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Wei Wu Wei (AA:2) – o polimento do espelho

segunda-feira 29 de agosto de 2022

    

tradução

Desde Bodhidharma  , a ameaça recorrente que ofuscou o Veículo Supremo tem sido a paixão do homem   consigo mesmo. Sempre que a sucessão de grandes Mestres enfraquecia em poder ou em qualidade  , ressurgia a doutrina   auto-aduladora do polimento do espelho  .

Hui Neng e Shen Hui   resgataram a doutrina, mas hoje ela precisa ser salva novamente, pois, pelo menos no Ocidente, estamos quase todos ocupados polindo nossos espelhos, ou aperfeiçoando o cabriolé, como denominei, em vez de entender que nem o polidor nem o espelho, nem o aperfeiçoador nem o cabriolé, jamais existiram ou poderiam existir.

O que precisamos é de outro Bodhidharma, firme   como uma rocha, feroz como um tigre, impiedoso em sua “gentileza   de avô” e sem medo de dizer aos imperadores da China seu blá blá blá. E se não podemos esperar por um Bodhidharma, pelo menos precisamos desesperadamente de um Hui Neng. Caso contrário, embora o Budismo   possa sobreviver, o Veículo Supremo certamente se perderá. [1]

E somente o Veículo Supremo importa, pois o Budismo de auto-exaltação é pseudo-Budismo, pois é uma contradição em termos, um xarope calmante ou uma droga: somente o Veículo Supremo carrega a mensagem completa e final do Tathagata  .

Enquanto não percebermos a facticidade de um fenômeno dizendo a si mesmo   quão maravilhoso é, nunca chegaremos ao conhecimento do que somos quando tivermos entendido que, enquanto fenômenos, não somos.

Original

Since Bodhidharma, the recurrent menace that has overshadowed the Supreme Vehicle has been man’s infatuation with himself. Whenever the succession of great Masters weakened in power or in quality the self-flattering mirror-polishing doctrine re-emerged.

Hui Neng and Shen   Hui rescued the doctrine, but today it needs saving again, for, in the West at least, we are nearly all busy polishing our mirrors, or perfecting the hansom-cab as I have termed it, instead of understanding that neither the polisher nor mirror, perfector nor cab, has ever or could ever exist.

What we need is another Bodhidharma, firm as a rock, fierce as a tiger, merciless in his “grandmotherly kindness,” and not afraid to tell Emperors of China that they are talking through their hats. And if we cannot hope for a Bodhidharma, then at least we need desperately a Hui Neng. Otherwise, though Buddhism may survive, the Supreme Vehicle will surely be lost. [2]

And only the Supreme Vehicle ultimately matters, for self-exalting Buddhism is pseudo-Buddhism, for it is a contradiction in terms, a soothing syrup or a drug: only the Supreme Vehicle carries the full and final message of the Tathagata.

As long as we do not perceive the fatuity of a phenomenon telling itself how marvelous it is, we will never come to the knowledge of that which we are when we have understood that, as phenomena, we are not.


Ver online : Wei Wu Wei – Ask the awakened


[1Hubert Benoit descreve Bodhidharma como “um Despertador”, alguém que vem, com gentileza, mas também com firmeza implacável, para nos despertar do sonho em que estamos vivendo”.

[2Hubert Benoit describes Bodhidharma as “an Awakener,’ someone who comes, with kindness but also with implacable firmness, to rouse us from the dream in which we are living.”