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exterior

domingo 17 de outubro de 2021

O projeto instituidor de um universo de forças naturais não significa uma relação da consciência com o mundo já pronto e do qual ela seria uma simples cópia. O conhecimento é criador e põe unicamente fora de si o seu próprio esboço do mundo, exteriorizando-o num cosmo: “No processo de explicação da consciência encontramo-la justamente numa enorme satisfação de si mesma, porque a consciência, por assim dizer, está em colóquio imediato consigo mesma e frui a sua própria realidade; à primeira vista parece que está em relação com algo de diverso, mas de fato ela está consagrada a si mesma e consigo mesma ocupada”. A exterioridade do mundo é simplesmente uma cisão ou duplicação do igual, da consciência, ou melhor, da nossa consciência que se objetiva e se distingue de si mesma. Essa exterioridade do Universo é, portanto, uma interioridade que se desconhece a si mesma, uma interioridade invertida e posta diante de nós, um desdobramento da interioridade da consciência. Segundo a linguagem característica de Hegel  , quando levantamos o véu que encobre esses fenômenos e procuramos observar o que constitui o interior das coisas, essa observação se transforma naquele ato “pelo qual o Interior olha para o Interior”. O mundo objetivo, [122] as leis   objetivas dos fenômenos são delineadas pelo nosso próprio espírito, constituindo aquela alteridade superável, aquela diversidade negada e interiorizada que agora se apresenta na figura de um compreensível e dominado. No fundo, a representação das coisas é uma fase da autorrepresentação do sujeito, um olhar para si mesmo no espelho do mundo, espelho que segundo Nietzsche   nos devolve sempre a nossa própria imagem. O “fora” do mundo é portanto um “dentro”, um “dentro” que se esqueceu a si mesmo e se põe como um “fora” independente. É justamente esse autoestranhamento que constitui a ideia de uma natureza, de uma representação naturalística do Universo, da sociedade e da cultura. Perdemos de vista que o conhecimento de uma alteridade natural, seja ela de natureza física ou social, é um aspecto da “interioridade” à qual pertencemos, uma afirmação de nós mesmos no outro. [VFSTM  :122-123]


Seule l’hétéronomie, la soumission à une loi extérieure menace la liberté. Les réalités intelligibles, c’est-à-dire l’Intellect et l’âme, dans la mesure où leur volonté ne fait qu’épouser leur propre nature, sont parfaitement libres. Plotin   est proche ici de la définition aristotélicienne de la contrainte : « est fait par contrainte tout ce qui a son principe hors de nous (archḗ éxōthen) » (Éthique à Nicomaque III 1, 1110a1-2). Mais alors que la réflexion d’Aristote   s’en tient à l’analyse de l’action humaine, Plotin  , conformément à la méthode suivie dans tout le début du traité, prend appui sur les concepts définissant l’action pour méditer sur la réalité intelligible. Plotino - Tratado 39,3 (VI, 8, 3) — A verdadeira liberdade situa-se no intelecto
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