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lacoue-labarthe:1979:4.4
4.4 Obra
LACOUE-LABARTHE, Philippe; LACOUE-LABARTHE, Philippe. Le Sujet de la philosophie. Paris: Aubier : Flammarion, 1979.
A Operação sobre a Obra (Desorganização)
- Verwindung, perda assim entendida, na medida em que pudesse ser realizada, seria uma proteção contra a loucura, como a Aufhebung, que, como Bataille sem dúvida suspeitou, cumpre uma função análoga, e qualquer que seja a diferença que separa seus respectivos resultados, isto é, qualquer que seja, em cada caso, a qualidade positiva ou negativa do refúgio buscado.
- Resta saber, no entanto, o que é mais precisamente ameaçador na loucura, por que se deveria querer afastar a loucura a qualquer preço, o que é a loucura, que pode instilar medo a tal ponto e empurrar o pensamento a tais extremos, e o que exatamente deve ser exorcizado na loucura.
- A própria natureza do gesto heideggeriano a respeito da loucura, sua allure, por assim dizer, permite entrever, como tentamos indicar, que o sujeito, não há outra palavra, é ainda o que permanece em questão.
- Mas o que devemos entender aqui por sujeito, se em todo caso descartamos qualquer consideração do sujeito mesmo, do sujeito psicológico e filosófico, da consciência, vontade, desejo, afeto.
- A exclusão da loucura assume, como vimos, não só a apropriação do pensamento do pensador, mas, segundo a lógica da perda, a apropriação do impensado desse pensamento, e é aqui, naturalmente, que a hermenêutica alcança seu limite extremo.
- Mas ambas as apropriações, como mostra o texto de O que se chama pensar, estão em estreita solidariedade uma com a outra, e em Identidade e Diferença afirma-se que o já pensado prepara o caminho para o impensado.
- A interpretação aventada em O que se chama pensar nunca poderia ter se estabelecido sem a imensa preparação representada, em sua maior parte, por Nietzsche.
- A preparação, a apropriação do já pensado, ou, mais rigorosamente, o encontrar, das Finden, a interpretação no sentido mais clássico do termo, no exato momento em que procede, como também vimos, de um primeiro esforço de afastar a loucura, envolve-se num trabalho específico de preparação, mas desta vez na acepção farmacológica da palavra, da obra de Nietzsche.
- Não é este o lugar de examinar em detalhe suas longas análises, que aliás necessariamente continuam a pontuar, como a questão da loucura, toda a interpretação de Nietzsche.
- Uma estrita relação de dependência mútua une, de modo talvez inteiramente clássico, as três questões da interpretação, da loucura e da obra, ou antes parece consignar a questão da loucura e a da obra a um tratamento hermenêutico.
- Basta recordar brevemente que nem os primeiros textos, por exemplo O Nascimento da Tragédia, nem os livros aforísticos, nem Zaratustra podem ser considerados obras, obras no sentido tradicional, ou, já que o problema é levantado para o texto poético que é Zaratustra, como uma obra no sentido em que Heidegger a entende em A Origem da Obra de Arte, isto é, como uma obra de Dichtung.
- No que concerne à escrita, nos planos e esboços de Nietzsche essa configuração se parecia com o que ele mesmo, de acordo com a tradição, chamou de obra maior, mas essa obra maior nunca foi terminada, e não só nunca foi terminada, como nunca se tornou uma obra no sentido das obras filosóficas modernas, Werke, como as Meditações de Descartes, a Crítica da Razão Pura de Kant, a Fenomenologia do Espírito de Hegel e as Investigações Filosóficas de Schelling sobre a Essência da Liberdade Humana.
- Mas por essa ausência de obra, como antes pelo que concernia à chamada loucura, todas as explicações empíricas são imediatamente impugnadas, sem a menor hesitação, e em termos nos quais se pode facilmente detectar o que une o problema da loucura ao da obra.
- Por que os caminhos de pensamento de Nietzsche para a vontade de poder falharam em convergir nesse tipo de obra, historiadores, psicólogos, biógrafos e outros propagadores da curiosidade humana não ficam sem explicações nesses casos, e no caso de Nietzsche especialmente há amplas razões que explicam a falta da obra maior de modo suficientemente adequado para a visão comum.
