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Renz (B:20-07-2018) – Podemos nos livrar desta estória?

quinta-feira 8 de setembro de 2022

    

tradução

P [Outro visitante]: É possível deixar de acreditar neste eu?

K: Não. Você não pode parar de acreditar. Se você parar de acreditar, você acredita em não acreditar. Você sempre acredita.

P: Podemos nos livrar desta estória de merda?

K: Você não pode se livrar da besteira porque você se percebe como besteira. A realização   do chit   é uma merda. Você tem que dizer que a natureza da ignorância é o conhecimento. O coração   da ignorância e o coração do conhecimento não são diferentes. A essência   da ignorância é a mesma que a essência do conhecimento. Então, não há nada de errado com a ignorância.

P: Os pensamentos de ’eu’ sempre mudam...

K: É por isso que digo que você não pode confiar em si mesmo  .

P: Mas eu ainda acredito nesse ’eu’...

K: Por que não? O amor é o seu problema. Você não acredita nesse ’eu’, você ama esse ’eu’. Você se apaixona por essa imagem de si mesmo. Essa é a raiz de todo sofrimento   que você está apaixonado por si mesmo. E porque você ama a si mesmo, você acredita em si mesmo. É tudo eu, eu, eu. Você não pode evitar. Como não se amar  ? Tente. Por que você não se ama? Porque você tem a ideia de que não se amar é melhor do que se amar. Mas então tentar não amar a si mesmo é novamente por amor, porque você sempre quer o melhor para si mesmo.

P: Eu não me importo...

K: Mas para não se importar, você tem que se importar que você não se importa. Você acha que não se importar é melhor do que se importar. Agora você tenta a técnica   de não se importar para ver se não se importar funciona. Mas mesmo não se importar não funciona porque você ainda se importa consigo mesmo. Você não pode escapar   do relacionamento de amor consigo mesmo, seja o que for que tente.

P: Ramana   disse que você não pode se livrar da raiz do pensamento   ’eu’...

K: Você não pode matar o fantasma. Você é apesar do fantasma e não porque o fantasma se foi.

P: Parece uma ideia forte  ...

K: Não é forte. Você não pode matá-lo porque ele não tem existência. Se realmente existisse, seria fácil de matar. Mas sua força é que ele nem existe.

P: Eu entendo, mas...

K: Não ajuda  , graças a Deus  ! E não estou aqui para ajudar. Falo ao Eu-sou   que não precisa de ajuda. Eu não quero ajudar, nem mesmo por uma única frase. Foda-se! [Risos] Não tenho interesse  . Qual seria meu interesse? Agora mudou-se da percepção pessoal para a percepção impessoal. Oh Deus! Eu sou um bom mestre. Eu transmiti um pouco de energia e agora se é capaz de entender um pouco mais. Há, há, há!

P: Mas você só precisa disso...

K: Quem precisa disso?

P: Não sei, mas acontece...

K: Sempre esse bastardo necessitado que sempre precisa de algo. Nunca é suficiente, nunca está satisfeito, nunca é elevado o suficiente, a verdade nunca é verdadeira o suficiente, a realização nunca é real o suficiente. Sempre duvidar. Este “eu” duvidoso sempre duvidará do que você perceber, do que quer que você consiga. Nunca é o bastante. Esta besta   faminta ’eu’ nunca pode ser satisfeita por nada.

P: Você vê ’eu’; você não pode parar com isto?

K: Mas não estou falando com esse “eu”. Você só pode pará-lo quando se é o que se é. Mas não por mim   ajudando você. Besteira! Foda-se ’eu’. Ainda se quer uma vantagem como pessoa, não tendo ’eu’ e eu dou a mínima para o ’eu’. De uma pessoa com ’eu’, quero ser uma pessoa sem o ’eu’, o não-eu. Então você talvez dê um satsang. [Risos] “Não existe ’eu’, eu venci meu ’eu’, eu venci meu ego, não existe ’eu’, eu vi isso claramente. Entrei na ausência no vazio   e não havia ‘eu’.” Mas quem viu que não havia ‘eu’? «Eu vi!» Esse é o “eu” oculto.

P: De novo ’eu’?

K: Sim. Você não pode se livrar dessa besta fantasma. Sempre vai te enganar. Na Índia há uma história. No começo alguém é um ladrão e depois finge ser um policial que diz que vai cuidar do ladrão. Isto é como esta pequena besta de conscientidade [consciousness]. Torna-se um guru que lhe diz que pode ajudá-lo, eliminar seu ego. O não ’eu’ é o maior ’eu’. É um “eu” oculto. Muito bem escondido. É maior do que o outro eu. [Risada]

Eu coloco você na crueldade e descuido do que se é por ser descuidado com você – total descuido falando com descuido e não tentando ajudar esse ’eu’ de merda dentro de você que está sempre sofrendo e carente chupando as tetas da existência. Esse otário aí. Então ele pensa que talvez se eu não chupar, então o otário pode ir embora sozinho. Há, há, há! ‘Agora estou de dieta. Eu não vou mais ao satsang. Eu aceito como é, eu não presto mais. O otário que não suga. Sempre soa bem. Não preciso mais de nada. Não chupo mais, não preciso de teta.” É sempre olho por olho. Então eu vou para o ashram de Atithi.

P: Não estou satisfeito com sua resposta  ...

K: Você acha que eu me importo? Ouça essa arrogância. ’Não estou satisfeito!’

P: Onde é a saída?

