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Renz (B) – De onde vem a personalidade?

quinta-feira 8 de setembro de 2022

    

tradução

Q: De onde vem a personalidade?

K: Não me pergunte, eu não preciso saber.

Q: Você tem personalidade?

K: Não sei! Alguns dizem que é muito forte  . [Risos] Se você me perguntar, não se trata de ter uma; é apenas aí.

Q: É uma personalidade alemã...

K: Não consegui me livrar do germe, estou infectado. Germes e germes e germes. É tudo uma questão de posse. O que você é não possui nada; o que você é é o que quer que seja. Não há posse nisto. Você é o dono absoluto da existência porque você é a existência  . Mas você não precisa conhecer isto. Apenas por ser o que você é, você é o dono de tudo porque você é tudo e nada. Você é a presença  , você é a ausência, você é o que é anterior  , você é o que é além. Você é Isso [Tat tvam asi  ] – pronto! Apenas existe um ser e não existe um segundo ser. Isto é tudo, isto é não-dualidade  .

Como você existe, você é Isso que é a existência. Como não há uma segunda edição da existência, você é Isso que é a existência – pronto. É mais fácil de entender, vamos lá. Você não pode apossar-se. Você quer ser especial e por isso você tem que sofrer   e você está destinado a sofrer tentando ser especial, estar apartado  , muito aparte. Porque não sou iluminado, sou especial porque há alguém que é iluminado. Você vive das diferenças. Estou sofrendo mais do que você. Estou em uma competição de sofredores e meu guru é melhor que o seu.

Q: Isto é personalidade?

K: Isto é competição – competir consigo mesmo. É como uma olimpíada, quem está mais doente que o outro? Quem busca mais fundo? Quem está procurando a coisa certa? Quem está procurando a verdade e quem está procurando um Mercedes Benz? O buscador   da verdade é muito arrogante – Você procura matéria, eu procuro espírito  . Você não pode encontrar pessoas mais arrogantes como em buscadores.

Q: E meu ensinamento é o mais elevado...

K: E meu guru é o mais avançado e há tanta shakti   e há tanto shanti – puta merda! Competindo o tempo todo. Até os gurus competem! Quem é mais realizado? O despertar   é o começo, depois vem a iluminação  . Existem até passos de gurus. Depois, há o sadguru que está além da realização  . Oooh... Ramana   Sadguru. Existem até níveis. Há uma professora da escola, depois a mãe  , depois o ensino médio  , depois vem o guru; a última porta   do seu verdadeiro ser. Que divertido! Não é divertido?

É por isso que digo que quando os religiosos vão lá em cima eles olham para trás e começam a rir de todos os degraus. Quando estão lá em cima, sabem que já estão lá o que estão lá em cima antes mesmo de começarem. Mas talvez você ainda tenha que ir até lá. O que você é nunca mudou enquanto estar lá em cima, enquanto estar aqui embaixo. Este pequeno ah. Mas mesmo isso vai desaparecer novamente. Você conhece esse jogo  . É como empurrar a pedra   da iluminação montanha   acima. Você empurra a pedra montanha acima e depois relaxa. Então automaticamente a pedra rola para baixo. Então v. desce e diz que vai puxá-la de volta com todo o esforço. Quando está lá em cima, não se diverte e apenas tenta manter a pedra lá em cima. Isso é como ficar em com-ciência   [awareness] em vipasanna. ‘Vou ficar nesta com-ciência, vou ficar na com-ciência, não vou desistir, não vou ser preguiçoso, vou apenas manter a com-ciência viva. Vigilância  , alerta está em meu ser.” Então, um momento sem alerta e a pedra rola novamente. Você falha novamente. Essa é a natureza do fracasso.

Os tao  ístas dizem que você pode alcançar a com-ciência por muito tempo porque não há tempo para a com-ciência. Por qualquer intenção  , você acabaria de novo neste mercado da vida. E nenhum tempo passa durante isto; você está com tanta sede quanto antes. Então você começa de novo, passo a passo, mudando sua percepção para o estágio primeiro, para o segundo, para o terceiro e para o quarto, para o samadhi  .