- As razões que se poderiam invocar, e que geralmente não falharam em invocar, têm pouca importância aqui, e mesmo se estivessem certas, e estão tão certas quanto o discurso médico, não tocariam no que é essencial, isto é, na necessidade da impossibilidade da obra, dado o que está em causa no pensamento de Nietzsche.
- Essas e outras explicações para o fato de que a obra nunca foi escrita são corretas, podem mesmo ser documentadas pelas próprias observações de Nietzsche, mas o que dizer da suposição com respeito à qual essas explicações são tão zelosamente oferecidas, a suposição de que estamos falando de uma obra escrita no estilo das obras filosóficas maiores já familiares, é infundada, e não pode ser fundada.
- A suposição é falsa, porque vai contra a essência e o tipo de pensamento que a vontade de poder é.
- A operação empreendida aqui sobre a obra corresponde tão bem à anteriormente empreendida sobre a loucura que já não é realmente possível se surpreender que a renúncia à obra seja atribuída à lucidez de Nietzsche e que, correlativamente, a reorganização da Vontade de Poder segundo o caminho de pensamento oculto para a vontade de poder seja feita sobre textos dos anos em que Nietzsche alcançou o ponto de maior luminosidade e tranquilidade em seu pensamento.
- O fato de Nietzsche mesmo falar de uma obra maior em cartas à irmã e aos poucos, e cada vez menos, amigos e ajudantes simpáticos não prova sozinho a justificabilidade daquela suposição.
- Nietzsche claramente sabia que mesmo esses poucos amigos mais próximos aos quais ainda se expressava não podiam julgar o que o enfrentava, e as formas constantemente novas em que tentou expor seu pensamento em várias publicações, die immer wieder anderen Gestalten, in denen er sein Denken durch die verschiedenen Veröffentlichungen zum Wort zu bringen versuchte, mostram claramente quão decididamente Nietzsche sabia que a configuração de seu pensamento fundamental tinha de ser algo diferente de uma obra no sentido tradicional.
- A falta de completude, se se pode ousar afirmar tal coisa, de modo algum consiste no fato de que uma obra sobre a vontade de poder não foi completada, falta de completude só poderia significar que a forma interna de seu pensamento único foi negada ao pensador.
- No entanto, ainda temos de seguir algum tipo de ordem quando tentamos penetrar no caminho de pensamento da vontade de poder, e inicialmente nos ateremos àquelas passagens dos anos 1887-88, o tempo em que Nietzsche alcançou o ponto de maior luminosidade e tranquilidade em seu pensamento, in der Nietzsche die größte Helle und Ruhe seines Denkens erreichte.
- Dessas passagens escolheremos novamente aquelas em que todo o pensamento da vontade de poder aparece e se expressa em sua própria coerência, Geschlossenheit, e por essa razão não podemos de modo algum chamar essas passagens de fragmentos ou pedaços.
- Se no entanto retivermos essa designação, notamos então que essas passagens individuais convergem ou divergem não só em conteúdo mas sobretudo segundo sua forma e alcance internos, segundo o poder de reunião e a luminosidade do pensamento, e segundo a profundidade de foco e a acuidade de seu dizer, das Sagen.
- Na medida em que assume essa justificação essencialista da ausência de obra, a interpretação preparatória, a interpretação do já pensado, retorna no entanto paradoxalmente, apesar do que teve de ser excluído do sujeito para que a redução igualmente essencialista da loucura pudesse ter sucesso, a uma espécie de sujeito, definido por sua lucidez, seu conhecimento e a lucidez de seu conhecimento.
- Este é o sujeito clássico das intenções, do sentido, sem o qual nenhuma interpretação é possível.
- Mas esse retorno, essa referência, são condicionais, isto é, feitos com a ressalva de que a forma, a figura, Gestalt, da obra, interna ao seu pensamento único, poderia muito bem ter escapado ao pensador mesmo, à lucidez e ao conhecimento do pensador.
- Sabemos o que é designado por esse limite interno ao pensamento: é o limite que o pensamento transgride sem o saber, sem sabê-lo, no movimento que necessariamente o conduz de volta ao impensado como à sua essência e sua verdade.
