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Corbin (ICSIA): O «Deus Patético»

segunda-feira 1º de agosto de 2022

      

tradução

As premissas da teologia negativa estão tão longe de excluir por elas mesmas toda situação dialógica, que elas importam ao contrário para dela fundar   a autenticidade. Assim se dá com a gnose do Islã, cujas premissas têm mais de um traço comum com aquelas da Gnose em geral, aquelas que são também as mais irritantes para toda dogmática ocupada em definir   racionalmente. A estrutura   é constante: há «O que origina»; além do ser «que é», o «Deus   que não é» (ouk on theos   de Basilides), quer dizer o Theos agnostos, o Deus inconhecível e não predicável; e há o Deus revelado, seu Noûs que pensa e obra, que suporta os atributos divinos  , e é capaz de relação. Ora, não é em buscando um compromisso em benefício de uma ou de outra noção, mas em mantendo firmemente a simultaneidade da visão, que se chega a falar de um Deus patético, não como uma reivindicação teórica contra as teologias positivas preocupadas com o dogma   da imutabilidade divina, mas como uma progressão interna efetuando experimentalmente a passagem do Abismo   e do Silêncio sobre-essenciais a Figuras e enunciados positivamente fundados.

Original

Les prémisses de la théologie négative sont si loin d’exclure de par elles-mêmes toute situation dialogique, qu’elles importent au contraire pour en fonder l’authenticité. Ainsi en va-t-il pour la gnose en Islam, dont les prémisses ont maint trait commun avec celles de la Gnose en général, celles qui sont aussi les plus irritantes pour toute dogmatique en souci de définir rationnellement. La structure est constante : il y a « Ce qui origine » ; au-delà de l’être « qui est », le « Dieu qui n’est pas » (ούκ ὤν θεός, de Basilide), c’est-à-dire le Theos agnostos, le Dieu inconnaissable et imprédicable11 ; et il y a le Dieu révélé, son Νοῦς qui pense et qui œuvre, qui supporte les attributs divins, et est capable de relation. Or, ce n’est pas en cherchant un compromis au profit de l’une ou l’autre notion, mais en maintenant fermement la simultanéité de la vision, que l’on en arrive à parler d’un Dieu pathétique, non point comme une revendication théorique contre les théologies positives soucieuses du dogme de l’immutabilité divine, mais comme une progression interne effectuant expérimentalement le passage de l’Abîme et du Silence suressentiels à des Figures et à des énoncés positivement fondés.


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