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Pessoa : PENSAR POR ANTÍTESES...

dimanche 27 juillet 2014

Sabem todos que a dialéctica platônica decompõe o movimento? do raciocínio? em três tempos sucessivos — a tese?, a antítese?, e a síntese?. O mesmo íntimo critério? preside ao movimento da ode grega, ou de toda a ode — a estrofe, em que se determina a ideia? ; a antístrofe, em que se lhe opõe a ideia contrária, que a própria posição? daquela exige ; o epodo, em que se conciliam as duas. Nem sempre assim era na realização da ode : sempre assim deveria ser?.

Toda opinião? é uma tese, e o mundo?, à falta? de verdades, está cheio de opiniões. Mas a cada opinião compete uma contra-opinião, seja crítica? da primeira, seja complemento dela. Na realidade? do pensamento? humano?, essencialmente flutuante e incerto, tanto a opinião primária, como a que lhe é oposta, são em si mesmas instáveis ; não? há síntese, pois, nas coisas? da certeza?, senão tese e antítese apenas. Só os Deuses, talvez, poderão sintetizar.

A estes escritos chamo antíteses porque representam, em sua íntima substância?, contra-opiniões, desmascaramentos, desilusão. A certeza com que cada um? pensa o que julga que pensa convém opor a certeza com que se pode pensar? o contrário, com que se consegue tornar lógico? o absurdo? [...]


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