- A forma da obra, isto é, a forma da ausência de obra, a incompletude essencial da obra, poderia assim muito bem ser a forma específica exigida pelo impensado mesmo, pela presença ou pelo labor do impensado no pensamento.
- Até certo ponto, a forma querida por Nietzsche, a forma imposta a seu pensamento por seu conhecimento e sua lucidez, esconde ou oculta o impensado de seu pensamento.
- O conhecimento da forma mascara a ausência de pensamento, e o conhecimento da forma, porque é um conhecimento, e portanto também porque assume um sujeito, por mais fugidio que seja, ameaça a essência do pensamento, com uma ameaça tão séria, tão premente, tão irremediável quanto a da loucura.
- O que é, por sua vez, esse conhecimento da forma, e de certo modo Nietzsche não oferece resposta direta a essa questão, embora toda a análise da questão da forma e do estilo no primeiro curso e todo o debate conduzido sobre Dichtung e sobre o caráter undichterisch de Zaratustra no primeiro volume como um todo contenham de fato a resposta.
- Por outro lado, em sua própria brevidade, e porque se ocupa apenas do comentário sobre Zaratustra, O que se chama pensar indica imediatamente o que está em jogo.
- Várias vezes, de fato, trata-se não da forma mesma, mas da escrita, da coerção ou obrigação de escrever, das Schreiben, e da literatura, Literatur/Schriftstilertum.
- Não que o conhecimento da forma consista na aceitação da escrita ou na escolha deste ou daquele tipo de escrita, deste ou daquele estilo, embora isso seja uma consideração e embora Zaratustra, a seu modo, seja demasiado escrito.
- Antes, e mais rigorosamente, é porque o conhecimento da forma como tal, como um conhecimento, corre o risco de colidir com o obstáculo da escrita, com o mau perigo da escrita, e de não saber como superá-lo ou removê-lo.
- Há uma impotência do conhecimento, que se deixa apanhar pela escrita: assim é que Zaratustra, porque é um livro, e apesar da grande desconfiança de Nietzsche em relação à escrita, oculta do pensamento o que há de mais essencial no pensamento mesmo.
- Aprender, então, não pode ser provocado por ralhar, e mesmo assim, um homem que ensina deve às vezes ficar barulhento, de fato pode ter de gritar e gritar, embora o objetivo seja fazer seus alunos aprender uma coisa tão quieta quanto pensar.
- Nietzsche, o mais quieto e tímido dos homens, conhecia essa necessidade, suportou a agonia de ter de gritar, mas enigma sobre enigma: o que antes era o grito o deserto cresce, agora ameaça se tornar tagarelice, e a ameaça, das Drohende, dessa perversão é parte do que nos dá o que pensar.
- A ameaça é que talvez esse pensamento mais pensante se torne hoje, e ainda mais amanhã, de repente nada mais que um lugar-comum, e como lugar-comum se espalhe e circule.
- Essa moda de falar lugares-comuns está em ação naquela profusão interminável de livros descrevendo, Beschreibungen, o estado do mundo hoje, que descrevem o que por sua natureza é indescritível, porque se presta a ser pensado apenas num pensamento que é uma espécie de apelo, uma chamada, e portanto deve às vezes se tornar um grito.
- A escrita facilmente sufoca o grito, especialmente se a escrita se esgota na descrição, e o peso do pensamento desaparece, verschwindet, na escrita, a menos que a escrita seja capaz de permanecer, mesmo na escrita mesma, um progresso de pensamento, um caminho.
- Por volta do tempo em que as palavras o deserto cresce nasceram, Nietzsche escreveu em seu caderno: um homem para quem quase todos os livros se tornaram superficiais, que manteve fé em apenas algumas pessoas do passado, de que tinham profundidade suficiente para não escrever o que sabiam.
- A impotência do conhecimento aqui não é exatamente um não conhecimento, ainda pertence ao conhecimento, ainda assume uma consciência e um sujeito, e é por isso que a ameaça da escrita é tanto mais perigosa.
