Página inicial > Oriente > Renz (F) – não há realização pessoal

Renz (F) – não há realização pessoal

quinta-feira 8 de setembro de 2022

    

[37:01] Q: Sobre ser-o-que-se-é  , sobre o tipo de esforço para tal conceito.

K: Ramana   chama de «estado   natural».

Q: É confuso o que dissestes anteriormente sobre «nada realmente acontece», todavia quando Ramana teve sua experiência ainda jovem, houve alguma realização   e então ele realizou sua natureza original?

K: Não ele não realizou. Tudo foi retirado dele por uma experiência ficando apenas «Isso-que-resta». Que não pode ser modificado, diminuído, por nada, seja o corpo, o espírito  , com-ciência   (awareness). Tudo estava se retirando, mas ele ainda era Isso-que-se-é. isto, não é realizar sua verdadeira natureza, mas apenas ser-Isso-que-se-é.

Q: O que é isto para ele? O que é realizar sua verdadeira natureza para ele?

K: Não chame «realizar». Não é uma realização. Podes chamar Isso-que-é-sua-natureza-original, que é independente da presença   de corpo, espírito, ou com-ciência (awareness). Só restando Isso-que-é-assim-como-é. Conforme Jesus   quando foi crucificado, tudo lhe foi retirado, à força. Em Ramana se passou de outro modo. É sempre o mesmo, Isso-que-se-é é «Isso-que-resta».

Q: Dirias então que tem algo diferente, antes deste incidente? Ou depois deste incidente? A natureza realizou seu próprio si-mesmo? O que era diferente antes e depois deste instante  ?

K: Pode-se dizer que antes do incidente havia um sistema de crença que fazia diferença   entre o que sucedia. E depois do incidente não fazia mais diferença. Mas mesmo fazendo diferença antes, de fato não fazia a menor diferença. E agora que faz uma diferença, ainda assim não faz a menor diferença para Isso-que-se-é. Não é uma nova realização, está sempre aí. Foi, é e será o-que-se-é. Então não é uma nova realização. Não criou um «realizado». É o que diz próprio Ramana. Ramana não é um «realizado», é a natureza de Ramana, realidade sempre se realizando, e nunca precisa da realização de Ramana. Isto o que se aponta, não há nada de novo. Sua natureza já é agora e será como é. Não é como se te tornasses realizado. Não é tornar-se realizado e a realização desde então se tornou algo diferente. Não sempre foi como é.

Q: Ramana se deu conta do que aconteceu...

K: Não, queres fazer algo pessoal. Mas nunca é pessoal ou impessoal. É sempre a própria natureza de todos, como Isso que é vida ela mesma. Em uma pessoa   normal, um buscador  , há a experiência de um sistema de crença como uma ideia que Isso-que-se-é pode ser modificado por circunstâncias: pelo nascimento, nasces; pela morte, morres. Portanto, a experiência de Ramana foi que morrer   acontece. Mas Isso-que-se-é, foi antes, foi e será, esta experiência da morte. Portanto, a morte não pode lhe tocar. Isto não o faz não-nascido  , ou algo semelhante. Apenas que sua natureza não é dependente da existência, de maneira alguma. Mas não o fez um «realizado». Porque tu não és um «não-realizado», como te vejo. Para mim não és diferente de Ramana, em natureza. Então, mesmo que não saibas agora, ainda és Isso-que-és.

Q: Mas, o antes e o depois?

K: A diferença é que não há antes e depois para Isso-que-se-é. Esta é a diferença. E o que tem um antes e um depois é um fantasma. E ser Isso-que-se-é é ser apesar de, anterior   a, além de, este fantasma. Ser-Isso que não tem nem antes e nem depois. O fantasma tem um antes e um depois, sempre, uma estória. Mas Isso-que-se-é não tem nenhuma. Portanto, tua natureza nunca teve qualquer estória. Mas o que experiencias, o modo como te experiencias, tem uma estória. Mas apesar desta estória, se-é. Assim, apesar da experiência de nascer, do fantasma, existes absolutamente independente da presença ou ausência deste fantasma. Isto não como uma realização pessoal, isto sempre foi assim.

42:56


Ver online : KARL RENZ