K: Quantas vezes eu disse que não há saída. Quantas vezes eu disse isso? Mais do que qualquer outra coisa, eu digo que não há saída. E a única saída Absoluta não vendo saída é ser o que se é e não se pode deixar de ser o que se é. Não há como deixar de ser o que se é e se é Aquilo. O que mais se pode ser? Isso é o melhor que se pode obter. Ser o que se é, não se pode deixar de ser o que se é – isso é tudo. É-se a Realidade que não se pode deixar de ser a Realidade. É-se o que é a natureza que não pode deixar de ser a natureza e a natureza é se realizando nessa bobagem artificial. Não se pode se realizar como Natureza. Só se pode se perceber como besteira artificial. A arte que se é só se pode experienciar artificialmente. É tudo artificial. Mas a arte que se é é Coração, mas o coração só pode experienciar a si mesmo artificialmente. Mas nunca como arte ou coração. Mãe   do Céu...

Onde está a saída? Tome um comprimido! [Risada]

Original

Q [Another visitor]: Is it possible to stop believing in this me?

K: No. You cannot stop believing. If you stop believing, you believe in not believing. You always believe.

Q: Can we get rid of this bullshit story?

K: You cannot get rid of bullshit because you realize yourself as bullshit. The realization of chit is shit. You have to say that the nature of ignorance is knowledge. The heart of ignorance and heart of knowledge is not different. The essence of ignorance is the same as the essence of knowledge. So, there’s nothing wrong about ignorance.

Q: The thoughts of ‘me’ always change...

K: That’s why I say you cannot trust yourself.

Q: But I still believe in this ‘me’...

K: Why not? Love is your issue. You don’t believe in this ‘me’, you love this ‘me’. You fall in love with this image of yourself. That’s the root of all suffering that you’re in love with yourself. And because you love yourself, you believe in yourself. It’s all me, me, me. You cannot help it. How can you not love yourself? Try. Why would you not love yourself? Because you have an idea   that not loving yourself is better than loving yourself. But then trying to not love yourself is again out of love because you always want the best for yourself.

Q: I don’t care...

K: But to not care, you have to care that you don’t care. You think not caring is better than caring. You now try the technique of not caring to see if not caring works. But even not caring doesn’t work because you still care about yourself. You cannot escape the love relationship with yourself, by whatever you try.

Q: Ramana said you cannot get rid of the root thought ‘I’...

K: You cannot kill the phantom. You’re in spite of the phantom and not because that the phantom is gone.

Q: It seems like a strong idea...

K: It’s not strong. You cannot kill it because it has no existence. If it would really exist, it would be easy to kill. But its strength is that it doesn’t even exist.

Q: I understand it but...

K: It doesn’t help, thank God! And I’m not here to help you. I talk to what I am that doesn’t need any help. I don’t want to help you, not even by a single sentence. Fuck you! [Laughter] I have no interest. What would be my interest? Now she’s shifted from personal perception to the impersonal perception. Oh God! I’m a good teacher. I transmitted some energy and now she’s able to understand a bit more. Ha, ha, ha!

Q: But you just need it...

K: Who needs it?

Q: I don’t know but it happens...

K: Always this needy bastard inside that always needs something. It’s never enough, it’s never satisfied, it’s never high enough, the truth is never true enough, the realization is never real enough. It’s always doubting. This doubtful ‘I’ will always doubt whatever you realize, whatever you achieve. It’s never enough. This hungry bullshit ‘me’ can never be satisfied by anything.

Q: You see ‘me’; can’t you stop it?

K: But I’m not talking to this ‘me’. You can only stop it when you are what you are. But not by me helping you. Bullshit! Fucking ‘me’. She still wants an advantage as a person, having no ‘me’ and I give a fuck about the ‘me’. From a person with ‘me’, I want to be a person without the ‘me’, the no-me. Then you maybe give a satsang . [Laughter] “There’s no ‘me’, I overcame my ‘me’, I overcame my ego, there’s no ‘me’, I saw that clearly. I went into the absence into the void and there was no ‘me’.” But who saw that there was no ‘me’? “I saw it!” That’s the hidden ‘me’.

Q: Again ‘I’?

K: Yeah. You cannot get rid of that phantom bullshitter. He will always bullshit you. In India there’s a story. At first there’s a thief   and then he pretends to be a policeman who says he’ll take care of the thief. That’s like this little consciousness bullshit. It becomes a guru who tells you that I can help you, I will take your ego away. The no ‘me’ is the biggest ‘me’. It’s a hidden ‘me’. Very well   hidden. It’s bigger than the other me’s. [Laughter]

I put you into the ruthlessness and carelessness of what you are by being careless with you – total carelessness talking to carelessness and not by trying to help this bullshit ‘me’ inside you who’s always suffering and needy sucking on the tits of existence. This little sucker there. Then he thinks maybe if I don’t suck then the sucker may go away by itself. Ha, ha, ha! ‘Now I’m on a diet. I don’t go to satsang anymore. I accept as it is, I don’t suck anymore. The non-sucking sucker. It sounds always good. I don’t need anything anymore. I don’t suck anymore, I don’t need any tit.’ It’s always a tit for tat. Then I go to atithi ashram.

Q: I’m not satisfied with your answer...

K: Do you think I care? Listen to that arrogance. ‘I’m not satisfied!’

Q: Where is the way out?

K: How many time I have said that there’s no way out. How many times did I say that? More than anything else I say that there’s no way out. And the only Absolute way out by seeing no way out is by being what you are and you cannot leave what you are. There’s no way out of being what you are and you are That. What else can you be? That’s the best you cannot get. Being that what is, you cannot leave that what is – that’s all. You are Reality that cannot leave Reality. You’re that what is nature who cannot leave nature and nature is realizing itself in this artificial bullshit. It cannot realize itself as Nature. It can only realize itself as artificial bullshit. The art you are can only experience itself artificially. It’s all artificial. But the art you are is Heart but the heart can only artificially experience itself. But never itself as art or heart. Mama mia...

Where is the way out? Take a pill! [Laughter]


Ver online : KARL RENZ