- Mas é de fato um mau perigo, isto é, um perigo que, mais uma vez num gesto exorcizante, deve ser negado como tal e oposto ao perigo real, ao perigo do pensamento mesmo.
- Esse tema é bem conhecido: uma vez que estamos assim relacionados e atraídos para o que se retira, estamos sendo atraídos para o que se retira, para a proximidade enigmática e portanto mutável de seu apelo.
- Sempre que um homem está propriamente, eigens, sendo atraído desse modo, ele está pensando, ainda que possa estar ainda longe do que se retira, ainda que o retraimento permaneça tão velado como sempre.
- Ao longo de toda a sua vida e até sua morte, Sócrates não fez nada além de se colocar nesse arrasto, nessa corrente, e se manter nela, e é por isso que ele é o mais puro pensador do Ocidente, é por isso que ele nada escreveu.
- Pois qualquer um que comece a escrever por pensatividade deve inevitavelmente ser como aquelas pessoas que correm para buscar refúgio de qualquer corrente forte demais para elas.
- Uma história ainda oculta guarda o segredo de por que todos os grandes pensadores ocidentais depois de Sócrates, com toda a sua grandeza, tiveram de ser tais fugitivos, e o pensamento entrou na literatura.
- O gesto é suficientemente claro aqui, inclusive no que salva da escrita: o progresso do pensamento, o caminho, para que possamos agora entender o sentido e a função da operação a ser realizada sobre a obra de Nietzsche.
- O que vale, de fato, para Zaratustra, a obrigação de escrever o que se deveria gritar, não vale para a obra maior na qual o pensamento de Nietzsche culmina, e que precisamente não é escrita, não constitui um livro.
- Daí a possibilidade de seguir nela, em seu movimento, a progressão do pensamento em direção à vontade de poder, daí a necessidade de começar a interpretação de Zaratustra apenas tardiamente, quando o pensamento único do pensador foi interpretado no reino do que, tanto quanto possível, escapou à escrita.
- Daí, sobretudo, a possibilidade de entender a incompletude de A Vontade de Poder como a forma mais apropriada para o movimento essencial do pensamento.
- Em A Vontade de Poder, o sujeito que escolhe a forma, que sabe, que escreve, que, escrevendo, faz falar seu porta-voz, o porta-voz de seu pensamento, desaparece ou tende a desaparecer, o sujeito da escrita, se quisermos, tão temível, porque de fato inseparável dele, porque é o mesmo sujeito, quanto o sujeito incômodo mas enigmático e abissal de Ecce Homo, o sujeito da loucura.
- É por isso que, no fim, o pensamento não ocorre na escrita, e o pensamento da vontade de poder consiste, pelo contrário, numa pura junção de palavras, Wortgefüge, ou na pura junção das palavras vontade e poder.
- E quando, para além do reconhecimento do pensamento único, se trata de perder o que esse pensamento pensa, torna-se necessário ouvir o que não tem linguagem, o não expresso ou o não dito, das Ungesprochene, na própria linguagem do pensador, isto é, na escrita e na linguagem, ao menos numa certa linguagem, onde o pensamento, o que está para além da escrita e da linguagem, sempre corre o risco de se perder, s'abîmer.
- O movimento que conduz da loucura ao impensado é portanto o mesmo que conduz da escrita ao não expresso, e escrita e loucura devem ser subjugadas juntas.
- É por isso que a hermenêutica do impensado encontra na obliteração, numa certa rasura da letra, sua mais segura defesa contra a loucura, e é na obliteração que todas as operações de Heidegger em última análise ocorrem.
- E se, como vimos, o que é mais próprio de cada pensamento, o que está mais próximo de cada pensador, não é nada além do não expresso ou do indizível, o dom mais distante, mais oculto, presente do próprio ser, a obliteração é o outro nome do estratagema do é-loignement e a operação ou manobra primitiva sobre a qual se constrói toda a estratégia do pensamento.
- Se o perigo está na loucura, o inimigo é a letra, o pensamento na letra ou o devir-letra do pensamento, no qual há a ameaça de algo muito pior que a morte.
- Esse devir-letra do pensamento é a filosofia mesma na medida em que nela o indizível mesmo, ou talvez o impensável, está ou pode sempre estar irreversível, irremediavelmente perdido.
