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Corbin (ICSIA): O «Campo» da Imaginação

segunda-feira 1º de agosto de 2022

    

tradução

A doutrina da Imaginação   em sua função psicocósmica reveste um duplo aspecto: um aspecto cosmogônico, até teogônico (a «teogonia  » dos Nomes divinos  ), a respeito do qual se deverá ter conta que se a ideia de «gênese» é aqui estranha a qualquer ideia de creatio ex nihilo  , ela se diferencia igualmente da ideia neoplatônica de emanação  ; deve-se pensar   ao invés no processo de uma iluminação crescente, levando gradualmente ao estado   luminescente as possibilidades eternamente latentes no Ser divino   original. Há em segundo lugar um aspecto e uma função propriamente psicológicas; no entanto deve-se considerar que os dois   aspectos são inseparáveis, complementares e homologáveis. Uma análise perfeita deveria abarcar a obra completa de Ibn Arabi  ; seria preciso um trabalho   de dimensões consideráveis. No entanto um capítulo do grande livro das Conquistas espirituais (ou das Revelações) da Meca», esboça propriamente uma «ciência da Imaginação» (ilm al=khayal), e fornece um esquema dos temas que põe em obra. Ele nos atesta também a dificuldade   de articular claramente os dois aspectos distinguidos acima. Mas sob algum aspecto, em algum grau ou fase que consideremos a Imaginação, que seja a seu grau de «Presença  » ou «Dignidade   Imaginadora» (Hadrat khayaliya) em sua função cósmica, ou seja como poder imaginativo no homem  , sua característica é constante, e já o revelamos: é sua natureza e função intermediária, de mediadora.

Original

La doctrine de l’Imagination en sa fonction psycho  -cosmique revêt un double aspect : un aspect cosmogonique, voire théogonique (la « théogonie » des Noms divins), à propos duquel on devra tenir compte que si l’idée de « genèse » est ici étrangère à toute idée de création ex nihilo, elle se différencie également de l’idée néo-platonicienne d’émanation ; il faut penser plutôt au processus   d’une illumination croissante, portant graduellement à l’état luminescent les possibilités éternellement latentes dans l’Etre divin originel. Il y a en second lieu un aspect et une fonction proprement psychologiques ; cependant l’on doit considérer que les deux aspects sont inséparables, complémentaires et homologables. Une analyse parfaite devrait embrasser l’œuvre complète d’Ibn Arabi ; il y faudrait un travail de dimensions considérables. Pourtant un chapitre du grand livre des « Conquêtes spirituelles (ou des Révélations) de La Mekke », esquisse en propre une « science de l’Imagination » (’ilm al-khayâl), et fournit un schéma des thèmes qu’elle met en œuvre. Il nous atteste aussi la difficulté d’articuler nettement les deux aspects distingués ci-dessus. Mais sous quelque aspect, à quelque degré ou phase que nous considérions l’Imagination, que ce soit à son degré de « Présence » ou «Dignité Imaginatrice » (Hadrat khayâlîya) en sa fonction cosmique, ou que ce soit comme puissance imaginative dans l’homme, sa caractéristique est constante, et nous l’avons déjà relevée : c’est sa nature et fonction d’intermédiaire, de médiatrice.


Ver online : Excertos de "A Imaginação criadora no sufismo de Ibn Arabi"