Yama   é o professor. Yama lhe diz permanentemente que nada é permanente. Este é o ensinamento de Yama – o deus   da morte. O ensino permanente do impermanente. Mas isto ajuda  ? Não.

Q [Outro visitante]: Então você está de volta ao esforço...

K: Você não pode evitar. Por amor você se concentra novamente, você toma a pedra novamente. Você acha que quando a toma, cumpre seu dever   e fica satisfeito com o que fez. Então, você tenta se satisfazer empurrando a pedra. Quando chega lá, está satisfeito consigo mesmo. Mas ainda há um eu. É assim que este filme é feito – subindo e descendo o morro. Você não pode evitar; você quer agradar a si mesmo  . Por amor a si mesmo, você quer agradar a si mesmo. O maior prazer a si mesmo é se realizar. Mas você nunca se realizará porque não existem dois eus. Mas ao tentar agradar a si mesmo, você tenta o seu melhor e não consegue parar. Isso é conscientidade [consciousness], tentando agradar a si mesma – permanentemente. Mas nunca será um prazer final. Você nunca perceberá sua verdadeira natureza. O que é o Eu   nunca conhecerá o Eu, mas você tenta. Como você pode não tentar agradar a si mesmo – por amor a si mesmo – permanentemente? Você vai falhar. Buda   falhou, Ramana falhou, todos fracassos.

Como disse, os chamados mestres falham permanentemente e os alunos falham às vezes. E eles gostam do fracasso. É por isso que digo que você aproveite o fracasso, aproveite o não conhecer. Você nunca vai desfrutar do sucesso. Você nunca terá sucesso, caso contrário você se tornará um alguém de sucesso que suga seu sucesso. Todas as pessoas que afirmam que conseguiram, que perceberam sua verdadeira natureza. Eles são otários para o sucesso – eu consegui!

Um jñāni que sabe ser um jñāni com certeza   não é um jñāni. A natureza de jñāni é jñāna – conhecimento. No conhecimento não há dono. E um jñāni que se conhece como jñāni não é um jñāni. O realizado que se conhece como realizado com certeza não é real.

Q [Outro visitante]: Tem uma história que você bate na porta e percebe que já está em...

K: É como um hotel com uma porta giratória. Não vai para o outro lado; está entrando e saindo novamente. Você dá a volta e está de volta, isso se chama renascimento.

Há uma bela história sobre um membro da Ku   Klux Klan do Texas que morre e chega ao céu e descobre que Pedro   é um negro. [Risos] O que ele faria? O que você diria? Ele iria para o céu apesar de encontrar o negro? Ele pode aceitar  ?

Original

Q: From where does personality come from?

K: Don’t ask me, I don’t need to know.

Q: Do you have a personality?

K: I don’t know! Some say it’s quite strong. [Laughter] If you ask me, it’s not about having one; it’s just there.

Q: It’s a German personality...

K: I could not get rid of the germ, I’m infected. Germs and germs and germs. It’s all about ownership. What you are doesn’t own anything; what-you-are is whatever is. There’s no ownership in that. You’re the Absolute owner of existence because you are existence. But you don’t have to know that. Just by being what you are, you are that what owns everything because you are everything and nothing. You are the presence, you are the absence, you are that what is prior, you are that what is beyond. You are That – finished! Just that there is a being and there’s no second being. That’s all, that’s non-duality  .

As you exist, you are that what is existence. As there’s no second edition of existence, you are that what is existence – finished. It’s easiest to understand, come on. That you cannot take it. You want to be special and by that you have to suffer and you’re meant to suffer by trying to be special, to be apart, very apart. Because I’m unenlightened, I’m special because there’s someone else who’s enlightened. You live from differences. I’m suffering more than you. I’m in a competition of sufferers and my guru is better than yours.

Q: Is that personality?

