Página inicial > Glossário > pensamento

pensamento

domingo 17 de outubro de 2021

[...] o pensamento?, longe? de ser um fenômeno simples?, é um complexo? de elementos? organizados entre si de acordo? com regras fixas. Chamamos esses elementos de “conceitos?”, e as regras, de “lógica”. O pensamento é uma organização lógica de conceitos.

Descobriremos, em segundo lugar?, que o pensamento é um processo?, e isso em dois sentidos?. No primeiro? sentido o pensamento é um processo que corre em busca de sua própria completação. Podemos conceber pensamentos? interrompidos e, portanto, incompletos. O pensamento é um processo em busca de uma forma? (Gestalt), é um processo estético. Alcançada essa forma, o pensamento adquire uma aura? vivencial de satisfação, um clima de obra? de arte? completa e perfeita?. Essa aura se chama “significado?”. O pensamento completo é significante. No segundo sentido é o pensamento um processo autorreprodutivo. Gera automaticamente um novo pensamento. Podemos distinguir? cadeias de pensamentos, dentro das quais os pensamentos individuais formam elos?. Essas cadeias estão unidas entre si como que por ganchos para formar o tecido do pensamento, no qual as cadeias de pensamento formam os fios. Um pensamento individual?, embora completo esteticamente por ser significante, é, não obstante, carregado de um dinamismo? interno que o impede de repousar sobre si mesmo?. Esse? dinamismo inerente do pensamento se manifesta numa tendência do pensamento a superar?-se a si mesmo, abandonando-se nessa superação. Esse abandono? do pensamento por si mesmo pode assumir diversas formas, mas aquela que conduz à formação de novos pensamentos, portanto a única que interessa no presente? contexto, é, ela também, chamada “lógica”. A lógica é, portanto, um conceito ambivalente. É o conjunto das regras de acordo? com as quais o pensamento se completa, e é, ainda, o conjunto das regras de acordo com as quais o pensamento se multiplica. [Excerto de FLUSSER  , Vilém. Da dúvida?. São Paulo  : É Realizações, 2018, p. 32-34]


A dissociação fenomenológica estrutural do videor? e do videre é o arcabouço teórico prévio indispensável ao debate clássico no que diz respeito? ao que, na filosofia? de Descartes  , convém entender por pensamento. Encontramos, como se sabe, duas definições do conceito de pensamento na Segunda Meditação, uma formulada pela essência, outra pela enumeração dos modos?: I) “Eu? não estou, por conseguinte, precisamente dizendo que alguma coisa? que pensa, isto é, um espírito?, um entendimento?, ou uma razão, sejam termos cuja significação me era? antes desconhecida” [1]. II) “Mas o que eu sou? então? Uma coisa que pensa. O que é uma coisa que pensa? Significa uma coisa que duvida?, que concebe, que afirma, que nega, que quer, que não quer, que imagina também e que sente” [2]. A primeira definição deveria ser suficiente a ponto? de tornar a segunda supérflua. No que diz respeito ao nosso ser mais essencial?, Descartes  , rejeitando tanto as concepções tradicionais? quanto o saber? antropológico ingênuo, concepções e saber marcados pelo seu caráter? acumulativo, marcados pela confusão e a não elaboração de sua problem?ática – Descartes   visa, pois, de imediato?, a constituição de uma eidética atendo-se a uma essência fenomenológica, que consiste justamente na essência da própria fenomenalidade?. Ela se encontra definida como mens?, animus?, intellectus e ratio?. Mas o que querem dizer esses termos? [MHPsique:72]
LÉXICO: pensamento

HEIDEGGER: denken / pensar / penser / think / Denk-würdigen / digno de ser pensado / digno de pensar / erdenken / erdichten / inventer / forger / Nachdenken / reflexão / rechnende Denken / pensamento calculador / Andenken / remémoration / rememoração / anfängliche Denken / pensar inicial / inceptual thinking / gedanken-los / carentes de pensamentos / sem-pensamentos / Gedankenlosigkeit / carência de pensamentos / ausência-de-pensamentos / gedanken-arm / pobres de pensamento / pobres-em-pensamento / Gedanke-flucht / fuga-aos-pensamentos / Bedenkliche / grave / pensable / Bedenklichste / gravíssimo / ce qui donne le plus à penser

Observações

[1FA, II, p. 419; AT, XI, p. 21; “... sum igitur praecise tantum res cogitans, id est mens, sive animus, sive intellectus, sive ratio, voces mihi prius significationis ignotae”. (FA, II, p. 184-185; AT, VII, p. 27.)

[2FA, II, p. 420-421; AT, IX, p. 22; “Sed quid igitur sum? Res cogitans, quid est hoc? nempe dubitans, intelligens, affirmans, negans, volens, nolens, imaginans quoque et sentiens” (FA, II, p. 185-186; AT, VIII, p. 28).