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Guimarães Rosa (GSV) : Sertão que se alteia e se abaixa

jeudi 21 mai 2020

E piorou um tico o tempo, em Minas entramos, serra-acima, com os cavalos esticados. Aí o truvisco ; e buzegava. O ladeirão, ruim rampa, mas pegamos a ponta da chapada. Foi ver, que com o vento nas orêlhas, o vento que não varêia de músicas. Tudo consabia bem, isto sim, digo ; no remedido do trivial, espaço de chuva, a gente em avanço por esses tabuleiros : fazia rio, por debaixo, entre as pernas de meu cavalo. Sertão velho de idades. Porque — serra pede serra — e dessas, altas, é que o senhor vê bem : como é que o sertão vem e volta. Não adianta se dar as costas. Ele beira aqui, e vai beirar outros lugares, tão distantes. Rumor dele se escuta. Sertão sendo do sol e os pássaros : urubú, gavião — que sempre vôam, às imensidões, por sobre… Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e se abaixa. Mas que as curvas dos campos estendem sempre para mais longe. Ali envelhece vento. E os brabos bichos, do fundo dele…

Com trovôo. Trovoadão nos Gerais, a rôr, a rôdo… Dali de lá, eu podia voltar, não podia ? Ou será que não podia, não ? Bambas asas, me não sei. Bambas asas… Sei ou o senhor sabe ? Lei é asada é para as estrelas. Quem sabe, tudo o que já está escrito tem constante reforma — mas que a gente não sabe em que rumo está — em bem ou mal, todo-o-tempo reformando ?


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