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Wenwang

quarta-feira 24 de novembro de 2021

Não ignoro que, em sua extrema generalização, os «Símbolos do Verbo?» possam parecer mais vagos ainda que abstratos. Mas apesar de? que se brilho não se manifeste senão se provocado em consultando o texto? original, com vistas a uma adaptação particular? e precisa [1], podemos esclarecer imediatamente o Khien e o símbolo da Marcha dos Dragões, pelo estudo? da fórmula tetragramática, que o príncipe Wenwang?, genro de Fohi?, instaurou no início do I Ching  , sob o ideograma mesmo do Khien.

O tetragrama de Wenwang dá, com uma forte concisão, a chave do fenomenismo? universal?, que se convencionou chamar: a criação do mundo?. Esta denominação, que enuncia um fato? (a criação, quer dizer, vulgarmente, a saída fora do nada?) prepara, às raças que a empregam, uma inconsciente? petição de princípios e uma inumerável quantidade? de dificuldades metafísicas e lógicas. Ter? inventado esta palavra?, antes de ter provado que responde a uma concepção intelectual? ou a um evento? material, é um sintoma? certamente característico do estado? do cérebro ariana deformado pelo golpe semita. (E IHWH só sabe de que força foi o golpe!).

Preparemo-nos imediatamente a não sacrificar nossa lógica com este apriorismo? inaudito e certamente discutível. O tetragrama de Wenwang, cuja generalidade apenas não o cede à abstração, não nega (não afirma não menos) o fato nele mesmo; parece que a realização ou a não-realização material da ideia? importa excessivamente pouco à tradição; mas o tetragrama situa o evento fora do tempo? e do espaço; quer dizer que lhe retira toda a objetividade?, e o mantém neste domínio que nós, ocidentais, não temos o direito? de o fazer sair: o domínio da ideia pura e da lógica metafísica.

Talvez todas as cosmogonias, e mesmo a sinaítica, poderiam se resumir em uma só doutrina, se quisermos não nos deixar levar, no plano? da criação universal, pelo antropomorfismo? que maculamos o plano divino, e se, sob pretexto de homenagear a um criador? que fazemos homem?, não instalemos o materialismo? mais concreto? no coração de nossas modernas e singulares religiões.

Nos é preciso portanto buscar esquecer? a mediocridade? convencional que acalentou a infância das nações ocidentais. E se se segue desde então este conselho, parece certo que se retirará dele, para aplicação, o maior fruto da ascensão dos Dragões através dos Gráficos de Deus?.

Mas, e sobretudo, se estar?á preparado a apreender?, em toda sua abstração metafísica, o tetragrama de Wenwang, a causa? inicial, a modificação e a transformação final do Universo?.

O tetragrama, arcano? do Universo, tem ainda uma outra dimensão. E ela não é talvez menos considerável, do ponto? de vista da unificação dos sistemas? filosóficos do Oriente. É com efeito? do tetragrama de Wenwang, quer dizer da moela mesma do I Ching  , que todo o taoismo? é origin?ário. Quando estudarmos este admirável sistema de lógica e de moral? pura, retomaremos esta filiação. Nos basta hoje afirmá-la, e precisar mesmo que, em formulando estes tetragramas, Wenwang foi o Precursor de Lao Tse. Toda a cosmogonia? taoista aí está contida, e tudo o que vai seguir é taoismo puro?.
[...]
UYAN, HENG, LI, TCHENG:

Causa inicial; liberdade?; bem; perfeição.

Este é o tetragrama ideogramático de Wenwang. E o Yi Ching   acrescenta estas simples? palavras, que são o “comentário tradicional” da fórmula: “Quão grande é a causa inicial da atividade?! Todas as coisas? lhe devem o começo de seu éter constitutivo?; é todo o céu. As nuvens marcham: a chuva estende seu efeito; os germes dos seres se perpetuam na forma?. A vida? universal age num movimento? sem fim?. O fim e o começo são iluminados por uma grande luz?. O caminho, é a modificação e a transformação: cada coisa se conforma exatamente à sua natureza? e ao seu destino?, e mantém, aí disto se acordando, a extrema harmonia?; eis o bem? e a perfeição”.

A tradição explicativa destes arcanos que acabamos de expor é obra de Tsheou Kong, filho de Wenwang; ela foi recolhida, codificada por assim dizer, por Tsheng Tsé e por Tsouhi. Como dissemos: a qualidade? objetivamente predominante de Khien é a atividade; e a atividade radia a energia? e a vontade?, graças a quê o Ser começa a mostrar que ele é. Estão aí todo o Universo visível atualmente em nosso círculo evolutivo e na estase humana que se chama: a criação.

A fórmula determinativa, assim precisada por Wenwang em seus quatro ideogramas, manifesta e “acompanha” o Universo, desde o germe-vontade, que foi sua Gênese, até seu desabrochar completo.

A. A causa voluntária (começo) de todos os seres.

B. A possibilidade? de criação (crescimento) de todos os seres.

C. A faculdade? de satisfação (ação) das condições de todos os seres.

D. O desenvolvimento? normal? e perfeito? (evolução) de todos os seres.

Estes quatro ideogramas, que abrem e encerram em si mesmo os ciclos do Universo, são tão populares como o crescente na Turquia ou a cruz entre os cristãos. Eles têm, sobre os demais símbolos da Humanidade?, a vantagem de conter em si, de um modo? explícito, o resumo de toda doutrina aplicável à Humanidade atual. Eles têm sua expressão sigilar plana no símbolo gráfico do Yin-Yang? (Tai Chi ou Grande Extremo?) cuja explicação daremos no capítulo que trata da condição humana.

Os quatro estados assinalados pela fórmula do tetragrama de Wenwang são chamados: qualidades da substância (Khien), mas qualidades certamente inerentes, e integrando a entidade? da substância (em que precisamente elas diferem do sentido? ocidental atribuído à palavra: qualidade, que entretanto não pode ser substituída por nenhuma outra). Não há nenhum inconveniente nisto, pois, segundo o excelente método chinês, esta qualidade integrante é tomada como a própria substância e identifica-se com ela, ao menos momentaneamente, para facilidade da compreensão: esta identificação é, de resto, absolutamente justa.

Não utilizaremos nenhum terminologia? nova no sistema cosmogônico que estudamos aqui.

É inútil tentar familiarizar o leitor com as enunciações dos ideogramas; e, por imprecisas que sejam, nos ateremos a sua tradução na linguagem? ordinária: causa inicial: liberdade, bem, perfeição [2]. [MatgioiVM  :48-51]

Observações

[1É preciso reter esta frase feita aqui de propósito. Pois ela é o começo de toda ciência divinatória do I Ching entendida naturalmente do ponto de vista mágico, e não deste ponto de vista «horoscópico» do qual os praticantes do Extremo Oriente sabem, assim como seus co-irmãos do Ocidente, se fazer rendas.

[2Toda vez que estas expressões indicarem uma das partes do tetragrama, elas serão grafadas em itálico.