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hypokeimenon / ὑποκείμεvoν / hypokeímenon / subiectum / subjectum / sujeito / substrato / obiectus / obiectum / objectum / sujeito-objeto / subject-object / sujet-objet / sujeto-objeto / eu-sujeito / I-subject / eu-conceito / I-concept / mim / mim-mesmo / le moi / o eu / «eu» / «eu» / prosopon / πρόσωπον / pessoa / face / máscara / o ego / ego-noção / pseudo-eu / falso-eu / individuum / indivíduo / dividuus / divíduo / não-eu / não-pessoa / anatta / Anatman / não-ipseidade / eu-sonho-sujeito / ahamkara / buddhi / atmabhava

    

gr. ὑποκείμεvoν, hypokeímenon (tó): sujeito, substrato, substância. Latim: subjectum, suppositum (sentido lógico). Substância   como sujeito, ou seja, como substrato dos acidentes. De hypokeisthai, ficar abaixo. Esse termo já se encontra no tratado Dos princípios   (Peri arkhôn) de Arquitas (cuja autenticidade, aliás, é contestada). gr. πρόσωπον, prosopon = pessoa.


Wei Wu Wei

O que é denominado “um eu-conceito” é um símbolo da divisão   da íntegra-mente   em uma dualidade   relativa, que consiste em conceber o “outro-que-eu” como uma entidade espaço-tempo, pela qual sua contraparte interdependente “eu” se torna também um outro, objetivado. Este funcionamento   dual ou dividido da mente   (chamado apenas de “mente” por Ramana Maharshi  ) aparece como o concebedor ou “eu” funcional, estendido temporalmente como “duração”. Portanto, o Maharshi afirma: “A mente é apenas o pensamento ’eu’.” [WWWPP  , 15]


Notas:

a) Eu-sujeito é chamado de “A Testemunha” no Vedanta   Advaita  . Eu-sujeito estou operando diretamente em dhyana   (chan  , zen) do qual toda atividade   intelectual é excluída.

Eu-sujeito atua diretamente naquilo que Ouspensky   denominou “recordação de si”.

Eu-sujeito sou   o Sonhador do meu “sonho   de vida”, o “Pai  ”.

b) Eu-sonho-sujeito sou um aspecto limitado de mim como eu-sujeito. Eu-sujeito sou um aspecto limitado de mim como eu-realidade.

c) “III” pode ser considerado como “dentro” de “II” e “II” como “dentro de” ‘I’.”

d) Eu-sonho-sujeito e meu objeto sou eu enquanto eu-sujeito.

Eu-sujeito e meus objetos são EU como Eu-Realidade.

Nenhum objeto é eu como objeto – pois sou sujeito/objeto.

Eu-sonho-sujeito e eu-sujeito são um com EU como Eu-Realidade.

e) “Nós” pode ser substituído por “eu” sem afetar de forma alguma o significado da análise; Realidade sendo Um – “nós” somos “eu”.

f) O termo “sonho” é usado para implicar aquilo que é apenas um conceito na conscientidade  .

g) A noção   de ego é apenas a subjetividade do sujeito do sonho erroneamente aplicada ao objeto.

h) O elemento   positivo e dinâmico de sujeito/objeto é apenas sujeito.

Martin Buber

A vida do ser humano   não se restringe apenas ao âmbito dos verbos transitivos. Ela não se limita somente às atividades que têm algo por objeto. Eu percebo alguma coisa. Eu experimento alguma coisa, ou represento alguma coisa, eu quero alguma coisa, ou sinto alguma coisa, eu penso em alguma coisa. A vida do ser humano não consiste unicamente nisto ou em algo semelhante.

Tudo isso e o que se assemelha a isso fundam o domínio   do Isso.

O reino do Tu tem, porém, outro fundamento.
Aquele que diz Tu não tem coisa alguma por objeto. Pois, onde há uma coisa há também outra coisa; cada Isso é limitado por outro Isso; o Isso só existe na medida em que é limitado por outro Isso. Na medida em que se profere o Tu, coisa alguma existe. O Tu não se confina a nada.

Quem diz Tu não possui coisa alguma, não possui nada. Ele permanece em relação. [EU E TU]

Sérgio Fernandes

É dificílimo de ser reconhecido, seja na literatura filosófica, seja na científica, o fato de que só podemos «tomar como objeto» o que é «identificável», real ou «existente», e, inversamente, que só é identificável, real ou «existente» aquilo que podemos «tomar como objeto». Esse fato é dificílimo de ser reconhecido, não só pelas notórias dificuldades de análise da própria noção de «tomar algo como objeto», mas também porque tem o corolário, nada intuitivo, de que nada que aparece pode ser tomado como objeto, a fortiori, «tomado como aparência», ou inversamente, de que não podemos tomar aparências, enquanto tais, como objetos. Ora, isto significa que nem a aparência nem a realidade «aparecem», ou seja, que nada aparece, no sentido vulgar   de «aparece».

