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Tratado 38
Enéada VI,7
Enéada VI, 7
Ennead VI,7
Ennead VI, 7
Ennéades VI,7
Ennéades VI, 7
VI, 7
VI,7

PLOTINO   - TRATADO 38 (VI, 7) - COMO A MULTIPLICIDADE DAS IDEIAS SE ESTABELECEU E SOBRE O BEM

Neste longo tratado, Plotino   examina a princípio a questão da relação de duas multiplicidades, aquela que caracteriza os objetos sensíveis e aquela que se encontra ao nível do Intelecto e no inteligível, antes de considerar em seguida esta multiplicidade inteligível em sua relação ao Bem, quer dizer ao Uno que é o princípio primeiro da realidade. O título do tratado indica bem estas diferentes questões, posto que se trata precisamente de compreender como o Intelecto e a pluralidade inteligível, em seguida a alma e as coisas sensíveis provêm do Uno (retomando um assunto tratado nos tratados 7 e 11, mostrando como este caminho pode ser retomado ao inverso, subindo doravante do sensível, onde se encontra toda alma que habita um corpo, para o inteligível até o Uno, tema tratado no Tratado 10  . Como frequentemente em Plotino  , tal empresa demanda um esforço particular a fim de determinar, até onde se pode, a natureza e as qualidades do princípio primeiro, e isso na medida que é necessário dar explicações e indicações, embora incompletas e metafóricas, suscetíveis de ajudar as almas individuais na subida para o princípio (um tema desenvolvido no Tratado 9  . O Tratado 32   que não está longe cronologicamente deste tratado, já mistura estas três linhas de investigação indissociáveis e indispensáveis para quem quer pôr em prática o ensinamento filosófico do mestre.

Porque retoma em detalhe e sob todos os aspectos as questões filosóficas sumarizadas na apresentação deste tratado, determinantes no pensamento de Plotino  , ele se revela de uma dificuldade notável. A linguagem é difícil: a gramática e a sintaxe são frequentemente incertas, a linguagem é obscura, o desdobramento dos argumentos frequentemente denso a ponto de se tornar incompreensível. Pode-se todavia, distinguir neste tratado três partes que são quase de mesmo tamanho: os capítulos 1-14 são consagrados à análise da relação entre o sensível e o inteligível, em seguida à estrutura e à natureza do Intelecto, enquanto os capítulos 15 a 30 abordam a questão do Bem, considerado em relação com, ou por assim dizer do ponto de vista de seus «produtos», na medida que é fonte e objeto de seu desejo; os capítulos 31-42 tratam enfim do Bem em si mesmo e por si mesmo, e se esforçam em determinar, no modo da negação, a realidade própria e a função. [Brisson  ]


Capítulo 1, 1-21: As sensações foram dadas aos homens na sequência de um raciocínio divino ou existiam já no inteligível?

Cp. 1, 21 a 3,22: A divindade não raciocina e nenhum raciocínio é possível no inteligível, porque cada forma é nela mesma o que ela é e sua causa, seu «que» e seu «porque».

  • Cap 1, 21 a cap 2,55: O raciocínio concerne o que deve advir no futuro, quando no inteligível tudo está sempre presente.
  • Cap 2,55 a cap 3,22: As formas não são o objeto de um raciocínio, pois cada uma delas tem sua causa nela mesma.

Capítulos 3, 22 a cap 7: As sensações existem no inteligível antes de produzir no sensível, assim como existe um homem inteligível antes dos sensíveis.

  • Cap 3, 22 a cap 5,31: Para saber se as sensações já existiam no inteligível, é necessário então examinar o que é o homem.
  • Cap 6, 1-23. A forma do homem, a razão do homem o homem sensível.
  • Cap 6, 24 a cap 7: A alma e as razões: todo ser sensível não é senão o produto de uma razão que a alma recebe do Intelecto e que ela transmite no sensível, o que faz com que os sensíveis e as sensações já existam, sob uma forma diferente, no inteligível.

Capítulos 8-14: Todos o seres, inclusive aqueles que se considera aqui em baixo como irracionais, existem na totalidade do inteligível.

  • Cap 8, 1-14: Os animais devem existir no inteligível, que contém os modelos de todas as coisas
  • Cap 8, 15-32: Os animais irracionais também se encontram no inteligível, em razão de seu caráter total.
  • Cap 9-10: Os animais irracionais também se encontram no inteligível, pois no inteligível toda coisa compreende sua "razão" aí compreendendo as realidades que se considera aqui em baixo como irracionais.
  • Cap 11: Todos os seres possuem uma alma e provindo de uma razão existem como forma no inteligível: mesmo as realidades vegetais e a terra são animadas.
  • Cap 12: No inteligível, que é um "vivente total", há formas de todos os viventes que existem no sensível.
  • Cap 13-14: A unidade do inteligível admite portanto a multiplicidade das formas de todos os viventes que existem no sensível.

Capítulos 15-30: O Intelecto e aquilo que está além dele: a natureza do Bem e as dificuldades que surgem ao redor dele.

  • Cap 15: O Intelecto e a vida inteligível não são senão uma imagem do Bem.
  • Cap 16-18: Em qual sentido o inteligível é uma imagem do Bem? Porque o Intelecto e as formas provêm do Bem.
  • Cap 19-20: Em qual sentido o Bem é um objeto de desejo para a alma?
  • Cap 21-23: A alma deseja o Intelecto que é uma imagem do Bem, e é nesta medida que ela tem acesso ao Bem.
  • Cap 24-25, 16: As dificuldades concernindo a definição do Bem como objeto de desejo da alma.
  • Cap 25, 16-18: O Bem não é tal porque é objeto de desejo.
  • Cap 25, 18-32: O Bem é o que se encontra no topo do real.
  • Cap 26: O Bem não é objeto de desejo porque é uma fonte de prazer.
  • Cap 27: O Bem é, para cada realidade, o que vem antes dela; eis o que explica que para o Bem supremo, que nada tem antes dele, não existe qualquer bem.
  • Cap 28: Pode haver um bem para a matéria?
  • Cap 29-30: O Bem procura uma forma de prazer que corresponde à mistura de prazer e inteligência da qual fala Platão   no Filebo  .

Capítulos 31-42: O Bem está na origem e na fonte da vida, do Intelecto e da alma: eis porque é desprovido de pensar, de conhecimento e de ser.

  • Cap 31: A subida alma para o Bem.
  • Cap 32-33: A alma se dirige para o que é desprovido de forma, pois aí está a fonte de toda beleza e de todo desejo.
  • Cap 34-35: Indo além do Intelecto, a alma realiza a união com ela mesma e reencontra seu princípio.
  • Cap 36: Posição do problema: pode-se dizer que o Bem pensa?
  • Cap 37: Exame e refutação da doutrina aristotélica de um Intelecto primeiro que se pensa ele mesmo.
  • Cap 38-39: A doutrina platônica do ser e do conhecimento.
  • Cap 40-41: A condição do Bem, que é absolutamente um, primeiro e autárcico, o impede de fazer ato de pensamento, pois o ato de pensar supõe o ser do que é pensado e um princípio que suscita o pensamento, o que é incompatível com o estatuto do Bem
  • Cap 42: A hierarquia do real.