Página inicial > Palavras-chave > Termos > vinho / οἶνος / oinos / oinanthe / οἰνάνθη / ampelos / ἄμπελος / videira / ampelon (...)

vinho / οἶνος / oinos / oinanthe / οἰνάνθη / ampelos / ἄμπελος / videira / ampelon / ἀμπελών / vinhedo / oinaron / οἴναρον / κλῆμα / klema / cepa / sarmento / wine

    

Titus Burckhardt

«Al igual, cuando Dios se lo llevó (el Profeta  ) (durante el»viaje nocturno«[miraj  ]), el Ângel le presentó un vaso lleno de leche y otro lleno de vino». Según otra versión de esta misma tradición  , el Ângel presentó ante el Profeta tres copas: una de leche, otra de vino y una tercera de agua. Estas diferentes bebidas corresponden a tres tendencias espirituales. La leche simboliza la esencia intelectual del alma  , luego el conocimiento o la sabiduría; el vino corresponde al amor y a la embriaguez   espiritual, y el agua representa la pureza   receptiva del alma; es por ello que el Ângel dice al Profeta, «si hubieras escogido el vino, Tu comunidad se habría extraviado, y si hubieras escogido el agua, ella se habría dispersado». [SABEDORIA DOS PROFETAS  ]

Roberto Pla

Na perspectiva oculta entende-se Cristo   Jesus como Filho   do homem   desde antes do princípio dos tempos (o filho divino, o espírito   essencial de todos e cada um dos homens) entende-se muito bem o sentido belíssimo e profundo do gigantesco símbolo emblemático da videira verdadeira. Os membros da espécie humana somos sempre nós, os homens. Revestidos de carne  , nos autocontemplamos como sarmentos independentes, brotos presunçosos da vinha de Noé; mas a videira verdadeira, a oculta, a não visível  , é sempre o Filho do homem  , cujos sarmentos jamais poderiam dar fruto   se não permanecessem na videira que os vivifica e sem a qual não existiriam. Se os homens insistem em sua desdenhosa independência é porque só sabem olhar o broto “manifesto  ” e não a essência   comum e livre que são realmente, a videira verdadeira, oculta na unidade   do Filho.

Em virtude de   tal figura simbólica o vinho, o fruto limpo e transparente da videira é, na linguagem testamentária, a representação “manifesta” dessa seiva única e oculta que circula como realidade essencial de cada broto humano e que é a Vida imortal do Filho do homem. Daí que a bebida de tal vinho messiânico se estime como meio para chegar ao conhecimento da unidade; em consequência, a embriaguez é entendida em seu sentido oculto   (positivo), como o estado   de visão superior que permite retirar o olhar do sarmento exterior concentrando-o na essência desnuda.

É este vinho messiânico o que se partilha no cálice que menciona o livro das lamentações, em um passagem paralelo ao texto da embriaguez de Noé.

  • Regozija-te, e alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra   de Uz; o cálice te passará a ti também; embebedar-te-ás, e te descobrirás. (Lam 4:21) [Evangelho de Tomé: Logion 40, Logion 28]
    É nos primeiros relatos testamentários onde há que buscar a origem   das imagens da videira, a vinha e o fruto da videira, como conjunto   de símbolos básicos para prefigurar coisas tais como a sabedoria  , a fecundidade e a vida, entre outros princípios; mas no poema da vinha esboçado por Oseias e tão formosamente cantado por Isaías e os profetas do desterro, é onde essas imagens adquirem o sentido restrito de admoestação à vinha de Israel  , quer dizer, de eleição e repúdio da “Casa   de Israel e dos homens de Judá”. (Os 10,1; Is 5,1-7)

Quando mais tarde retoma Jesus a imagem da vinha, para explicar e aprofundar-se no sentido de sua Boa Nova, tal como o faz no evangelho joanico, ou na parábola dos Maus Lavradores, é seguro que não pretende com isto insistir nos acontecimentos do exílio   do povo judeu  , nem pensa em carregar sobre esse povo inteiro o pecado   de permanecer fiel a sua religião tradicional, ou inclusive, o de provocar ao Cristo sua morte histórica na cruz, perpetrada por alguns e perdoada a todos por ele mesmo desde o madeiro de sua agonia.

No entanto, o precedente interpretativo dado pelos profetas ao jogo   de símbolos do poema da vinha, pesou durante séculos, com paixão irresistível, na visão da igreja   para ajuizar a exegese   da parábola dos Maus Lavradores. Assim é como com escassas diferenças de apreciação, o esquema sobre o qual discorreu até hoje a interpretação da parábola, esquema que ainda perdura na consciência   de muitos, não se aparta da ideia de que os maus lavradores que ali se mencionam são os judeus, denominados “infiéis” por não aceitar   ao mensageiro “em carne” da Boa Nova, e de que o povo (denominado “bom”) ao qual se confiará a vinha para que a limpe e salve são os gentios cristianizados.

Os seis pontos básicos dessa interpretação “manifesta”, não isenta de superficialidade e grave paixão, que hoje supõe a igreja em geral, são os seguintes:

  • o amo da vinha é Deus  
  • a vinha é Israel, enquanto este foi anteriormente o povo eleito  
  • os servos, são os profetas
  • o filho, é Jesus, morto na cruz
  • os maus lavradores (homicidas) são os judeus “infiéis” (não convertidos)
  • o outro povo ao qual se confiará a vinha, os pagãos cristianizados

À margem de tal interpretação “manifesta” e em sentido paralelo a ela, é possível, sem dúvida, estudar uma exegese oculta, quer dizer, interior, da parábola, onde o bem e o mal não resultem tão nitidamente discriminados por causa   de fatores externos ao homem, senão valorizados por um juízo   de identidade   profundo, que leva em conta, frente a tudo mais, o que cada homem é em si mesmo e não o que representa historicamente por razões circunstanciais.

Para confrontar esta nova exegese será necessário, antes de tudo mais, aparte de prescindir de fatos conjunturais que não cabe esperar que tenham sido anotados por Jesus, diferenciar com decisão o estrito relato parabólico do comentário evangélico a ele aditado como conclusão pelos evangelistas sinópticos. Ainda que o texto conclusivo esteja, sem dúvida, relacionado com a parábola que lhe serve de precedente exemplificador, não é possível ignorar que a parábola conta uma história concreta da qual os versículos que seguem pretendem extrair um ensinamento generalizado, pelo qual não só não é obrigatório, senão melhor dito ainda, não é adequado que os Personagenspersonagens de ambas seções sejam os mesmo, tal como os entendeu sempre a exegese “manifesta”.

O Evangelho de Tomé vem em ajuda   desta opinião   ao afastar a parábola de todo seu contexto conclusivo, como se este fosse um mero agregado dos redatores canônicos. Assim, para a exegese integral da parábola leia o Evangelho de Tomé - Logion 65-66.