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wahdat al-wujud / al-wahdat al-wuyud / wujud / wahdat / kawn / existentiated existence / al-wujud al-khariji / takwin / bringing into being

    

Titus Burckhardt

[Existência] Ou do Ser, o termo al-wujud tendo os dois   sentidos. — Alguns manuscritos apresentam a variante: «... sendo dotado de faces (al-wujuh)...», quer dizer de múltiplos «planos de reflexão  » diferenciando a irradiação divina. (Ibn Arabi (Fusus): Adão)

Roger Deladrière

Como Te conheceria, já que Tu és o Interior que não se conhece? E como não Te conheceria, já que Tu és o Aparente que de toda coisa Te tornas para mim   conhecível? E como realizaria Tua Unidade  , já que não tenho ser próprio na Unidade pura? Mas como não realizaria Tua Unidade, já que a União   é a razão profunda da Servitude? (Extrato da «Oração   de Domingo» de Ibn Arabi  , segundo tradução francesa de Roger Deladrière)

Ibn Arabi é conhecido como tendo professado a doutrina   da wahdat al-wujud. Convém a princípio salientar que ele mesmo não emprega esta expressão  . Ela lhe foi imputada, naturalmente com um sentido desfavorável, pelos ulama al-rusum e os ulama al-zhahir, e sobretudo depois da condenação de certas frases do livro Fusus   por Ibn Taymiyya. Por sua vez certos orientalistas falaram de panteísmo. Mas, depois que o estudo das obras de Ibn Arabi se desenvolveu, o juízo   se tornou mais sereno, e da acusação   de panteísmo se passou ao «panenteísmo», e em seguida ao «monismo existencial». Enfim os trabalhos de Titus Burckhardt  , Michel Valsan  , M. Molé, Seyyed Hossein Nasr  , de O. Yahia e de Henry Corbin   demonstraram a perfeita ortodoxia do Xeique al-akbar. Como se pôde acusar de heresia   o Xeique al-akbar, enquanto sua Profissão de Fé demonstra em cada linha sua crença em uma Deus   transcendente? [Introdução à «PROFISSÃO DE FÉ», de Ibn Arabi]

Dagli

Kawn usually refers to existentiated or externalized existence (al-wujud al-khariji). In this translation being always signifies kawn except in the case of God, where “Being” is sometimes used to designate wujud. Takwin is rendered as “bringing into being” and variants upon this phrase. See Sufi Path of Knowledge, pp. 41-42 for an explanation of kawn. (Ibn Arabi (Fusus): II - Seth §01)

Cattani

A escola chamada wahdat al-wujud, da «Unicidade da Realidade», fundada por Ibn Arabi, afirma a unidade transcendente do Ser. Escreve Ibn Arabi no Risalat al-ahadiyah (Tratado da Unidade  ): «Ninguém O vê a não ser Ele mesmo — nem profeta  , nem enviado, nem santo perfeito, nem anjo   algum podem conhecê-Lo. Seu Profeta é Ele, e Seu Enviado é Ele, e Sua Palavra é Ele. Ele enviou Ele próprio com Si mesmo   para Si».

A escola wahdat al-wujud via na criação uma teofania   (tajalli  ). Os arquétipos de todas as coisas são aspectos dos Nomes e das Qualidades de Deus e existem em estado   latente no Intelecto divino. Deus lhes dá existência manifestando-os, mas o que vemos no mundo sensível   não é nada mais do que a sombra dos arquétipos (note-se o paralelismo com as «sombras» da Caverna   de Platão). A wahdat al-wujud classifica como fundamentais quatro Pilares (arkan) ou Atributos divinos  : Vontade, Conhecimento, Poder e Fala; e acrescenta mais três (Vida, Generosidade e Equidade) para formar os «sete principais», que se juntam para formar o nome Allah, o Nome Todo-Compreensivo (al-ism al-jâmi’) que representa a Essência   divina. Destes sete derivam todos os demais Nomes e Atributos divinos.

Partindo da afirmação de unicidade de Deus, o La ilaha illa ‘Llah, não há divindade a não ser Deus, a escola afirma: «Não há realidade, não há beleza, não há poder, que não sejam a realidade, a beleza, o poder absolutos». Esta fé «primordial», fonte de toda metafísica   muçulmana, proclama a inanidade dos seres criados perante o Infinito   e integra o individual no universal  . Para a escola de Ibn Arabi, o objetivo da metafísica é chegar ao conhecimento da unicidade divina, assim como o intento da cosmologia é afirmar a unicidade da existência.

Para Ibn Arabi, a criação e a existência   do mundo e dos seres nascem da Compaixão   (ar-rahmah) de Deus: a Compaixão é a base do Ser, o princípio da manifestação. [Ibn Arabi and his school, W.C. Chittick  , em Islamic Spirituality (Crossroad, 1991).] No Futuhât al-makkiyah, Ibn Arabi afirma que o «sopro de deus - sopro expirado pelo Compadecido» equivale à «graça   - concessão da existência». [Ver Alcorão, 16.40.] «É por isto que os sufis dizem que cada átomo do universo   é uma ‘teofania’ do Ser divino», escreve S.H. Nasr. E cada ser, cada átomo, «cada espécie, tudo que está no mundo criado caminha para seu próprio fim, pois o objetivo de todas as coisas é a perfeição. A realização   da viagem   até Deus não é exclusividade do homem  ». [1] A viagem até Deus em vida é o tema central deste livro. [Excertos do prefácio de Roberto Ahmad Cattani, de sua tradução da ALQUIMIA   DA FELICIDADE   PERFEITA]


[1La descente des esprits, Nasafi (Eranos Yearbook, 1954).