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domingo 20 de março de 2022

    

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus  , e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. (Jo 1,1-Jo 1,2 - 2)


Filosofia (Excertos de «Les Notions philosophiques  », PUF 1990) Ao mesmo tempo princípio e ordem  , significações que se distanciam entre si no discurso histórico-político (ponto de partida do relato do historiador ou dos eventos relatados; magistratura exercida na cidade), mas não na investigação sobre a natureza, nem a filosofia: então Tucídides já distingue a arkhe   da guerra   do Peloponésio e sua causa  , Aristóteles define a filosofia como “conhecimento das primeiras arkhai (primeiros princípios) e causas” (Met A2, 982 b9). Ele engloba assim na história da filosofia as investigações pré-socráticas sobre os elementos  . Criticando seus predecessores de só terem tratado da causa material, ele estende a noção   de arkhe além daquela de elemento: mais que um constituinte material, acessível ou não à experiência, a arkhe é o princípio explicativo do devir. As quatro causas da teoria   aristotélica são assim quatro arkhai. A arkhe adquire um estatuto propriamente lógico, onde a questão dos princípios da realidade vem a se confundir com aquela dos princípios do raciocínio   sobre a realidade. Aristóteles nomeia assim arkhai os axiomas donde parte e que respeita necessariamente toda demonstração, o mais fundamental sendo o princípio de não-contradição, ao mesmo tempo regra   do discurso sensato e determinação dos entes (Met. Δ, 3 e 4).
Perenialistas René Guénon: Guenon Grão   de Mostarda - O GRÃO DE MOSTARDA Para melhor compreender essa relação entre o germe do coração   e Semente de Mostarda, é preciso nos reportarmos em primeiro lugar à doutrina hindu, que dá ao coração, enquanto centro   do ser, o nome de «cidade divina» (Brahma  -Pura) e, o que é notável, aplica à «cidade divina» expressões idênticas a algumas empregadas no Apocalipse   para descrever a «Jerusalém Celeste». [1] O Princípio divino, na medida em que reside no centro do ser, é muitas vezes designado simbolicamente como o «Éter - éter   no coração», elemento primordial do qual procedem todos os demais que são naturalmente tomados para representar o Princípio. O éter (akasha) é a mesma coisa que o avir hebraico, de cujo mistério brota a luz   (aor) que realiza a extensão   pela sua irradiação no exterior, [2] «fazendo do vazio   (thohú) alguma coisa e do que não era o que é», [3] enquanto que, por uma concentração correlativa a essa expressão   luminosa, resta o iod no interior do coração, isto é, «o ponto oculto que se tornou manifesto  », um em três e três em um. [4] Mas, no momento, deixaremos de lado esse ponto de vista cosmogônico, para nos dedicarmos de preferência ao ponto de vista que diz respeito a um ser em particular, como é o caso do ser humano  , tomando o cuidado de notar que existe entre esses dois   pontos de vista, macrocósmico e microcósmico, uma correspondência analógica em virtude da qual é sempre possível a transposição de um para o outro.

[1Cf. Guenon Vedanta - L’Homme et son devenir selon le Vêdânta, cap. III.

[2Cf. Guenon Reino da Quantidade - Le Règne de la quantité et les signes des temps, cap. III.

[3É o Fiat Lux (Yehi Aor) do Gênesis, primeira afirmação do Verbo Divino na obra da criação; vibração inicial que abre o caminho para o desenvolvimento das possibilidades contidas potencialmente, em estado «informe e vazio» (thohû va-bohû), no caos original (cf. Guenon Apreciações Iniciação - Aperçus sur l’Initiation, cap. XLVI).

[4Cf. Guenon Simbolismo Cruz - Le Symbolisme de la Croix, cap. IV.