K: That’s competition – competing with yourself. It’s like an Olympic games, who’s sicker than the other one? Who seeks deeper? Who’s seeking the right thing? Who’s seeking truth and who’s seeking Mercedes Benz? The seeker of truth is very arrogant – You seek matter, I seek spirit. You cannot find more arrogant people as in seekers.

Q: And my teaching is the highest...

K: And my guru is the highest and there’s so much shakti and there’s so much shanti – holy shit! Competing all the time. Even the gurus compete! Who’s more realized? Awakening   is the beginning, then comes enlightenment. There are even steps of gurus. Then there’s sadguru who’s beyond realization. Oooh... Ramana Sadguru. There are even levels. There’s a school teacher, then mother, then high school, then comes the guru; the last door of your true being. What fun! Isn’t it fun?

That’s why I say when the religious persons go up there then they look back and start laughing about all the steps. When they’re up there they know that they’re already there what’s up there even before they started. But maybe you still have to go up there. What you are never changed as being up there as being down here. This little aha . But even that will go away again. You know that game. It’s like pulling up the stone of enlightenment up the mountain. You pull the stone up the mountain and then you relax. Then automatically the stone rolls down. So he goes   down and says I’ll pull it back up with all my effort. When I’m up there, I don’t enjoy myself and I just try to keep the stone up there. That’s like staying in awareness in vipasanna . ‘I will stay in awareness, I will stay in awareness, I will not give up, I will not be sluggish, I will just keep the awareness alive. Vigilance, alertness is in my being.’ Then one moment without alertness and the stone rolls down again. You fail again. That’s the nature of failing.

The Taoists say, you can reach awareness for a very long time because there’s not even time in awareness. By whatever intention, you would end up in this market place of life. And no time passes during that; you are as thirsty as before. Then you start again, step by step, shifting your perception to the first, to the second, to the third and to the fourth, to the samadhi .

Yama is the teacher. Yama tells you permanently that nothing is permanent. That’s the teaching of Yama – the god of death. The permanent teaching of the impermanent. But does it help? No.

Q [Another visitor]: Then you’re back in effort...

K: You cannot help it. Out of love you focus again, you put the stone up again. You think when I put it up, I fulfil my duty and I would be satisfied by what I’ve done. So, you try to satisfy yourself by rolling up the stone. When I make it up there then I’m satisfied with myself. But there’s still a self. That’s the way this movie is made – up and down the hill. You cannot help it; you want to please yourself. Out of love for yourself you want to please yourself. The biggest pleasing yourself is realizing yourself. But you will never realize yourself because there are no two selves. But out of trying to please yourself, you try all your best and you cannot stop it. That’s consciousness, trying to please itself – permanently. But it will never be a final pleasing. You will never realize your true nature. That what is the Self will never know the Self, but you try. How can you not try to please yourself – out of love for yourself – permanently? You will fail. Buddha failed, Ramana failed, all failures.

As I said, the so-called masters fail permanently and the students fail sometimes. And they enjoy the failing. That’s why I tell you enjoy the failing, enjoy the not knowing. You will never enjoy the success. You will never succeed otherwise you become a successor who sucks on its success. All the people who claim that they made it, that they realized their fucking true nature. They are suckers for successes – I made it!

A jñāni who knows to be a jñāni is for sure not a jñāni . The nature of jñāni is jñāna – knowledge. In knowledge there’s no owner. And a jñāni who knows himself as jñāni is not a jñāni . The realized one who knows himself as a realized one for sure is not real.

Q [Another visitor]: There’s a story that you knock the door and you realize that you’re already in...

K: It’s like a hotel with a revolving door. It’s not going to the other side; it’s going in and out again. You go around and you’re back in, that’s called rebirth.

There’s a nice story about a Ku   Klux Klan member from Texas who dies   and reaches heaven and he finds that Peter is a black person. [Laughter] What would he do? What would you say? Would he go to heaven in spite of meeting the black person? Can he take it?


Ver online : KARL RENZ