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Wei Wu Wei (PP:17): Sucessão, dialeticamente

segunda-feira 29 de agosto de 2022

    

tradução

A fim de experienciar “duração”, devemos necessariamente ser o que “duração” é, ou “duração” deve ser um aspecto do que somos, pois “duração” não é uma entidade vaga independente da experiência dela.

O que experienciamos – somos. Conceituar experiências, diversamente nomeadas como contrapartes opostas e mutuamente contraditórias, emoções, sensações, etc., não pode ser nada além da cognição delas. Sua objetificação conceitual como “outro”, como entidades independentes experimentadas por um “eu”, é uma suposição relativa insustentável à qual nos tornamos condicionados.

Além disto, uma vez que somos “duração”, não podemos ter “nascido” e não podemos “morrer  ”, porque a duração como tal, ou distinta de um conceito em mente  , não pode começar ou cessar de perdurar, pois a duração não pode começar ou parar de perduras, pois de outra forma não poderia ser duração. Pode-se supor que um objeto conceitual em mente   comece e pare de experienciar objetivamente a “duração”, mas a duração não objetiva como tal não pode ser “duração” a menos que perdure.

Segue-se que, uma vez que o “tempo” é um aspecto do que somos, somos temporais, e devemos ser também intemporais: uma vez que perduramos, nunca podemos deixar de perdurar e nunca podemos ter começado a perdurar, pois o “tempo” não pode começar a ser   “tempo” ou deixar de ser “tempo”. “Tempo”, portanto, é eternidade  , e não pode haver diferença   entre temporalidade e intemporalidade. A suposta diferença só pode ser conceitual e devido ao conceito de sucessão que cria a ilusão   de “permanência”.

Portanto, “aparecimento e desaparecimento”, como conceitos, “nascimento e morte”, “criação e dissolução”, devem ser efeitos psíquicos do conceito de “sucessão”.

O tempo é subjetivo, mas é conceituado como um objeto ao qual “nós” somos aparentemente subservientes, mas que é apenas uma imagem na mente. A esse respeito e também, é o que somos – pois o-que-somos é subjetivo e é conceituado como um objeto em mente que não sou   eu senão “mim  ”.

Na fenomenalidade relativa “nós” somos objetos conceituais subservientes à sucessão conceitual que cria a ilusão de “permanência” na temporalidade, mas noumenalmente somos a Intemporalidade, “eterna” no sentido de transcendente a qualquer interpretação   conceitual da noção   de duração. Como tal, porém, não somos mais plurais, nem somos singulares.


A temporalidade não é de fato – mas apenas na aparência – diferente da intemporalidade: cada uma é uma interpretação conceitual, positiva e negativa respectivamente, do fenômeno da extensão   sequencial dos objetos, de sua duração em oposição à sua possível falta de duração. Eles perdem todo o sentido em sua negação mútua, o que deixa a eternidade que é o que, em última análise, somos.

Em última análise, a não-diferença de todos os pares de opostos   reside na ausência   de um experienciador deles.

Original

In order to experience “duration” we must necessarily be what “duration” is, or “duration” must be an aspect of what we are, for “duration” is not some vague entity independent of the experience of it.

What we experience—we are. Conceptualising experiences, diversely named as opposing and mutually contradictory counterparts, emotions, sensations, etc. cannot be anything apart from the cognising of them. Their conceptual objectification as “other,” as independent entities experienced by a “self,” is an untenable relative supposition to which we have become conditioned.

Also, since we are “duration,” we cannot have been “born” and we cannot “die,” because duration as such, or other than as a concept in mind, cannot begin or cease to endure  , since duration cannot start or stop enduring, for otherwise it could not be duration at all. A conceptual object in mind may be supposed to start and to stop objectively experiencing “duration,” but non-objective duration as such cannot be “duration” unless it endures.

It follows that since “time” is an aspect of what we are, we are temporal, and we must be intemporal also: since we endure, we can never cease to endure and we can never have begun to endure, for “time” cannot begin to be “time” or cease to be “time.” “Time,” therefore, is eternity, and there cannot be any difference between temporality and intemporality. The supposed difference can only be conceptual and due to the concept of succession which creates the illusion of “last-ing.”

Therefore “appearance and disappearance,” as concepts, “birth and death,” “creation and dissolution,” must be psychic effects of the concept of “succession.”

Time is subjective, but it is conceptualised as an object to which “we” are apparently subservient, but which is only an image in mind. In that respect and also, it is what we are— for what-we-are is subjective and is conceptualised as an object in mind which is not I but “me.”

In relative phenomenality “we” are conceptual objects subservient to conceptual succession which creates the illusion of “lasting” in temporality, but noumenally we are Intemporality, “eternal” in the sense   of transcendent to any conceptual interpretation of the notion of duration. As such, however, we are no longer plural, nor are we singular either.


Temporality is not in fact—but only in appearance—different from intemporality: each is a conceptual interpretation, positive and negative respectively, of the phenomenon of the sequential extension of objects, of their duration as opposed to their possible lack of duration. They lose all meaning in their mutual negation, which leaves the eternality which is what, ultimately, we are.

Ultimately the non-difference of all pairs of opposites lies in the absence of an experiencer of them.


Ver online : Wei Wu Wei – Posthumous Pieces