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moral

domingo 17 de outubro de 2021

Primeira tese: não há em absoluto ações morais: elas são perfeitamente ilusórias. Não se trata apenas de que não se possa comprová-las (O que Kant  , por exemplo, admitiu, e também o cristianismo) — trata-se, antes, de que elas, pura e simplesmente, não são possíveis. Inventou-se uma oposição às forças propulsoras, mediante um mal-entendido psicológico, e acredita-se ter designado uma outra espécie delas; fingiu-se um primum mobile que, pura e simplesmente, não existe. Segundo o juízo que introduziu em geral a oposição “moral” e “imoral”, deve-se dizer: há apenas ações e intenções imorais.

Segunda tese: Toda essa diferenciação entre “moral” e “imoral” parte do pressuposto de que tanto as ações morais quanto as imorais são atos da livre espontaneidade, — em suma, do pressuposto de que há uma tal espontaneidade, ou, expresso de outro modo: do pressuposto de que o ajuizamento moral, em geral, diz respeito apenas a um gênero de intenções e ações, as ações e intenções livres.

Mas todo esse gênero de intenções e ações é puramente imaginário: o mundo no qual a norma moral está instalada simplesmente não existe – não há ações morais nem tampouco ações imorais. [NietzscheVP  :786]


LÉXICO: moral