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Balsekar (DO:1) – Ashtavakra 8

sábado 10 de setembro de 2022

    

tradução

Ashtavakra continua:

Neste verso, Ashtavakra vai à raiz da questão. O que está na raiz do conceito de sujeição e infelicidade? É o sentido de autoria, a noção   de volição  . Todo o mecanismo do que é conhecido como viver   a vida é baseado na noção de que sempre que um ser humano   age de qualquer maneira — seja qual for o ato — é porque ele quer agir desta maneira. Em outras palavras, supõe-se que a volição está por trás de todo ato de um ser humano e que ele é, portanto, “responsável” por isto. O fato da questão, no entanto, é que os seres humanos geralmente não “agem”, mas “reagem” a um estímulo externo. Se pensarmos um pouco sobre o assunto, será óbvio que muito poucas ações são realmente o resultado de volição ou atos de vontade. Na maioria das vezes o viver, para a maioria das pessoas, é condicionado por uma série de reflexos baseados essencialmente no instinto, no hábito   e até na propaganda. O escopo da ação deliberada e ponderada é extremamente limitado na vida real. E, no entanto, quase todas as pessoas acreditam firmemente que são o fazedor, e é por isto que Ashtavakra se refere a esta noção de volição individual como a mordida da serpente   mortal   do ego. O sentido de autoria, a noção de volição é, na melhor das hipóteses, apenas um impulso, uma demonstração do ego, do conceito de “eu”. Enquanto esta “condição” permanecer, enquanto houver identificação com um objeto fenomênico como um “eu” separado, a sujeição deve continuar.

A única prática que pode liberar o homem do veneno da autoria é o abandono desta identificação com um objeto particular como um “eu”. Tal abandono só pode vir através da compreensão clara e profunda — a fé — de que a volição ou senso   de autoria é meramente uma inferência porque realmente não há entidade para exercê-la. Os seres humanos podem pensar   que “vivem” suas vidas, mas na verdade suas vidas estão sendo vividas como parte do funcionamento   total de toda esta manifestação   fenomenal. Todos os eventos juntos constituem o funcionamento da manifestação de acordo com a inexorável cadeia de causação. Seria incrível imaginar que tal funcionamento da totalidade pudesse deixar qualquer espaço ou escopo para a volição individual, exceto, é claro, como parte deste funcionamento.

É por esta razão que Ashtavakra se refere à “fé” como o único remédio para a picada de cobra da autoria – a fé de que o ser   humano existe, não como uma entidade corpo-mente   individual que é meramente um objeto fenomênico, mas como Númeno, não como um objeto individual, mas como o único Sujeito  . Tal fé traz a compreensão espontânea e repentina de que “eu” sou   o único sujeito e toda a manifestação fenomênica é minha expressão   objetiva. “Eu” sou a Conscientidade   [Consciousness] universal   dentro da qual surgiu espontaneamente a totalidade   da manifestação fenomênica.

Original

Ashtavakra continues:

In this verse, Ashtavakra goes   to the root of the matter. What is it that is at the root of the concept of bondage and unhappiness? It is the sense of doership, the notion of volition. The entire mechanism of what is known as living one’s life is based on the notion that whenever a human being acts in any manner—whatever the act—it is because he wants to act in that manner. In other words, it is supposed that volition is behind every act of a human being and that he is therefore “responsible” for it. The fact of the matter, however, is that human beings usually do not “act” but “react” to an outside stimulus. If even a little thought is given to the matter, it will be obvious that very few actions are truly the result of volition or acts of will. Most of the time living, for most people, is conditioned by a series of reflexes based essentially on instinct, habit and even propaganda. The scope of deliberate, considered action is in actual life extremely limited. And yet almost every person firmly believes that he is the doer, and that is why Ashtavakra refers to this notion of individual volition as the bite of the deadly serpent of the ego. The sense of doership, the notion of volition is at best only an impulse, a demonstration of the ego, of the “me”-concept. As long as this “condition” remains, so long as there is identification with a phenomenal object as a separate “me”, so long must bondage continue.

The only practice which can free man from the poison of doership is the abandonment of this identification with a particular object as a “me”. Such abandonment can only come through the clear and deep understanding—the faith—that volition or sense of doership is merely an inference because there really is no entity to exercise it. Human beings may think that they “live” their lives, but in fact their lives are being lived as part of the total functioning of this entire phenomenal manifestation. All events together constitute the functioning of the manifestation according to the inexorable chain of causation. It would be incredible to imagine that such functioning of totality could leave any room or scope for individual volition, except, of course, as part of that functioning.

It is for this reason that Ashtavakra refers to “faith” as the only remedy for the snake-bite of doership—the faith that the human being exists, not as an individual body-mind entity which is merely a phenomenal object, but as Noumenon, not as an individual object but as the one Subject. Such faith brings about the spontaneous and sudden understanding that “I” am the one subject and the entire phenomenal manifestation is my objective expression. “I” am the universal Consciousness within which has spontaneously arisen the totality of the phenomenal manifestation.


Ver online : Ramesh Balsekar