Na Ontologia, tal como a concebo, é «identificável», «existe» ou «é real» aquilo que resulta de «objetivações». «Objetivar» é uma capacidade da mente: é a capacidade de «tomar algo como objeto». Essa reatividade mental é inconsciente, automática e instrumental em relação à Experiência consciente, que é ação, não reação. Ora, a mente não pode tomar como objeto o que «aparece» como tal, ou seja, como aparência, mas somente a «aparência» que ela julga que «é identificável», «existe» ou é «real». Mas «real» é justamente o que estaria «por trás das aparências». As aparências, portanto, ao invés de aparecerem, devem ser transparentes. Tomar algo como objeto nada tem a ver, então, com fazê-lo aparecer  , pois é tomá-lo como real, ou seja, «além das aparências», ou como o assunto, o referente, o objeto de (pelo menos mais de uma) possível aparência. Tente imaginar que algo que você chamaria de «real» só pudesse aparecer uma vez, única, irrepetível. Você não poderá fazê-lo, pois não poderia saber «o que» teria aparecido, não no sentido fraco de que algo teria aparecido, mas você não sabe o que é, mas no sentido forte   de que você não poderia sequer saber que algo teria aparecido, ou seja, você não poderia «tomá-lo como objeto» e nada haveria para transparecer na verdadeira Experiência. Agora, permita que algo que você chamaria de «real» possa transparecer em mais de uma aparência: eis o seu conceito de «real». Mas o conceito mesmo põe o «real» para além, por trás das aparências, de modo que ele tampouco pode aparecer como tal, a não ser numa aparência, etc. Se houver «experiências conscientes», então elas não devem consistir na reatividade mental inconsciente de tomar algo como objeto, pois não podemos «ter» experiência daquilo que tomamos como objeto, a não ser através de suas aparências. [SER HUMANO]

Notions philosophiques

Distinção feita por um indivíduo entre sua pessoa e o resto do mundo. Objeto de um debate   filosófico tradicional sobre a possibilidade de apercepção   do si e a existência   de uma substância subjacente à sucessão dos fenômenos psíquicos, que opõe os cartesianos e os empiristas que recusam segundo Hume   a existência do si mesmo  . A possibilidade de se refletir e de refletir sobre o não-si está na origem da distinção sartriana entre em-si e para-si. Esta distinção permitiu aos existencialistas reintroduzir a transcendência   por sua definição do homem como projeto ou transgressão dos limites do si. [Excertos de «Les Notions philosophiques  ». PUF, 1990]

Vladimir Lossky

En lo que se refiere a esta última expresión (persona, en griego prosopon que hizo fortuna   sobre todo en Occidente), levantó primero viva oposición por parte de los orientales. En efecto, esta palabra, lejos de tener su sentido moderno de «persona» (personalidad humana, por ejemplo), designaba más bien el aspecto exterior del individuo, «la cara», la figura, la máscara o el papel de un personaje de teatro  . San Basilio vio en este término aplicado a la doctrina trinitaria una tendencia propia del pensamiento occidental que ya una vez se había expresado en el sabelianismo, haciendo del Padre, del Hijo y del Espíritu Santo tres modalidades de una substancia única. A su vez los occidentales veían en el término hipóstasis, que traducían por substantia, una expresión del triteísmo y aun del arrianismo. Se logró, sin embargo, alejar cualquier malentendido: el término hipóstasis pasó a Occidente confiriendo a la noción de la persona su sentido concreto, y el término persona o prosopon fue recibido y convenientemente interpretado en Oriente. Así, la catolicidad de la Iglesia se manifestó liberando a los espíritus de sus limitaciones naturales debidas a la diferencia de las mentalidades y de las culturas. Ya expresaran los latinos el misterio de la Trinidad partiendo de la esencia una para llegar a las tres personas, ya preferieran los griegos como punto de partida lo concreto, las tres hipóstasis, y vieran en ellas la naturaleza una, era siempre el mismo dogma   de la Trinidad, confesado por toda la cristiandad antes de la separación. San Gregorio Nacianceno reunió ambas maneras de ver al decir: «Cuando hablo de Dios debéis sentiros bañados en una sola luz y en tres luces. Digo tres, como caracteres propios o como hipóstasis, o como personas (no disputemos sobre las palabras, con tal que las sílabas ofrezcan el mismo sentido). Digo «una» desde el punto de vista de la ousia, es decir de la divinidad. Porque hay ahí división indivisa, conjunción con distinción. Uno solo en los Tres, es la divinidad. Los Tres Uno solo; quiero decir los Tres en quienes la divinidad está o, para hablar más exactamente, que son la divinidad». Y en otra oración resume así, distinguiendo los caracteres hipostáticos: «no ser engendrado, ser engendrado, proceder, caracterizan al Padre, al Hijo y a aquel a quien llaman el Espíritu Santo, con objeto de salvaguardar la distinción de las tres hipóstasis en la única naturaleza y majestad de la divinidad. Porque el Hijo no es el Padre — puesto que no hay más que un solo Padre — pero es lo que es el Padre. El Espíritu Santo, aunque procede de Dios, no es el Hijo, puesto que no hay más que un hijo único, pero es lo que es el Hijo. Uno son los Tres en divinidad, y el Uno es Tres en personalidades. Así evitamos la unidad de Sabelio y la triplicidad de la odiosa herejía actual» (el arrianismo). [TEOLOGIA MÍSTICA DA IGREJA   DO ORIENTE]

