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Wei Wu Wei (PP:15) – subjetividade do tempo

domingo 28 de agosto de 2022

    


tradução

O MAHARSHI   (Sri Ramana) disse: “O que é eterno não é reconhecido como tal, devido à ignorância”. [Teachings, pág. 118] A ignorância do que é “eterno” é devida ao conceito de “tempo”, e assim a ignorância de eternalidade é uma definição daquele conceito, posto que o eterno e um conceito de tempo são contrapartes interdependentes, ou seja, intemporalidade e temporalidade.

Ele continuou: “A ignorância (o conceito de ‘tempo’) é a obstrução. Livre-se disto e tudo ficará bem. Esta ignorância (o conceito de ‘tempo’) é idêntica ao pensamento   ‘eu’. Procure sua fonte e ela desaparecerá.”

O “pensamento ‘eu’” é inteiramente um produto temporal, dependendo e exclusivamente parecendo existir sujeito   à extensão   temporal (duração). Se você aperceber o que é o “tempo”, ele deve simultaneamente des-aparecer   enquanto um objeto na mente  . Revela-se então como o elemento   essencial na constituição de um eu-conceito ou “eu” conceitual, e o eu-conceito como objeto na mente dividida deve acompanhá-la, pois nem o que é o “tempo” nem o que “eu ” sou   pode ter qualquer qualidade   objetiva. [Caso haja algum equívoco  : “O que ’tempo’ é” é o que a mente dividida tenta conceber como “Intemporalidade”, assim como “O que eu sou é o que a mente dividida tenta conceber como “eu”, que respectivamente só são cognoscíveis na relatividade objetivada como “tempo” e como “eu”.]

Um “eu-conceito” e o “tempo-conceito” são inseparáveis, nenhum pode parecer existir sem o outro: são aspectos duais do que é erroneamente concebido como objetivo, e acredita-se que eles próprios tenham existência objetiva como tal. Essa suposta existência objetiva do que é um conceito-de-sequência na mente é precisamente o fundamento da noção   de “apego”. Procurar desfazer-se de um aspecto sem o outro é um trabalho   de Sísifo, pois aquele que sobrar inevitavelmente trará de volta o seu companheiro do qual depende. Enquanto o conceito de “tempo” como uma existência objetiva, como uma continuidade   independente do contínuo percebedor dele, é deixado intocado, esse objeto deve reter seu sujeito – e seu sujeito, o percebedor dele, é precisamente o eu-conceito em questão.

É por isso que a natureza do “tempo” deve ser revelada. No passado   distante uma análise da natureza do “tempo” não estava de acordo com os modos   atuais de pensamento e de conhecimento geral, de modo que nenhuma tradição   dele foi transmitida pelos Mestres, que certamente o compreenderam, pois se referem a ele de maneira obscura, mas com bastante frequência, mas esta não é uma razão válida para ignorá-lo. Para nós, deve ser facilmente compreensível, e sua compreensão é urgente, tanto mais que dificilmente se negará que muitas das antigas abordagens tradicionais do problema essencial perderam muito de sua força pela repetição interminável e pela auto-hipnose que a acompanha, a repetição de todos os tipos de conceitos populares.

Se o eu-conceito puder ser descartado por um momento, e o conceito de duração permanecer, este restituirá aquele que aí nele se estende e que permanece com ele. Isso, de fato, é uma ocorrência   familiar, mas seu mecanismo não é reconhecido. Por outro lado, se o conceito de duração é visto como inválido, não como existência objetiva à qual “nós” podemos estar vinculados, mas como parte essencial de nossa aparência, estendida nela, sendo nossa-extensão, sua remoção deve necessariamente carregar consigo tudo o que nele se estende. Então o suposto caráter objetivo de ambos decai, e o processo de objetivação cessa, deixando “nós” como o que somos intemporalmente.

Enquanto continuarmos a considerar o “espaço-tempo” como objetivamente factual, não estaremos meramente “apegados” – estaremos atados!


Ver online : Wei Wu Wei – Posthumous Pieces