- Como se sabe, tudo isso não é alheio ao niilismo, cuja interpretação essencial Nietzsche concentra na frase tersa Deus está morto, embora sua metafísica seja o último enredamento, die letzte Verstrickung, no niilismo e não consiga de modo algum superar, überwinden, o niilismo.
- Dificilmente é possível aqui reconsiderar a questão da interpretação da palavra de Nietzsche Deus está morto, mas talvez seja necessário agora ler esses três textos juntos, como o testemunho único do que a obliteração heideggeriana inevitavelmente traz em jogo.
- O pensamento dos pensadores está depositado em livros, livros são livros, e a única concessão que fazemos aos livros em filosofia é que podem ser difíceis de ler.
- Mas um livro não é como outro, especialmente quando se trata de ler um Livro para Todos e para Ninguém, e é disso que se trata aqui.
- Pois não podemos contornar a necessidade de primeiro encontrar Nietzsche, para então perdê-lo no sentido definido anteriormente, e por quê, porque o pensamento de Nietzsche dá voz e linguagem ao que agora é, mas numa linguagem na qual a tradição de dois mil anos da metafísica ocidental fala, uma linguagem que todos falamos, que a Europa fala, embora numa forma transposta mais de uma vez, desgastada, superficializada, esfarrapada e sem raízes.
- Não a ouvimos corretamente, porque tomamos a linguagem dos pensadores por mera expressão, exposição de visões de filósofos, mas a linguagem dos pensadores diz o que é, e ouvi-la não é de modo algum fácil.
- Ouvir pressupõe que atendamos a certa exigência, e só o fazemos em raras ocasiões, devemos reconhecê-la e respeitá-la, e reconhecer e respeitar consiste em deixar cada pensamento de cada pensador vir até nós como algo em cada caso único, nunca repetível, inesgotável, e sermos abalados até as profundezas pelo que é impensado em seu pensamento.
- O caráter teológico da ontologia não vem do fato de que a metafísica grega foi mais tarde assumida pela teologia cristã da igreja e transformada por ela, vem antes da maneira pela qual o ser, desde o começo, se desvelou como ser.
- É esse desvelamento do ser que primeiro tornou possível a teologia cristã apoderar-se da filosofia grega, para melhor ou para pior, os teólogos decidirão, começando pela experiência do fato do cristianismo, se meditarem sobre o que está escrito na primeira carta aos Coríntios pelo apóstolo Paulo: Ouchi emoranen ho theos ten sophian tou kosmou, não fez Deus loucura, Torheit, a sabedoria do mundo.
- Sophia tou kosmou é o que, segundo I, 22, os helenos zetousin, os gregos buscam, e prote philosophia, a filosofia própria, é explicitamente chamada por Aristóteles de zetoumene, a que é buscada, e a teologia cristã finalmente resolverá levar a sério a palavra do Apóstolo e consequentemente considerar a filosofia como loucura.
- O que é dado ao pensamento pensar não é algum significado subjacente profundamente oculto, mas antes algo que jaz próximo, o que jaz mais próximo, e que, porque é apenas isso, portanto constantemente já passamos por cima, übergehen.
- Através desse passar por cima estamos, sem notar, constantemente realizando o matar, Toten, em relação ao Ser de tudo o que está no ser.
- Para atentar a isso e aprender a atentar, pode bastar simplesmente ponderar uma vez o que o louco, der tolle Mensch, diz sobre a morte de Deus e como o diz.
- Talvez então não passemos mais tão rapidamente sem ouvir o que é dito no início da passagem que foi elucidada: que o louco clamava incessantemente: Eu busco Deus, eu busco Deus.
- O louco é aquele que busca Deus, já que clama por Deus, e terá um homem pensante aqui realmente clamado de profundis, e o ouvido de nosso pensamento, und das Ohr unseres Denkens, ainda não ouve o clamor.
- Ele se recusará a ouvi-lo enquanto não começar a pensar, e o pensamento começa apenas quando chegamos a saber que a razão, glorificada por séculos, é o adversário mais obstinado do pensamento.
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