Paul Evdokimov

A palavra latina persona, o mesmo que prosopon, grego, significa, inicialmente, «máscara». Este termo, por si só, contém profunda filosofia da pessoa humana. Ensina a inexistência da ordem   humana autônoma, porque existir é participar do ser ou do nada. Na participação  , o homem realiza o ícone   de Deus   ou as macaquices demoníacas de uma caricatura de Deus. (Paul Evdokimov   - A Mulher e a Salvação   do Mundo, Paulinas)

Francisco Suárez

A pessoa é o mesmo que a substância primeira ou o suposto [suppositum]. . . É a opinião   comum dos teólogos segundo aquela definição de Boécio   em seu livro sobre as duas naturezas: Pessoa é uma substância individual de natureza racional, isto é, uma substância primeira de tal natureza, como declara retamente São Tomás. . . Pelo que se costuma dizer com frequência que a pessoa e o suposto diferem, por assim o dizer, materialmente, por parte da natureza, mas não formalmente na razão e no modo de subsistir incomunicavelmente. O que certamente é verdade, a respeito da razão geral da primeira substância ou suposto; no entanto, como a natureza intelectual tem uma subsistência proporcionada a si mesma e de razão mais alta que as naturezas inferiores, não se pode dizer por isso que a pessoa difere do suposto mesmo na razão de subsistir, como o particular do comum, ou como uma espécie digníssima de um gênero   comum. Não que se encontre nestas uma razão própria de gênero e espécie, mas sim proporcional, pois a natureza intelectual, se o é pura e perfeitamente, tem uma subsistência absolutamente imaterial; mas se é racional e ao mesmo tempo sensível e corpórea, ou tem também uma subsistência espiritual, ou pelo menos composta de alguma coisa material e espiritual, como mais adiante declararemos: deste modo, pois, difere a pessoa do suposto em geral.

Michel Hulin

ahamkara - sânscrito, substantivo masculino  

O ahamkara — literalmente: o fato de «fazer Eu», quer dizer de enunciar a palavra «Eu» ou de tomar a palavra na primeira pessoa — é uma noção cujo uso propriamente filosófico é precedido de uma longa pré-história. A primeira menção conhecida deste termo se encontra no Chandogya   Upanixade   (VII, 25, I). Durante muito tempo, e notadamente através de toda a literatura religiosa dos Purana, o ahamkara aparece indissociável dos mitos cosmogônicos. Ele se relaciona a esta fase particular da manifestação na qual o Absoluto   - absoluto — concebido como atman   ou como purusha   supremo — se constitui em ego e por aí mesmo em «pessoa» divina e em criador potencial. Representa portanto, no interior do absoluto, a cristalização de um polo-sujeito em face do qual, correlativamente, a objetividade se prepara a aparecer. A este estado  , logo, o ahamkara não designa ainda de maneira alguma o «eu» do sujeito individual finito  .

