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Chuang Tzu – Pivô (Merton)

domingo 21 de agosto de 2022

    

Amoroso Lima

O Tao   se obscurece quando os homens compreendem apenas um, dentre um par de opostos  , ou se concentram apenas num aspecto parcial do ser. E, depois, a expressão   clara perde-se no mero jogo   de palavras, afirmando este aspecto, e negando todos os outros.

Daí a polêmica entre os Confucianos e os Moístas, cada qual negando o que o outro afirma, e afirmando o que o outro nega. Qual a vantagem   dessa polêmica, de colocar o «Não» contra o «Sim», e o «Sim» contra o «Não»? O melhor é desistir desse esforço inútil e procurar a verdadeira luz!

Nada há que não possa ser contemplado   do ponto de vista do «Não-Eu  ». E nada há que não possa ser contemplado do ponto de vista do «Eu». Se começo por olhar qualquer coisa do ponto de vista do «Não-Eu», não a vejo, realmente, porque é o «Não-Eu» que vê. Se começo de onde estou, e vejo-a como eu vejo, pode suceder então que a veja como o outro a vê. Daí a teoria do reverso, que os opostos

Como quer que isso aconteça, a vida é seguida da morte; a morte é seguida da vida. O possível torna-se impossível; o impossível, possível. O certo torna-se errado, e o errado, certo... O fluxo vital altera as circunstâncias   e, assim, as coisas por si mesmas alteram-se, por sua vez. Mas os polemistas continuam a afirmar e a negar as mesmas coisas que sempre afirmaram e negaram, ignorando os novos aspectos da realidade apresentada pela mudança   de condições.

O sábio  , portanto, em vez de tentar provar este ou aquele ponto pela disputa   lógica  , vê todas as coisas à luz da intuição   direta. Não se prende aos limites do «Eu», pois o ponto de vista da intuição direta é tanto o «Eu» como o «Não-Eu». Daí notar ele que, tanto de um como de outro lado de cada argumento  , há o certo e o errado. Também vê que, no final, eles se reduzem à mesma coisa, uma vez que estão relacionados com o pivô do Tao.

Quando o sábio se apodera deste pivô, ele está no centro   do círculo, e lá fica enquanto o «Sim» e o «Não» perseguem-se um ao outro, em torno da circunferência.

O pivô do Tao passa pelo centro para onde convergem todas as afirmações e todas as negações. Todo aquele que se apoderar do pivô, coloca-se no ponto morto de onde podem ser vistos todos os movimentos e oposições, em sua correta interdependência. Por conseguinte, ele vê as possibilidades ilimitadas, tanto do «Sim», como do «Não». Quando abandona toda ideia de impor limites ou de tomar partidos, repousa na intuição direta. Portanto, é como eu dissera antes: «É melhor desistir das discussões e procurar a verdadeira luz!»

Merton (original)

Tao is obscured when men understand only one of a pair of opposites, or concentrate only on a partial aspect of being. Then clear expression also becomes muddled by mere wordplay, affirming this one aspect and denying all the rest.

Hence the wrangling of Confucians and Mohists; each denies what the other affirms, and affirms what the other denies. What use is this struggle to set up “No” against “Yes,” and “Yes” against “No”? Better to abandon this hopeless effort and seek true light!

There is nothing that cannot be seen from the standpoint of the “Not-I.” And there is nothing which cannot be seen from the standpoint of the “I.” If I begin by looking at anything from the viewpoint of the “Not-I,” then I do not really see it, since it is “not I” that sees it. If I begin from where I am and see it as I see it, then it may also become possible for me to see it as another sees it. Hence the theory of reversal [Taught by Hui Tzu. But see also the Tao Te Ching  ] that opposites produce each other, depend on each other, and complement each other.

However this may be, life is followed by death; death is followed by life. The possible becomes impossible; the impossible becomes possible. Right turns into wrong and wrong into right—the flow of life alters circumstances and thus things themselves are altered in their turn. But disputants continue to affirm and to deny the same things they have always affirmed and denied, ignoring the new aspects of reality presented by the change in conditions.

The wise man therefore, instead of trying to prove this or that point by logical disputation, sees all things in the light   of direct intuition  . He is not imprisoned by the limitations of the for the viewpoint of direct intuition is that of both “I” and “Not-I.” Hence he sees that on both sides of every argument there is both right and wrong. He also sees that in the end they are reducible to the same thing, once they are related to the pivot of Tao.

When the wise man grasps this pivot, he is in the center of the circle, and there he stands while “Yes” and “No” pursue each other around the circumference.

The pivot of Tao passes through the center where all affirmations and denials converge. He who grasps the pivot is at the still-point from which all movements and oppositions can be seen in their right relationship. Hence he sees the limitless possibilities of both “Yes” and “No.” Abandoning all thought of imposing a limit or taking sides, he rests in direct intuition. Therefore I said: “Better to abandon disputation and seek the true light!” [ii. 3.]


Ver online : CHUANG TZU