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domingo 17 de outubro de 2021

Quanto a palavra? imagem?, devemos pensar? na reprodução de alguma coisa?. Um Weltbild seria portanto como um quadro do ente em sua totalidade?. No entanto, Weltbild diz mais. Pois assim entendemos o Mundo? (Welt) ele mesmo?, o ente em sua totalidade, assim como nos impõem suas diversas ordens de medidas. Imagem (Bild) designa, por conseguinte, não um simples? decalque, mas o que se faz entender na forma? alemã: Wir sind über etwas im Bilde (literalmente: “somos quanto a qualquer coisa, na imagem”, ou seja, “somos ou estamos no fato? desta coisa”). (…) Fazer? a ideia? de alguma coisa de maneira a ser fixada, é portanto pôr o ente ele mesmo diante de si para ver? de que se trata, e tendo assim o fixado, o manter constantemente nesta representação. (…) Lá onde o Mundo se torna imagem concebida (Bild), a totalidade do ente é compreendida e fixada como aquilo sobre o qual o homem? pode se orientar?, como aquilo que ele quer por conseguinte levar e ter? diante de si, aspirando assim a par?á-lo, em um sentido? decisivo, em uma representação. Weltbild, o mundo na medida? de uma “concepção”, não significa portanto uma ideia do mundo, mas o mundo ele-mesmo apreendido como aquilo que se pode “ter-ideia”. O ente em sua totalidade é portanto tomado agora? de tal maneira que ele é só e verdadeiramente ente na medida em que é parado e fixado pelo homem na representação e na produção. (…) O ser do ente é agora buscado e descoberto no ser-representado do ente. (Heidegger  , 1949/1962 (GA5), pág. 117)


Lembremos ainda que, graças à teoria? da luz? e do olho?, Kepler distinguira imagem (imago) e figura? (pictura), considerando a primeira? “de grandeza? diversa e proporção inadequada em relação à figura”, esta sendo? a realidade? material? e externa apreendida pela mente? a partir da pictura projetada? no fundo do olho. Em outras palavras, a imagem é produto da visão segundo as cores, a posição, a distância e a força do objeto? visto; a figura, produto geométrico da luz que, em si mesma, é geométrica. No escólio da proposição 17 da Parte? II da Ética, Espinosa   chama “imagens das coisas? as afecções do corpo? humano cujas ideias? representam os corpos externos? tais como se oferecem a nós, mas sem reproduzir a figura das coisas”, e, quando a mente contempla os corpos dessa maneira, “diremos que imagina”. Ora, conclui o filósofo, se a mente soubesse que quando percebe as coisas dessa maneira está a imaginar, reconheceria que a imaginação é uma virtude? e não um vício de sua natureza?, pois a imagem enquanto imagem nada? contém de falso?. Em suma?, como Kepler, Espinosa   afirma a necessidade?, naturalidade e verdade? da imago qua imago, desde que a mente não a confunda com a idea?, confusão que é causa do erro? e do falso. A imagem representa os corpos externos segundo as disposições de nosso corpo ao ser afetado por eles; a ideia conhece a essência singular? de seu ideado porque nossa mente, por sua própria força interna, a produz ou concebe. A imagem indica a potência do olho, a força ou virtude do imaginar; a ideia exprime a irradiação da luz, o verdadeiro? que se manifesta a si mesmo. O primeiro é especular (replicatio); a segunda, especulativa (explicatio?). Mas não só isso. Havíamos salientado que Espinosa   é polidor de lentes e que foi pelo exame? das distorções visuais (astigmatismo e miopia, sobretudo) que Kepler, examinando o dióptrico esférico, chegou à ideia da refração interna do raio luminoso e à nova teoria da visão em que as lentes se tornam instrumentos capazes de corrigir a atividade? do instrumento? natural, o olho. Onde estão as lentes espinosanas? Não estão apenas em microscópios e telescópios talvez perdidos para sempre. Suas lentes perenes encontram-se naquele instrumento que, assegura o Tratado da emenda do intelecto?, nos conduz de nossos instrumentos inatos (a potência para formar ideias imaginativas e intelectivas) ao “cimo da sabedoria?”, graças a seu aperfeiçoamento imanente? ou no correr de seu próprio exercício: a teoria da definição perfeita?. A definição perfeita, aquela que oferece a essência íntima da coisa e a causa interna de sua geração, é a lente que o intelecto fabrica para ver e fazer ver. Que a definição perfeita seja de natureza geométrica e seu objeto sejam “entes físicos reais” é uma exigência necessária, pois sua origem? é a óptica físico-geométrica, nascida com Kepler. [CHAUl, Marilena. A Nervura do Real?. Imanência e liberdade? em Espinosa  . São Paulo   : Companhia das Letras, 1999, p. 58]

LÉXICO: imagem

HEIDEGGER: imaginação / fantasia / imagination / phantasie / phantasy / φαντασία