Com o Samkhya clássico se opera uma transição decisiva. O ahamkara se apresenta doravante como um dos princípios constitutivos tattva deste microcosmo que é a pessoa humana. Por um lado, sua situação   particular sobre a escala dos princípios porta   ainda o traço de seu antigopapel cosmogônico: é a partir do ahamkara — segundo ele é dominado pelo atributo do sattva   ou do tamas — que o desdobramento da manifestação bifurca de um lado para o «sentido de conhecimento», de outro para os «elementos sutis» (tanmatra) dos quais procedem por sua vez os elementos grosseiros. Por outro lado, e pela primeira vez, o ahamkara aí aparece claramente como a expressão   mesma da confusão   funesta entre o Espírito   (purusha) e a Natureza (prakriti). É em particular o que se entende — por implicação negativa — da estrofe sexagésima quarta dos Samkhyakarika consagrada à discriminação   decisiva do Espírito e da Natureza: «Assim, de um estudo repetido dos princípios brota um conhecimento que se exprime assim: ‘Eu não sou; nada é a mim; não há Eu», e este conhecimento é completo, livre de erro  , absoluto«. [Excertos de»Les Notions philosophiques". PUF, 1990.]

[Há um excelente livro de Michel Hulin  , dedicado exclusivamente ao estudo do que denomina «O PRINCÍPIO DO EGO NO PENSAMENTO INDIANO CLÁSSICO - A NOÇÃO DE AHAMKARA»]

Henri le Saux

ahamkara: «a função do eu», o terceiro elemento do órgão interno (antahkarana). É na ordem intelectual, o princípio de individualização da consciência, a raiz da organização de nossa experiência e de nossa vida psicológica como experiência do eu...; na ordem prática e moral, a origem   do querer-viver  , do egotismo e mesmo do egoísmo, por causa   da individualização e da limitação   que ele «significa» (O. Lacombe  , op. cit., p. 141).

Ananda Coomaraswamy

««Yo» no hago nada, así debe saberse el hombre arnesado, el conocedor de la Realidad Última» (Bhagavad Gita V.8). «Yo no hago nada por mí mismo» (San Juan 8:28, cf. 5:19). Pensar que ««yo» hago» (karto ham iti) o que ««yo» pienso"» es una infatuación, la oiesis de Filón   (Leg. Alleg. 1.47, 2.68, 3.33) y el abhimana indio. La proposición Cogito ergo sum, es un non sequitur y un sin sentido; la verdadera conclusión es Cogito ergo EST, y se refiere al «que Es» (Damasceno, De fid. orthod. I; Katha Upanishad   VI.12; Milindapanha p. 73) y al único que puede decir «yo» (Maestro Eckhart  , Pfeiffer, p. 261). Cf. las referencias en mi «Akimcanna: la Anonadación   de Sí mismo», New Ind. Antiquary 1940.

«Nichts   anders stürzet dich in Höllenschlund hinein
Als das verhasste Wort (merk’s wohl!): das Mein und Dein»».
Nada será arrojado tan inmediatamente adentro de las fauces del Infierno como las detestables palabras (obsérvalas bien!) mío y tuyo (Angelus Silesius  , Der Cherubinische Wandersmann v.238.)

[SOPROS E CANAIS]

René Guénon

Es en virtud de la doble relación que acaba de indicarse (v. Deuses), y de este papel de intermediario entre la personalidad y la individualidad, por lo que, a pesar de todo lo que hay necesariamente de inadecuado en una tal manera de hablar, se puede considerar al intelecto como pasando en cierto modo del estado de potencia universal   al estado individualizado, pero sin dejar de ser verdaderamente tal cual era, y solamente por su intersección con el dominio especial de algunas condiciones de existencia, condiciones por las que se define la individualidad considerada; y produce entonces, como resultante de esta intersección, la consciencia individual ( ahamkara ), implícita en el «alma   viva» ( jivatma ) a la cual es inherente. Como ya lo hemos indicado, esta consciencia que es el tercer principio del Sânkhya, da nacimiento a la noción de «yo» ( aham, de donde el nombre de ahamkara, literalmente «lo que hace el yo» ), ya que tiene como función propia prescribir la convicción individual ( abhimâna ), es decir, precisamente la noción de que «yo soy» concernido por los objetos externos ( bâhya ) e internos ( abhyantara ), que son respectivamente los objetos de la percepção - percepción ( pratyaksha ) y de la contemplación ( dhyana ); y el conjunto   de estos objetos se designa por el término idam, «esto», cuando se concibe así por oposición con aham o el «yo», oposición completamente relativa por lo demás, y bien diferente en eso de la que los filósofos modernos pretenden establecer entre el «sujeto» y el «objeto», o entre el «espíritu» y las «cosas». Así, la consciencia individual procede inmediatamente, pero a título de simple modalidad «condicional», del principio intelectual, y, a su vez, produce todos los demás principios o elementos especiales de la individualidad humana, de los cuales vamos a tener que ocuparnos ahora. [BUDDHI]