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gnosis

domingo 17 de outubro de 2021

gr. γνῶσις, gnosis: 1) conhecimento; 2) gnose; 3) gnosticismo. O termo grego ganhou na história das religiões uma forte conotação de conhecimento portando sobre realidades divinas e celestes e conduzindo por aí à salvação. gnôrimon: cognoscível, inteligível.


É por isso que, com relação ao princípio da distinção entre ἐπιστημονικόν (o que promove o saber) e λογιστικόν (o que promove a reflexão), Aristóteles   diz, imediatamente: ele precisa se orientar pelo ente: πρὸς γὰρ τὰ τῷ γένει ἕτερα καὶ τῶν τῆς ψυχῆς μορίων ἕτερον τῷ γένει τò πρὸς ἑκάτερον πεϕυκός, εἴπερ καθ᾽ ὁμοιότητά τινα καὶ οἰκειότητα ἡ γνῶσις ὑπάρχει αὐτοῖς (1139a8ss.). Eu traduzo a partir do fim: “Se é que deve estar à disposição dessas duas partes da alma – dos dois modos do ἀληθεύειν (desvelamento) da ψυχή (alma) humana, ou seja, do ἐπιστημονικόη (do que promove o saber) [30] e do λογιστικόν (do que promove a reflexão) – o estar familiarizado com as coisas – a γνῶσις (o saber), que não é o conhecimento teórico, mas todo e qualquer ἀληθεύειν (desvelamento) em sentido totalmente amplo – e, em verdade, no sentido de uma certa adequação ao ente, de tal modo que esses dois modos do ἀληθεύειν (desvelamento) estejam por assim dizer em casa junto ao ente que eles descobrem, então, diante da diversidade do ente, todo e qualquer modo do comportamento anímico – do desencobrimento – também precisa ser diverso segundo a sua estrutura ontológica com relação ao respectivo ente.” [Heidegger  , GA19  :29-30]
Plotino   esclarece a ideia segundo a qual o conhecimento do que se produz não é, a rigor, o que depende de nós. Se por "conhecimento" entendemos a percepção sensível, é óbvio que não depende só da alma perceber ou não, mas também do encontro de um corpo. Se se trata de outro tipo de conhecimento do que se produz, isto é, por exemplo, do conhecimento dos princípios de organização dos corpos, ou do conhecimento singular das circunstâncias de uma ação, mesmo neste caso, a alma não tem o controle total de seu conhecimento, já que este depende de uma realidade externa. Além disso, como diz Plotino  , não pode ser o conhecimento que leva a alma a agir, mas apenas o desejo. Saber os meios adequados para realizar uma ação não é, portanto, suficiente: é necessário também desejar agir. Plotino - Tratado 39,2 (VI, 8, 2) — A que faculdade da alma reportar o que depende de nós?
Someone might raise the inquiry: if the incidental sense objects are substances and reason alone knows these using sense as an instrument, which is why in general they are actually called incidental sense objects, how does [36] the dog know its master and the ass its manger and anything else of that kind that is seen with non-rational [animals]? I say that they do not perceive them as substances, but because such shapes become dear or painful to sense, they recognise (gnorizein) them by having the imprints of them in imagination. [Philoponus   in De Anima 317,25-32; SorabjiPC1  :37]
LÉXICO: gnosis; gnorimon; gnosticismo