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Pla (HTDV) – «espírito de adoção»

quinta-feira 18 de agosto de 2022

    

A “adoção” explicada por Paulo Apóstolo   não implica, nem poderia implicar, duas categorias   ou modos   de ser “filho de Deus”: um modo que consiste em ser “filho  ” preexistente, desde o princípio, e outro, cuja obra é chegar a ser “filho” a partir de ser cizânia. Mas o título de filho de Deus   só é verdadeiro enquanto se ajusta em todo à preexistência do Pai, pois exige a unidade   de natureza na eternidade  . A natureza é sempre irrenunciável. Por isso não é possível em seu sentido estrito a filiação nova, nem é possível a pluralidade de filhos de Deus, pois são um na unidade do Pai.

  • Portanto, irmãos, somos devedores, não à carne   para vivermos segundo a carne; porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer  ; mas, se pelo Espírito   mortificardes as obras do corpo, vivereis. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus; e, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo  ; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. (Rom 8,12-17)

A quem está reservada a adoção, a quem cabe a possibilidade de “adotar” em liberdade de decisão   sua filiação a respeito de Deus, é à alma   do homem  , a qual só quando descobre o espírito que é a essência   de si mesma, se faz “uma” com ele na filiação eterna, preexistente, do espírito, ainda que não sem antes ter queimado a alma toda a cizânia que entorpecia tal decisão.

Em outras apalavras, é possível dizer que é a ausência de conhecimento de nossa filiação a que nos relega a comportamento   de não ser filho de Deus  . Em verdade, não somos “filho” enquanto não reconhecemos que o somos; mas uma vez obtido o testemunho do Espírito, nos é possível “adotar” o fato de ser “filho” de Deus segundo o Espírito, pois o erro   se dissipa e a realidade ontológica de ser “filho” de Deus desde o princípio, é então recuperada.

Esta realidade “reconquistada” de ser filho de Deus no espírito ungido  , Cristo interior, preexistente, a descreve paulo em si mesmo  , em sua própria experiência, que consiste em uma negação de si mesmo que ao princípio assemelha ser um nada interior, um vazio   de ser, mas que em realidade não é outra coisa que abrir as portas da alma para que nasça nela o ungido, o filho de Deus vivo, que estava próximo, muito próximo.

Paulo explica este mistério assim: “Vivo, mas não eu, senão que é Cristo que vive em mim  ”. [Roberto Pla  , Evangelho de Tomé - Logion 10]


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