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Schopenhauer (2005:413-414) – o relógio da vida humana

mardi 14 janvier 2020

Tudo o que essa consideração pretendia deixar claro, a saber?, a impossibilidade? de alcançamento da satisfação? duradoura, bem? como a negatividade? de qualquer estado? feliz, encontra sua explanação no que foi mostrado na conclusão do livro segundo, ou seja, que a Vontade?, cuja objetivação? é tanto a vida? humana quanto qualquer outro? fenômeno?, é um? esforço? sem alvo e interminável. Essa marca da ausência? de fim? está impressa em cada parte? de todos os fenômenos da Vontade, desde a sua forma? mais universal?, tempo? e espaço? infindos, até o mais acabado de todos eles, a vida e a labuta do homem?. — Pode-se teoricamente tomar três extremos da vida humana e os considerar como elementos? da vida humana real?. Primeiro, o querer violento, as grandes paixões (Raja-Guna?) que aparecem nos grandes caracteres? históricos, descritos em épicos e dramas, e que também podem mostrar-se em formato reduzido, pois a grandeza? dos objetos é aqui medida? apenas segundo o grau? com que excitam a Vontade, não? segundo suas proporções exteriores. Segundo, o puro? conhecer, a apreensão? das Ideias? condicionada pela liberação do conhecimento? a serviço da Vontade : a vida do gênio? (Satua-Guna). Por fim, em último?, a grande letargia da Vontade e o conhecimento a ela associado, o anelar vazio?, tédio? petrificante (Tama-Guna). A vida do indivíduo?, muito distante de deter-se nesses extremos, raramente os toca e na maioria das vezes é uma aproximação fraca e oscilante de um ou outro, um querer sedento de pequenos objetos, sempre a retornar, e assim afugentando o tédio. — É realmente inacreditável o quanto a vida da maioria dos homens, quando vista do exterior?, decorre insignificante, vazia de sentido? e, quando percebida no seu interior, decorre de maneira tosca e irrefletida. Trata-se de um anseio e tormento obscuro?, um vaguear sonolento pelas quatro idades da vida em direção à morte?, acompanhado por uma série? de pensamentos? triviais. Assemelham-se a relógios aos quais se deu corda e funcionam sem saber por quê. Todas as vezes que um homem é gerado e nasce, o relógio da vida humana novamente recebe corda, para mais uma vez repetir o seu estribilho inúmeras vezes tocado : frase por frase, medida por medida, com insignificantes variações. — Todo? indivíduo, todo rosto humano e seu decurso de vida é apenas um sonho? curto a mais do espírito? infinito? da natureza?, da permanente Vontade de vida ; é apenas um esboço fugidio a mais traçado por ela em sua folha de desenho infinita, ou seja, espaço e tempo, esboço que existe ali por um mero instante? se for comparado a ela e depois é apagado, cedendo lugar? a outro. Contudo, e aqui reside o lado sério da vida, cada um desses esboços fugidios, desses contornos vazios, tem de ser? pago com toda a Vontade de vida em sua plena veemência, mediante muitas e profundas dores e, ao fim, com uma amarga morte, longamente temida e que finalmente entra em cena. Eis por que a visão? de um cadáver nos torna de súbito graves.


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