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Caos

domingo 24 de julho de 2022

    

Mattéi

À plenitude   da chora  , na qual a coisa tem lugar, responde a vacuidade primitiva do caos  . O termo aparece pela primeira vez na Teogonia   de Hesíodo, antes de ser retomado por Aristófanes e Platão  , com o discurso de Fedro   no Banquete  . Não remete no poeta a um espaço agitado de massas em desordem  , mas uma Abertura primitiva por onde o mundo advém. Nenhum epíteto   precisa o sentido desta abertura obscura de onde nascerá Gaia  , antes de Eros  , em seguida Herebos e Nyx  . Tudo indica no entanto que Caos ;e um princípio cósmico de diferenciação, talvez acoplado ao abismo indiferenciado do Tártaro. A etimologia provável da palavra   remete aos verbos chaino, chaskho, chaizo, "se abrir", "abrir a boca", formadas sobre o radical chas- presente   em chasma, "abismo", chasem, "boca aberta", "bocejo". Heidegger   reconhece ainda este sentido arcaico do caos no pensamento   de Nietzsche  : "Caos, chaos, chaino, significa o bocejo, a boca aberta, o que se abre em dois  . Entendemos chaos em estreita conexão com uma interpretação   original da aletheia   enquanto o abismo que se abre."

O termo chaos, ele mesmo, está ausente do Timeu   que descreve no entanto a desordem   cinética dos quatro elementos   neste "campo   de luta  " de que fala Victo Brochard como se tivesse sido apagado pela inscrição da chora que Platão pensa, na linhagem de Hesíodo, como pura abertura. (Excertos de Jean-François Mattéi, Platon et le Miroir du mythe)

Michel Tardieu

Segundo Michel Tardieu   em seu estudo dos mitos gnósticos, o caos (gr. to chaos), para os gregos, era primeiramente topos, espaço vazio  , berço de onde tudo emergiu. Guarda   a matéria de onde surgiram o corpo e alma do mundo  , o chaos de Hesíodo é igual a chora de Platão e também a hyle   de Aristóteles  ; assim é "a natureza que recebe todos os corpos" (Timeu), "o receptáculo universal  " (Timeu). Segundo Aristóteles, Hesíodo pensou corretamente quando pôs no princípio o caos..., como se precisasse existir primeiramente um lugar para os seres: é que ele pensava, com todo mundo, que toda coisa está em alguma parte e em um lugar (Física).

Mas o caos é também aion   ilimitado e discórdia, o abismo do tempo infinito  , lugar do esquecimento   (lethe). No Hermetismo o caos é a hyle primeira e indeterminada. Informe o chaos é apeiron. Nas Homilias Pseudo-Clementinas é dito que o chaos é uma mistura confusa de elementos ainda sem ordem.

René Guénon

El conjunto   de las posibilidades formales y el de las posibilidades informales son lo que las diferentes doctrinas tradicionales simbolizan respectivamente por las «Aguas inferiores» y las «Aguas superiores» [1]; las Aguas de una manera general y en el sentido más extenso, representan la Posibilidad, entendida como la «perfección pasiva» [2], o el principio universal que, en el Ser, se determina como la «substancia» ( aspecto potencial del Ser ); en este último caso, ya no se trata más que de la totalidad de las posibilidades de manifestación  , puesto que las posibilidades de no manifestación están más allá del Ser [3]. La «superficie de las Aguas», o su plano de separación, que hemos descrito en otra parte como el plano de reflexión del «Rayo   Celeste» [4], marca   por consiguiente el estado   en el que se opera el paso de lo individual a lo universal, y el símbolo bien conocido de «caminar sobre las Aguas» figura la liberación de la forma, o la liberación de la condición individual [5]. El ser que ha llegado al estado que corresponde para él a la «superficie de las Aguas», pero sin elevarse todavía por encima de éste, se encuentra como suspendido entre dos caos, en los que, primeramente, todo es confusión y obscuridad ( tamas ), hasta el momento en el que se produce la iluminación que determina su organización armónica en el paso de la potencia al acto, y por la cual se opera, como por el Fiat Lux cosmogónico, la jerarquización que hará salir el orden del caos [6].

Esta consideración a los dos caos, que corresponde a lo formal y a lo informal, es indispensable para la comprehensión de un gran número   de figuraciones simbólicas y tradicionales [7]; por eso es por lo que hemos tenido que mencionarla especialmente aquí. Por lo demás, aunque ya hayamos tratado esta cuestión en nuestro precedente estudio, se vinculaba muy directamente con nuestro tema presente como para que no nos fuera posible recordarla al menos brevemente. [LOS DOS CAOS]


