foi a realização da abstração, | ||
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| + | Toda negação do ser contradiz o princípio de identidade que nos ensina que quod est, est, quod non est, non est ((Aristóteles I. 4, cap. III, Mel. Impossibile enim est quaecumque suscipere sive opinari, quod idem sit simul et non sit. — (Editio Regia, Opera Omnia. apud Joannenm Billaine, 1654.)). Este princípio da inteligência foi enunciado na antiguidade primeiramente por Parmênides refutando o fenomenismo de Heráclito, para o qual nada é, tudo está sempre vindo a ser, não havendo outra realidade senão a perpétua mudança; pelo que, dizia Heráclito que nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio; a isto acrescentava Crátilo que nem sequer uma única vez nos banhamos no mesmo rio, porque nós também não somos, estamos sempre sendo, tudo está passando, nada é, segundo a fórmula conhecida de Heráclito, panta rei. | ||
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| + | Dentre os pensadores contemporâneos nenhum exprimiu com mais veemência o fenomenismo absoluto do que Bergson, cuja poderosa crítica das pretensões da ciência, longe de constituir em sua obra um retorno à inteligência na sua amplitude e portanto à afirmação do ser substancial, | ||
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| + | Toda a filosofia bergsoniana tende a demonstrar que a noção de ser, de substância, | ||
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| + | Assim as ideias intelectuais do ser e do absoluto, nada mais seriam do que conceitos elaborados por um “pensamento de fabricação”. O fluxo vital, que é mudança, será então explicado aristotelicamente por esse “pensamento de fabricação”, | ||
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| + | Ora, por admirável que seja a obra de Bergson, cuja crítica ao racionalismo físico-matemático e aos abusos da ciência quantitativa inteiramente aceitamos, não se pode deixar de considerar que a linha anti-ontológica da filosofia bergsoniana, | ||
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| + | Nem é necessário insistir aqui sobre o fato de que a mudança ocupa, como o diz claramente Bergson, o lugar do ser substancial, | ||
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| + | Por isso, o ser mudança, o ser devenir, o ser tempo suportam o vir-a-ser bergsoniano, | ||
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| + | Só na ontologia realista o ser é afirmado ao mesmo tempo como ser e como vir-a-ser, como substância e como acidente, como potência e como ato, como essência e como existência []. — Assim não pode haver mais no vir-a-ser do que no ser, como dá a entender a teoria do puro devenir, do mundo se faisant que rejeita o mundo tout jait. — Todo ato é recebido numa essência como existência e vem a ser dentro duma potência. Só o Ato Puro é actus irreceptus et irreceptivus. Mas fora do Ato Puro, que é o Ser Absoluto et qui habet existentiam suam vi essentia sua, todos os seres mutáveis, todas as substâncias finitas são perfectíveis e o seu devenir supõe precisamente o seu ser. Nada há no universo dos seres finitos que não tenha esse elemento potencial, indefinidamente perfectível pelo ato. — Se a primeira impressão que nos oferece a realidade tangível — a primeira capa da realidade — é a da perpétua mudança, exatamente por isso a potência e o ato são os primeiros elementos constitutivos de todo ser mutável. Nem os seres poderiam ser mutáveis, se não permanecessem, | ||
