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certeza

domingo 17 de outubro de 2021

Estado? de espírito? em face de um juízo verdadeiro?, que ele reconhece como tal, em um grau? que não deixa nenhuma dúvida?. Daí também se aplicar à condição do conteúdo lógico, em face do qual se formou aquele estado? de espírito. A certeza? pode ser imediata (ou intuitiva?) quando se trata de um juízo evidente, e mediata (ou discursiva?) quando se trata de uma demonstração. Distinção esta já feita por Aristóteles   e, desde então, foram propostas tentativas para esclarecer primeiro? a natureza? da certeza imediata e para determinar, depois, qual é a relação que vigora entre a certeza mediata e a primeira. O problema? da certeza que reúne elementos? lógicos, metafísicos e psicológicos, está longe?, não só de uma solução, mas de uma maneira unívoca de apenas ser estabelecida como problema. A certeza, primariamente, é uma experiência psicológica. Mas o elemento afetivo?, de certo não é de especial interesse? filosófico. A pergunta? é: quais são as condições que produzem este estado psicológico de certeza? Qual é o critério do caráter? verdadeiro de um juízo que consideramos certo? O racionalismo? vê na clareza e distinção das ideias? o critério que garante a sua verdade?, e eleva a inteligência ao estado de certeza. De fato?, isto prova? só a qualidade? lógica daquelas ideias e a sua conformidade com a estrutura? atual? da evolução do intelecto? humano?. Mas um intelecto limitado também encontra objetos? de conhecimento?, dos quais ele só pode formar ideias menos claras, mas que por isso não são menos verdadeiras; quer dizer, não são menos adequadas à realidade? e, consequentemente, não menos "certas", tomando-se "certo" aqui primariamente no sentido? de assegurado e não de correto. Se consideramos um conhecimento intuitivo, em sentido menos estrito?, que se aparta das categorias? ordinárias da lógica, deve-se reconhecer que este é verdadeiro em elevado grau, e até essa qualidade foi alcançada à custa da clareza e distinção da representação. Mais feliz? parece a opinião que toma como ponto? de partida a relação gnosiológica entre o intelecto e a realidade e opina que o ato? cognoscitivo é, para chamá-lo assim, transparente, e apresenta visivelmente a sua determinação por parte? do objeto. Ele permite, assim, uma introspecção que representa uma segunda relação, colocada por cima da relação gnosiológica original, e que nos subministra a certeza. O ponto decisivo é saber? se a evidência, como fundamento? imediato? da certeza, é de fato a visibilidade da determinação objetiva inerente à própria percepção. Em todo caso aparece aqui o momento? de um controle secundário da percepção original, que resulta em uma aprovação ou desaprovação, não já do juízo, mas da execução correta do ato de percepção, e assim indiretamente também do juízo. A duplicidade no procedimento visando assegurar a certeza, encontramos em outra forma? também em Hartmann  , que recentemente dedicou especial atenção a este problema. Ele oferece, como instrumento? da evidência, o chamado? critério das duas? instâncias (Zwei-Instanzen-Kriterium als Wahrheitsgewissheit), que parte da consideração de que duas representações do mesmo? objeto, que se formaram independentemente uma da outra, e que concordam no seu conteúdo se oferecem como um critério da verdade. A questão é só encontrar duas fontes de conhecimento, que são de fato independentes? uma da outra. Segundo Hartmann   tais fontes heterogêneas se apresentam no conhecimento a priori? e a posteriori. Onde quer que considerações apriorísticas e conhecimentos por experiência convirjam na mesma ideia?, teríamos a certeza de que essa ideia é verdadeira. Entretanto surgiram críticas também a essa teoria?, salientando que conhecimento a priori e a posteriori se bem que sejam heterogêneos não seriam independentes por completo, visto? que a camada superior? de conhecimentos apriorísticos é radicada e fundada na camada inferior de conhecimentos isolados adquiridos a posteriori.

Além da concepção da certeza como uma convicção racional? do espírito de que os objetos são tais, como ele os concebe, o termo? também serve para designar uma "crença", que é igualmente uma adesão forte do espírito, não porém por razões de ordem? intelectual? e, sim, por motivos irracionais e só individualmente válidos. Como a certeza é suscetível de vários graus, ela se encontra também na opinião, que é uma adesão fraca do espírito, deixando lugar à dúvida ou à oposição.

Uma forma especial ainda é a certeza moral? que se apoia em uma certa soma? de indícios, que todos reunidos sugerem uma determinada teoria, que dificilmente pode ser errada. (O emprego da palavra? moral neste sentido - certitudo moralis - é familiar? à terminologia? escolástica). [MFS?]

LÉXICO: certeza