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Nothomb Homem Imortal

domingo 24 de julho de 2022

    

O HOMEM   IMORTAL — Novo olhar sobre o Éden  

Este livro publicado há muitos anos na coleção   Bibliothèque de l’Hérmetisme, dirigida por Antoine Faivre  , enquanto coleção da editora Albin Michel, foi meu primeiro contato com o pensamento   de Paul Nothomb  . Confesso que fiquei estarrecido com as interpretações que dava do primeiros capítulos do Gênesis, como ainda fico. Realmente me dei   conta que o que temos hoje em dia em termos de Antigo testamento  , especialmente de Gênesis, são "estórias", interpretáveis como alegorias ou figuras, de grande valor   para a reflexão  , mas que sob esta configuração nos eleva a um patamar aquém do ensinamento superior que estes escritos guardam por sua língua original hebraica e sua composição.

Que se pensaria de uma versão em língua estrangeira das fábulas de La Fontaine que traduzisse pela mesma palavra   cigarra e formiga?
 
Fábula ou não, ao relato do jardim do Éden sucedeu uma desventura deste gênero  . Ninguém nada mais aí entende porque certas palavras chaves que exprimem no original realidades opostas até incompatíveis são apresentadas em nossas "histórias santas" como muito próximas, senão como sinônimos. Fala-se de "terra  ", de "solo", de "pó" — termos a princípio desvalorizados, mesmo em nossas línguas. Mas a usara das palavras é um fenômeno comum a todas as línguas, fossem sagradas, por pouco que elas tenham uma história, e aquela do hebreu bíblico se estende por um milênio. Transmitido inicialmente oralmente, o relato do Jardim do Éden data pelo menos de setecentos anos antes da primeira tradução da Bíblia em língua estrangeira, que confunde frequentemente o hebreu bíblico vulgarizado de sua época (a época do Eclesiastes) com aquele das origens. A tradução Septuaginta oficializa em grego a perda de sentido, já perceptível nos comentários rabínicos. Além das interpretações redutoras, resta felizmente o texto hebreu intacto que permite reencontrá-lo. Descobre-se então que o relato onde trata-se da Árvore da Vida e da Árvore do Conhecimento não trata absolutamente   de agricultura nem de cerâmica — de "terra", de "solo" ou de "pó" — mas de realidades existenciais...

Excertos