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Renz (F) – conscientidade em ausência-presença

sexta-feira 9 de setembro de 2022

    

[39:44]

Q: Como se sente que há ausência  ?

K: Ausência é o fluxo. A ausência de «eu», de sofrimento  , de dor  .

Q: Como o «eu» retorna? Se há ausência...

K: Porque isso que é o-que-se-é   quer ficar na ausência porque é seu preferência. Mas sempre haverá tempos de ausência temporária, e então depois que não podes mais mantê-la queres tê-la para sempre.

Q: Quem quer tê-la?

K: Tu! conscientidade   [consciousness], quem mais? Conscientidade tem sua preferência: a ausência de conscientidade. Mas do momento que conscientidade quer permanecer nesta ausência de conscientidade então torna-se de novo presença.

Q: É uma contradição!

K: Não, é uma estupidez   da conscientidade. Isto é tudo!

Q: Se é uma ausência de conscientidade como a conscientidade quer permanecer na ausência?

K: É mágico, pois ambos têm que ser aí. Ambos não se foram. Na ausência, a presença não se foi. Só há deslocamento arbitrariamente entre elas. A conscientidade não pode decidir se é presença ou ausência. Ambas são aí. É como um par de sapatos. É como bom e mau. É como dia e noite. Nesta polaridade é que te realizas a ti mesmo. E por vezes por qualquer razão   vais para o lado da ausência ou então vais de novo para o lado da presença. Mas ninguém pode decidir: quando acontece, já aconteceu. Queres fazer algo ser permanente, ambos são permanentes, mas não podes ser permanentemente uma delas. Só podes te experienciar a ti mesmo em ambas. Mas certamente tua preferência será a ausência, pois é o céu. E a presença é o inferno. Mas tens que experienciar a ti mesmo em ambas.

Q: Eu experiencio a mim   mesmo em ausência que é céu, mas quem é este que experiencia a si mesmo   em ausência se há ausência?

K: O que chamas quem é o Vidente Absoluto, Deus   ele mesmo experienciando a Si mesmo na ausência de Deus, e então na presença de Deus. Na presença de Deus, há dois   Deuses. Na ausência de Deus não há nenhum Deus. Logo nenhum Deus é melhor que a presença de dois Deuses. Separação   não é tão bom quanto ausência de separação. A ausência de separação significa Deus em seu conforto predileto. Mas então porque há conforto, há desconforto, ambos vêm juntos. Não podes experienciar conforto sem seu oposto, desconforto. Sempre tens 50-50. Mas qual o problema?

Q: Nenhum problema. Há contradição em dizer ausência de conscientidade e então conscientidade querendo permanecer aí, mas conscientidade não é aí.

K: Não, conscientidade não quer ser aí, o querer acontece aleatoriamente. Não como querer desde um querer querendo. O querer acontece. A tendência acontece de novo para permanecer, e então a tendência te trás para fora da ausência. Ping-pong. Não é como se houvesse um que crê que é e decide o que quer. Assim fazes da conscientidade um objeto relativo, que quer algo. É um desamparo total da conscientidade. Só acontece! Shit happens!

Q: Então ausência e presença são partes da conscientidade?

K: Não são partes dela, são somente dois modos   diferentes de realizar ela mesma. Não são diferentes da conscientidade. Duas maneiras de sonhar ti mesmo. Uma não pode ser aí sozinha, se uma é a outra também está. Como a forma é aí, então a não-forma  , vazio  , é aí. Forma e sem-forma são aí. Nenhuma escapatória! A forma significa presença, e presença é experiência de separação, mas a experiência de separação não te separa e a experiência de unidade   não te faz uno. São só duas maneiras diferentes de realizar o-que-se-é. E ambas são mentiras. Pois o conforto não está nem no conforto nem no desconforto. O conforto é o-que-se-é. Isto nunca perdestes. Assim não ganhas conforto experienciando conforto e não o perdes em desconforto. O «eu» tem preferência de conforto ao invés de desconforto, mas isto não podes evitar, pois isto é chamado amor. Sempre queres ter um boa experiência com tua amada. Queres ter um experiência de unidade com tua amada e não a experiência de separação. Queres ser da maneira mais profunda em ti mesmo em unidade, mas não em separação. Assim o amor opera em toda parte.


Ver online : KARL RENZ