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necessidade

vendredi 14 mai 2021

Notwendigkeit?, nécessité, necessidade, necessity, Notwendig, Notwendige, necessário, nécessaire, necessary

O que queremos dizer com necessário ? A definição? comum : "Chamamos de necessário o que não tem contrário, ou o que não pode ser diferentemente", é uma simples explicação de palavras, uma perífrase da expressão a ser definida, que de forma alguma aumenta nosso conhecimento? sobre ela. Aqui está, em minha opinião, a única definição verdadeira e completa : "Por necessário entende-se tudo o que resulta de uma dada razão suficiente", uma definição que, como qualquer definição correta, também pode ser revirada. Ora, segundo esta razão suficiente pertença à ordem lógica, à ordem matemática ou à ordem física (neste caso, leva o nome de causa), a necessidade é dita como lógica (por exemplo, a conclusão de um silogismo, dadas as premissas), - matemática (a igualdade dos lados de um triângulo quando os ângulos são iguais entre si) ; ou então física e real (como a aparência do efeito, assim que intervém a causa) : mas, seja qual for a ordem dos fatos que se trate, a necessidade da consequência é sempre absoluta, quando a razão suficiente é dada. É apenas enquanto concebemos algo como consequência de uma razão determinada, que reconhecemos sua necessidade ; e, inversamente, assim que reconhecemos que uma coisa decorre como efeito de uma razão suficiente, concebemos que é necessária : pois todas as razões constringem. Essa explicação é tão adequada e tão completa que as duas noções de necessidade e consequência de uma dada razão são noções recíprocas, quer dizer, podem ser substituídas uma pela outra. Então, a ausência? de necessidade é idêntica à ausência de uma razão suficiente determinante. Podemos, entretanto, conceber a ideia da contingência em oposição àquela da necessidade : o que não se discute. Pois toda contingência só é relativa. No mundo? real, com efeito, o único que pode nos dar a ideia do acaso, todo acontecimento é necessário, em relação à sua causa ; mas pode ser contingente em relação a todos os outros objetos, entre os quais e ele podem se produzir coincidências fortuitas no espaço e no tempo. Precisaria portanto que a liberdade, cujo caráter essencial é a ausência de toda necessidade, fosse a independência absoluta a respeito de todas as causas, quer dizer, a contingência e o acaso absolutos. Ora, eis aí um conceito extremamente problemático, que talvez nem possa ser pensado com clareza, e que, no entanto, por incrível que pareça, é identicamente reduzido ao de liberdade. Seja como for, a palavra livre significa aquilo que não é necessário em nenhum aspecto, isto é, aquilo que é independente de qualquer razão suficiente. Se tal atributo pudesse convir à vontade humana, isto significaria que a vontade de um indivíduo, em suas manifestações externas, não é determinada por motivos, nem por razões de qualquer tipo, posto que de outra forma - a consequência resultante de uma dada razão, de qualquer espécie que seja, sempre intervindo com uma necessidade absoluta - seus atos não seriam mais livres, mas necessários. Esta foi a base do pensamento de Kant, quando definiu liberdade, "o poder de começar de si mesmo uma série de modificações". Pois essas palavras "de si mesmo", reconduzidas ao seu verdadeiro significado, significam "sem causa antecedente", que é idêntico a "sem necessidade". Portanto, esta definição, embora pareça apresentar o conceito de liberdade como um conceito positivo, permite a uma observação mais atenta pôr de novo em evidência a natureza? negativo. [SCHOPENHAUER?, Arthur. Essai sur le libre arbitre. Tr. Salomon Reinach. Paris : Rivages, 2018 (ebook), Cap. I]