Página inicial > Antiguidade > Cristianismo Oriental

Cristianismo Oriental

sexta-feira 29 de julho de 2022

    

Por vezes nos esquecemos que Jesus   nasceu judeu, em meio judaico, teve discípulos judeus e pregou entre os judeus a "Boa Nova". Seus seguidores se difundiram inicialmente no Oriente Próximo e posteriormente chegaram ao centro   do Império Romano e se disseminaram por todo o império, tornando a religião predominante desde então em todo o Ocidente. No entanto, desde sua emergência a tradição   cristã se ramificou no Oriente, formando distintas igrejas, algumas presentes até hoje, guardando ainda muito do cristianismo primitivo.

A partir do terceiro século em diante, eram três as principais dioceses episcopais do Império: Roma, Alexandria e Antioquia. Roma estava crescendo em importância e ganhando autoridade   sobre as outras dioceses. Mas não procedia de Roma qualquer sistema original de pensamento   filosófico ou religioso. A diocese de Roma limitava-se apenas a assumir uma atitude autoritária em relação   às controvérsias teológicas que aconteciam no Império, em seu papel de capital no Ocidente, centro do governo e de líder   reconhecida na Igreja  .

Alexandria era uma diocese imensamente poderosa, em parte por causa   de sua reputação secular de centro cosmopolita de aprendizado, em parte por ter produzido grande número   de autores religiosos e líderes da Igreja. Os intelectuais alexandrinos eram muito influenciados por Platão, e o cristianismo era estudado à luz da filosofia metafísica. Esses pensadores alexandrinos tendiam a se concentrar na Divindade   de Cristo, e descreviam o Logos   como vim intermediário   cósmico   divino que entrara em nosso mundo. Em suas leituras do Velho Testamento, e até mesmo do Novo Testamento  , muita coisa era interpretada através   de alegorias.

Antioquia, a terceira grande diocese, tinha uma reputação diferente. Desde os dias de sua conversão, tinha estado   sujeita a uma influência mais semita. Seus clérigos mostravam-se inclinados a dar maior ênfase ao ensinamento moral do que à especulação   metafísica, e pretendiam manter em lugar de destaque nos seus ensinamentos a existência de um Cristo histórico. Sua interpretação   da Bíblia era mais literal e a alegoria   era vista com suspeita.

É óbvio que uma cidade inteira não pensa exatamente da mesma maneira, mas, por causa das tendências gerais dos líderes de suas igrejas, os nomes "alexandrino" e "antioquino" têm sido usados como títulos para a descrição de duas diferentes escolas de pensamento. O primeiro destes nomes descrevia aqueles que se concentravam em Cristo como Deus  ; e o segundo, aqueles que, acima de tudo o mais, viam-no como um ser humano   histórico. Com estas ênfases e abordagens diferentes, os alexandrinos e os antioquinos tinham a tendência de tomar partidos diferentes nas controvérsias cristológicas. (Excertos da tradução em português de José Antoino Ceschin do livro de Joan O’Grady, "Heresy: Heretical Truth   or Orthodox Error? a Study of Early Christian Heresies")

Nesta seção tentaremos esboçar algumas dessas igrejas orientais e principalmente os grandes nomes da teologia, do misticismo e do ascetismo do Oriente:


Ver online : CRISTOLOGIA