Página inicial > Imaginal > Crollius

Crollius

domingo 20 de março de 2022

      

Oswald Crollius
Oswald Croll, ou Crollius, era um médico paracelsista que, ao contrário de Libavius, adotou não apenas os medicamentos químicos paracelsistas, mas também todo o "background" do pensamento   de Paracelso  , rejeitando Aristóteles   e Galeno, e aderindo entusiasticamente ao misticismo  , à magia   e teorias harmônicas de ensinamento paracelsista como um todo. A Basílica Chymica de Croll, publicado em Frankfurt, 1609, constantemente cita com reverência Hermes   Trismegistus, e textos herméticos, estando essa obra imbuída de respeito pelos neo-platônicos da Renascença, tais como Pico delia Mirandola. Seu tema são as harmonias mágicas do macrocosmo e microcosmo, e todo o seu ambiente é semelhante ao que deveria ter sido altamente compatível com o dos autores dos manifestos rosa  -cruzes. Outro trabalho   de Croll, publicado em Praga, 1608, expõe a correlação paracelsista dos mundos, grande e pequeno, através da doutrina   das "assinaturas" astrais [1].

Por conseguinte, temos em Libavius e Croll representantes do "químico" ou alquimista, que é por tradição aristotélico e galénico em sua teoria  , contrastando com o radical, místico, alquimista paracelsista. Libavius classifica os manifestos rosa-cruzes como pertencendo, com Croll, a uma escola heterodoxa de noções alquímicas.

Ora, conforme mencionei antes, Oswald Croll esteve em contato com Christian de Anhalt, como seu médico. Sua Basílica é dedicada a ele, com o privilégio do Imperador Rodolfo II. Sua De signatura rerum   é dedicada a Peter Wok de Rozmberk, o nobre da Boêmia que era aliado íntimo de Anhalt e confederado, e cujo irmão   fora o protetor de Dee   na Boêmia. Associando os ensinamentos dos manifestos rosa-cruzes àqueles de Croll, Libavius estaria portanto insinuando que os manifestos pertenciam a um ambiente compatível com Anhalt, um ambiente no qual as influências de John Dee mesclavam-se com as de Croll.

E evidentemente, Anhalt era o espírito propulsor por trás da tradição "ativista" do Protestantismo Alemão, a tradição que estivera à procura de líderes durante toda a primeira metade do século, e que no momento (na ocasião os manifestos rosa-cruzes estavam realmente impressos), decidira-se por Frederico V, o Eleitor Palatino, como o líder destinado a chefiar o movimento   e levá-lo à vitória.



[1Oswald Croll, De signaturis internis rerum, Praga, 1608.