Página inicial > Oriente > Renz (F) – remover os obstáculos

Renz (F) – remover os obstáculos

quinta-feira 8 de setembro de 2022

    

1:11:15 Q: Remover os obstáculos que me fazem pensar   que já não sou   realizado?

K: Bela tentativa! Seria uma abordagem vedanta  . Por que não? Não me pergunte. Se queres remover os obstáculos, faça-o. Não quero te afastar deste trabalho  .

Q: Mas não é teu caminho  ?

K: Não tenho ideia do que é ou não é um caminho. A próxima experiência estará aí, eu gostando ou não dela. O próximo passo é o próximo passo. E o próximo gole de café é o próximo gole de café. E a próxima abordagem é a próxima abordagem. Somos como este artista da Coreia do Sul  . Ele colocou centenas de monitores de TV em uma parede e pôs um Buda   diante deles, em face   a uma infinidade de programas de TV. A gente é como este Buda que não pode decidir que programa ver, e que não tem controle remoto. E isto é tudo! E só pode dizer naquele programa tem um obstáculo   acontecendo, naquele outro programa as coisa funcionam, etc, etc.. E tudo isto junto é como um programa infinito   de que? Experiências que não fazem Isso-que-se-é mais ou menos o-que-é, e assim todos os obstáculos devem ser o-que-são. Removendo eles ou não. Por que não? Tente ao máximo.

Q: Sou muito preguiçoso...

K: Mas já te pedi que sejas a preguiça   do preguiçoso. Pois este seria teu estado   natural. Basta ser o que não podes não ser, esse Absoluto Vidente, que não está em nenhum destes programas. E não pode controlar nada. Ser o Todo  -poderoso mas não ter nenhum poder. Ser o Onipotente ele mesmo mas totalmente impotente para mudar   os programas. Mas aquele que pensa que é potente nestes programas e que pode mudá-los, deixe ele fazer o que ele quiser. Todos os fantasmas, sistemas de crenças, tentando se livrar de algo. Eles não têm nenhuma influência em Isso-que-se-é, nunca houve qualquer influência.

Q: Mas não estou particularmente ligado à ideia de mudar.

K: Mas mesmo dizer que nada há a mudar, seria um conceito diferente e um programa diferente. Mas para que hajam estes conceitos tens que ser este pré-senso   [pre-sense, trocadilho inglês com presence]. Para que estas sensações, sentidos, vibrações, possam ser, sem o pré-senso de Isso-que-se-é não haveria presença   disto. Esta inocência de Isso-que-se-é está realizando a si mesma na presença de todos os sentidos e sensações. Mas Isso-que-se-é não está envolvido em nada. Esta é a maneira que te realizas a ti mesmo, em todos os obstáculos e coisas. E Ramana   chama isto renúncia   da renúncia, pois sendo Isso-que-se-é renuncias as possibilidades de que jamais possas renunciar Isso-que-se-é, justamente por ser Isso-que-se-é. Por isso também devotar a devoção. Isso-que-se-é não é proprietário de nada, como podes devotar algo? É a devoção da devoção, ou renúncia da renúncia, apenas por ser Isso-que-se-é. Só por ser Isso-que-se-é, como Nisargadatta  , «eu sou isso». Isto é tudo. Mas não dando nomes e fazendo algo, mas apenas «eu sou isso que é o eu sou».


Ver online : KARL RENZ