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Suzuki (DZNM:29) – iluminação pelo prajna

sábado 17 de setembro de 2022

    

A primeira afirmação de Hui-neng com respeito à sua experiência zen foi que “desde o princípio nada é”; depois, falou sobre “ver dentro de sua natureza-própria”, a qual, sendo “coisa alguma”, nada é. “Ver dentro da natureza-própria” é, portanto, “ver dentro do nada” — é esta a proclamação de Shen-hui  . E essa visão   é a iluminação   deste mundo de multiplicidade pela luz do Prajna  . Prajna vem a ser, assim, um dos principais assuntos discutidos no T’an-ching, e é nesse ponto que a vertente do pensamento   zen se desvia do curso tomado desde o tempo de Bodhidharma  .

No começo da história do Zen, o centro   de interesse   era a natureza de Buda   ou natureza-própria inerente a todos os seres e absolutamente pura. Este é o ensinamento do Sutra   do Nirvana   e todos os seguidores do Zen, desde Bodhidharma, acreditam firmemente nele. Hui-neng era, sem dúvida, um deles. Estava, evidentemente, familiarizado com essa doutrina   mesmo antes de procurar o 5o Patriarca, Hung-jen, pois insistiu na identidade   da natureza de Buda em todos os seres, indiferente à raça   ou nacionalidade que se poderiam encontrar entre ele e o Mestre. A biografia de Hui-neng, conhecida por Tsau-chi   Taichi Pien Tien, talvez a obra literária mais antiga sobre sua vida, conta como ele ouviu o Sutra do Nirvana recitado por uma monja, irmã de seu amigo Lin. Se Hui-neng fosse apenas um estudante do Vajracchedika, como depreendemos do T’an-ching, ele nunca poderia ter falado com Hung-jen da maneira como narra o T’an-ching. A referência à natureza de Buda deve, sem dúvida, provir do Sutra do Nirvana. Com esses conhecimentos e com o que aproveitou no convento   de Hung-jen, estava capacitado a falar sobre a pureza   original da natureza-própria e sobre a nossa percepção dessa verdade como condição fundamental para compreender o pensamento zen. Hung-jen, mestre de Hui-neng, não deu tanta ênfase à ideia de Prajna quanto o discípulo  . Para este, o problema de Prajna, especialmente em relação a Dhyana  , implica tudo.


Ver online : D. T. Suzuki