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Scholem Goethe

domingo 20 de março de 2022

Excertos da tradução em português de Dimas David   Santos Silva, do livro de Steven Wasserstrom, "Religion after Religion"

Os cabalistas de Scholem, como os sufis de Corbin, então, são aqueles místicos para os quais ‘tudo tem um caráter simbólico’. ‘As sefiras são der Gottheit lebendinges Kleid, as vestimentas vivas da divindade, para citar Goethe   Fausto - Fausto de Goethe  . Como recentemente ficou claro, contudo, não foi tão diretamente de Goethe   que Scholem ‘redescobriu’ a primazia do símbolo sobre a alegoria. Uma fonte mais imediata parece ter sido Friedrich Gundolf (1880-1931). Era típico de Scholem, de qualquer maneira, estar consciente da ironia da predominância de Goethe   entre seus contemporâneos. ‘Quase todas as mais importantes interpretações críticas de Goethe   foram escritas por judeus!’, afirmou ele. Ainda assim, não importando quanta ironia tenha usado, ele permaneceu, em determinados aspectos culturais cruciais, um judeu alemão, como seu amigo e colega George L. Mosse apropriadamente observou. Então, da mesma maneira que para seu amigos judeus alemães, Goethe   orgulhou-se de ser apontado na obra de Scholem (talvez até preferisse).

Quando, ao terminar seu ensaio clássico sobre ‘Revelação e Tradição como categorias religiosas no judaísmo’, originalmente apresentado em Eranos em 1962, ele virou-se para Goethe   para resumir seu senso da ‘verdade arcana’ como ‘tradição genuína’:

A verdade que foi descoberta muito tempo atrás Tem nobres limites no Espírito, A verdade arcana, assegurem-se dela.

Citando Goethe   em alemão para concluir esta palestra, que também foi publicada originalmente em alemão, Scholem aponta ironias das quais, como já mencionei, ele estava entre os primeiros a ter consciência. De maneira similar, quando falou sobre ‘Meu caminho para a Cabala’ na ocasião de receber o Prêmio Literário da Academia Bavária de Artes em 1974, Scholem citou o Goethe   Fausto - Fausto de Goethe   para descrever seus próprios estudos de hebraico! Na sua carta para Aniela Jaffé, onde explicava porque tinha aceitado o convite original para Eranos, Scholem admitiu que ‘até mesmo Goethe   tinha falhas’ para explicar porque também tinha aceitado as grandes falhas, de Freud   e de Jung  .