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metáfora

domingo 17 de outubro de 2021

Considerações parecidas podem ser feitas a respeito da metáfora que Ortega y Gasset  , em livro muito citado, porém pouco lido, considerava “el más radical instrumento de deshumanización” da arte moderna. Conforme observava Ortega, a metáfora substitui uma coisa por outra, não tanto para chegar a esta, quanto para fugir daquela, e se é verdade, como se sustentou, que ela é originalmente um nome substitutivo para um objeto que não deve ser nomeado, a analogia com o fetichismo é ainda mais evidente do que na metonímia.

A definição de Ortega (“es verdaderamente extrana la existencia en el hombre de esta actividad mental que consiste en suplantar una cosa por otra, no tanto por afán de llegar a esta, como por el empeno de rehuir aquélla”) podería referir-se perfeitamente à Verleugnung fetichista. A teoria da metáfora como “nome substitutivo” para um tabu está presente em WERNER. Ursprung der Metapher (1919). A analogia entre perversões sexuais e metáfora havia sido assinalada, com sua agudeza habitual, por Kraus: “Mesmo na linguagem erótica há metáforas. O analfabeto chama-as de perversões.” [AgambenE  :61, 64]


LÉXICO: metáfora