Para os entalhadores de pedra e para os construtores que empregavam os produtos desse trabalho  , a pedra bruta representava a "matéria prima" indiferenciada, ou o "caos" com todas as suas correspondências, tanto microcósmicas quanto macrocósmicas, enquanto que a pedra completamente   talhada em todas as suas faces representava, ao contrário, o acabamento ou a perfeição da obra. Aí está a explicação da diferença   que existe entre o significado simbólico da pedra bruta no caso dos monumentos megalíticos e dos altares primitivos, e o significado da pedra bruta na maçonaria. Acrescentaremos, sem poder aqui insistir mais sobre o assunto, que essa diferença corresponde ao duplo aspecto da matéria-prima, segundo seja vista como a "Virgem universal" ou como o "caos" que é a origem   de toda manifestação. Na tradição   hindu, de igual modo, Prakriti é ao mesmo tempo a pura potencialidade, que está literalmente debaixo de toda existência, e também um aspecto de Shakti  , ou seja, a "Mãe divina". Deve ficar bem entendido que esses dois pontos de vista não são de modo algum excludentes entre si, o que aliás justifica a coexistência de altares de pedras brutas com edifícios de pedras talhadas. Essas considerações mostrarão ainda que, como em todas as outras coisas, para a interpretação dos símbolos é preciso sempre saber situar cada elemento em seu exato lugar, sem o que se corre o risco de cair em erros dos mais grosseiros. [SÍMBOLOS DA CIÊNCIA SAGRADA]

Titus Burckhardt

Al pasar del consciente diferenciable al no diferenciado se produce un oscurecimiento que representa el caos, es decir, el estado de la materia que ha perdido su pureza   original, pero cuyas posibilidades diferenciables no están clara y ordenadamente definidas. Es el estado de la «materia bruta». Pero si el consciente sigue ahondando, descubrirá el espejo del fondo del alma, que, si bien no puede captarse en su realidad «material», manifiesta su naturaleza reflejando límpidamente la luz del espíritu. El caos del alma era como el plomo; el espejo del fondo del alma es como la plata; también puede compararse con una fuente clara. Es el manantial de la leyenda, de cuyas profundidades mana el agua de vida, semejante al azogue. [ALQUIMIA  ]

JAA Torrano

Como princípio cosmogônico, Kháos é a potência que instaura a procriação por cissiparidade, é um princípio de cissura e de separação  , e como tal opõe-se a Éros, que, como princípio cosmogônico, instaura a procriação por união   de dois elementos diversos e separados, masculino   e feminino. Ambos, Kháos e Éros, estão lado a lado de Terra de amplo seio, de todos sede inabalável sempre. A rigor, Kháos e Éros, enquanto potências cosmogônicas, são paredros de Terra, que, sim, é o assento sempre firme  , — o Fundamento Originário. Kháos e Éros, portanto, ladeiam a Terra-Ser como puros princípios ativos e energéticos, de naturezas opostas e contrapostas, como paredros (par-édroí) deste Assento Primordial (pánton hédos). Éros, princípio da união, é estéril, dele mesmo não surge nenhum rebento, ele de si mesmo   nada produz. Kháos, princípio de divisão   e separação, é prolífico e tem através   de sua filha Noite numerosos descendentes — todos eles, incorpóreos como ele, são como ele puros princípios ativos e energéticos, sem substância   física. Que o princípio da união seja estéril e o da divisão e separação prolífico — eis algo muito congruente com a sensibilidade e visão   gregas. (Excertos de Teogonia, a Origem dos Deuses)


[1La separación de las Aguas, bajo el punto de vista cosmogónico, se encuentra descrita concretamente al comienzo del Génesis ( I, 6-7 ).

[2Ver Le Symbolisme de la Croix, cap. XXIII.

[3Ver L’HOMME ET SON DEVENIR SELON LE VÊDÂNTA, cap. V.

[4Ver Le Symbolisme de la Croix, cap. XXIV.- Es también, en el simbolismo hindú, el plano según el cual el Brahmanda o «Huevo del Mundo», en cuyo centro del cual reside Hiranyagarbha o «Germen de Oro», se divide en dos mitades; este «Huevo del Mundo» es por lo demás representado frecuentemente como flotando en la superficie de las Aguas primordiales ( ver L’HOMME ET SON DEVENIR SELON LE VÊDÂNTA, cap. V y XIII ).

[5Nârâyana, que es uno de los nombres de Vishnu en la tradición hindú, significa literalmente «El que camina sobre las Aguas»; hay en eso una aproximación con la tradición evangélica que se impone por sí misma. Naturalmente, aquí como por todas partes, la significación simbólica no menoscaba en nada el carácter histórico que tiene en el segundo caso el hecho considerado, hecho que, por lo demás, es tanto menos contestable cuanto que su realización, que corresponde a la obtención de un cierto grado de iniciación efectiva, es mucho menos rara de lo que se supone de ordinario.

[6Ver Le Symbolisme de la Croix, XXIV y XXVII.

[7Cf. concretamente el simbolismo extremo oriental del Dragón, que corresponde de una cierta manera a la concepción teológica occidental del Verbo como «el lugar de los posibles» ( Ver L’HOMME ET SON DEVENIR SELON LE VÊDÂNTA, cap. XVI ).