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Renz (UNN:20-06-2007) – felicidade - tristeza

quinta-feira 8 de setembro de 2022

    

tradução

Q [Outro visitante]: E a felicidade  ?

K: Eu gosto. [Risos] Que tipo de felicidade você pode ter; qual seria a sua felicidade? Imagina que haveria alguém que pudesse ter felicidade – ‘minha’ felicidade.

Q: Paz  ?

K: Não. Isto seria um inferno porque então haveria alguém que tem paz e todos os outros ficariam com inveja   disto. Então se tem que comprar dele porque ele não quer compartilhar. Isto seria bem holandês, vender felicidade. Então se vende miligramas de totalidade – como haxixe. [Risos] Imagina que se teria paz, se teria medo de perdê-la novamente. Imagina que se poderia ganhar a felicidade que seria a sua felicidade, então se teme que um dia ela se vá novamente. Então, mesmo na felicidade que se pode possuir, há infelicidade porque já se pode imaginar que um dia ela se vá novamente. Quando se experiencia algo, imediatamente se imagina que isto desapareceria amanhã. É tão frágil. E já se teme isto. Portanto, não há felicidade na felicidade. Ainda é infelicidade.

Tudo o que se pode possuir, tudo o que se pode ganhar, tudo o que se pode ter, traz um medo de perdê-lo. Então, já é infeliz. Eu simplesmente esqueceria a felicidade e seria o que se é, que não sabe e não precisa ser feliz para ser o que se é. Para que se possa chamar a felicidade de ’se é’. Mas esta felicidade não é algo que se pode possuir. Então, não será a sua felicidade de qualquer maneira. Esqueça a ideia de felicidade; esqueça a ideia de Deus  , a verdade – se puder. Largue o conta-gotas, largue a gota e seja o que não se pode não se ser. Nisso há silêncio  , que é a própria paz que nunca precisa de nada para ser o que se é. E nada além de ser o que se é o deixaria absolutamente satisfeito.

Nada mais, nenhuma ideia relativa de felicidade ou infelicidade ou salvação   ou o que quer que se possa imaginar pode deixá-lo satisfeito. Apenas para ser, o próprio Sat, a própria satisfação; e isso é nunca-nunca. Nunca precisa de mais ou menos de qualquer tipo de experiência imaginária de merda de qualquer coisa que se possa experienciar.

Seja o que não se pode deixar de se ser e isso é a própria felicidade, que não conhece nenhuma felicidade e não possui a felicidade. É felicidade, é conhecimento. Mas não pode ser propriedade de ninguém – nem sua nem de qualquer outro. Sua assim chamada natureza de Buda   [Buda-natura  ] nunca veio de nada. É-se o mais tímido dos tímidos. Nunca aparece-se. O que se é nunca apareceu como algo.

Q [Outro visitante]: E a tristeza  ?

K: Se se é a própria tristeza, não há ninguém triste. Quando se é isso que é ignorância, não há ninguém que seja ignorante. Se se é aquilo que é o que quer que seja, se é Aquilo; e Naquilo não há sofrimento  . Somente por se tê-lo, há um sofredor. O possuidor é o sofredor, a posse é o sofrimento. A posse Absoluta é ser o que se é. Nisso não há segundo e sem segundo não há possibilidade de sofrimento. É por isso que é chamado de Advaita  . Advaita é a ausência   da segunda edição da existência e sem uma segunda edição da existência, não há existência que possa sofrer consigo mesma. Para sofrer, precisa de dois   – uma existência sofrendo sobre a segunda existência, isso é tudo.

Q: Para a felicidade relativa, são necessários dois?

K: Para a infelicidade, que é felicidade relativa, são necessários dois. Precisa de alguém que possa ser feliz ou infeliz. O conhecedor relativo, tudo o que ele sabe é conhecimento relativo. E o conhecimento relativo não pode satisfazer aquilo que é Conhecimento. Unicamente ser isso que é o Conhecimento é a satisfação do conhecimento.

Original

Q [Another visitor]: What about happiness?

K: I like it. [Laughter] What kind of happiness would it be that you can have; which would be your happiness? Imagine there would be someone who can have happiness – ‘my’ happiness.

Q: Peace?

K: No. That would be hell because then there would be someone who has peace and everyone else would be jealous about it. Then you have to buy it from him because he doesn’t want to share it. That would be really Dutch, selling happiness. Then you sell milligrams of totality – like hashish. [Laughter] Imagine you would have peace, you would fear to lose it again. Imagine you could gain happiness which would be your happiness, then you fear that one day it would be gone again. So, even in the happiness that you can own, there is unhappiness because you can already imagine that one day it would be gone again. When you experience, immediately you imagine that it would be gone tomorrow. It’s so fragile. And you already fear that. So, there is no happiness in happiness. It’s still unhappiness.

Whatever you can own, whatever you can gain, whatever you can have, there is a fear of losing it. So, it’s already unhappy. I would just forget happiness and be what-you-are, which doesn’t know and doesn’t need to be happy to be what-it-is. That you may call the happiness ‘you are’. But that happiness is not something you can own. So, it will not be your happiness anyway. Forget the idea   of happiness; forget the idea of God, truth – if you can. Drop the dropper, drop the dropping and be what-you-cannot-not-be. In that there is silence, which is peace itself which never needs anything to be what-it-is. And nothing else other than being what-you-are would make you absolutely satisfied.

Nothing else, not any relative idea of happiness or unhappiness or salvation or whatever you can imagine can make you satisfied. Only to be Sat itself, satisfaction itself; and that is never-never. Never needs more or less of any kind of imaginary bullshit experience of whatever you can experience.

Be what you cannot not be and that is happiness itself, that doesn’t know any happiness and doesn’t own happiness. It is happiness, it is knowledge. But it cannot be owned by anyone – neither by yourself or anyone else. Your so-called Buddha nature never went out of anything. You are the shyest of the shy. You never showed up. What-you-are never showed up as anything.

Q [Another visitor]: What about sadness?

K: If you are sadness itself, there is no one who is sad. When you are that what is ignorance, there is no one who is ignorant. If you are that which is whatever, you are That; and in That there is no suffering. Only by your having it, there is a sufferer. The owner is the sufferer, the ownership is suffering. The Absolute ownership is being what-is. In that there is no second and without a second, there is no possibility of suffering. That’s why it’s called as Advaita. Advaita is the absence of the second edition of existence and without a second edition of existence, there is no existence that can suffer about itself. For suffering, it needs two – one existence suffering about the second existence, that’s all.

Q: For the relative happiness, does it need two?

K: For unhappiness, which is relative happiness, it needs two. It needs one who can be happy or unhappy. The relative knower, whatever he knows is relative knowledge. And relative knowledge cannot satisfy that what is Knowledge. And only to be that what is Knowledge is the satisfaction of knowledge.


Ver online : KARL RENZ