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| + | ====== CRISTIANISMO E ANGÚSTIA ====== | ||
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| + | Tornou-se corrente na Filosofia da Cultura estabelecer distinções radicais entre o Tempo histórico e o Tempo mítico, entre o Tempo cósmico e o Tempo humano ((Além da literatura alemã a este respeito, vide a obra monumental de J. Evola, Rivolta Contro il Mondo Moderno, Fratelli Bocca, 2.a ed., 1951.)). Em outra linha, a filosofia contemporânea, | ||
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| + | Esta temporalidade de Plotino, como duração e como criação da Alma, que se perde na sua marcha para o múltiplo, é o desenvolvimento final do tempo grego, pode ser até um desvio da visão grega do tempo, mas não tem nada de comum com o tempo angustioso do Cristianismo. O tempo ainda é em Plotino um tempo supra-hurnano, | ||
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| + | Seria fácil encontrar em Santo Agostinho todos os elementos do plotinismo. Mas o tempo augustiniano tem um sentido inteiramente diverso. Santo Agostinho precisamente é um dos fundadores da consciência da subjetividade e do tempo angustioso, e nem por menos está tão vivo na filosofia contemporânea. No tempo angustioso, o Uno de Plotino se torna um Deus pessoal, um Deus Ativo que cria o mundo, inclusive a matéria; os quatro elementos são ainda indissolúveis em Santo Agostinho, mas são obra da criação. A matéria deixa de ser o mal, porque todos os seres são bons enquanto seres; o mal não é a matéria, mas a deficiência, | ||
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| + | O tempo se torna angustioso, quando deixa de ser a memória de algo, para tornar-se a memória de si mesmo; o tempo se liga à memória, tornando-se pessoal, vivencial. O tempo cristão se torna inteiramente pessoal, se adstringe inteiramente a esta única vida, desde que se perdeu a possibilidade, | ||
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| + | Se o espaço se planificou com o Cristianismo (pois não há o espaço sagrado e o espaço se tornou indiferente para a salvação), | ||
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| + | Sob nenhum ponto de vista é discutível a tese de que realmente o Cristianismo produziu o tempo angustioso, o tempo da salvação. O tempo, tal como é vivido, depois do Cristianismo, | ||
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| + | A busca dos arquétipos inconscientes em Jung, o retorno ao mais antigo em Heidegger, a sedução do arqueológico e do primigênio, | ||
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| + | Há, porém, formas frustras patentes de procura da Eternidade no tempo. O Cristianismo dotou o homem de um tempo angustioso, de uma consciência histórica e de um sentimento tão agudo de sua existência, | ||
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| + | Dissemos que o tempo não poderia passar, se não contivesse um elemento de Eternidade. Tal como nós mudamos, com a condição de permanecer (se não permanecêssemos, | ||
