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Retorno Origem

domingo 20 de março de 2022

    

Pastoreio Boi Hixon - PASTOREIO DO BOI E O ZEN (excertos de "O Retorno à Origem  ", de Lex Hixon)

9. O RETORNO À ORIGEM — A consciência   sem forma está voltando a ter formas sem, no entanto, perder sua natureza informe, ou perfeitamente unitária. A Iluminação simplesmente é o lago azul e a montanha verde.

A nona imagem do Pastoreio do Boi chama-se o Retorno à Origem. Montanhas e bosques de pinheiros, nuvens e ondas surgem não se sabe de onde. O espaço aberto se funde numa espécie de primavera: a consciência sem forma está voltando a ter formas sem, no entanto, perder sua natureza informe, ou perfeitamente unitária. O ser Iluminado não mais se defronta com a ilusão   da Iluminação: Desde o mais remoto princípio não houve sequer um grão de poeira que estragasse a intrínseca pureza  . Após o Primeiro Vislumbre do Boi, o praticante sente cada atividade   como que emergindo diretamente da Origem, mas agora precisa atravessar todos os níveis sutis intermediários de desenvolvimento, a fim de, efetivamente, retornar àquela Origem. A volta do sábio   para casa   teve que se dissolver   no círculo   de vacuidade antes que ele pudesse desaparecer totalmente e ser apenas a Origem. Mas não há nenhuma aniquilação. Toda manifestação   é agora observada pela Iluminação desperta como sua própria emanação  : Este fluir e refluir da vida não é um espectro ou ilusão e sim uma manifestação da Origem. Por que, então, existe a necessidade   de lutar por alguma coisa? As águas são azuis, as montanhas são verdes. A Iluminação simplesmente é o lago azul e a montanha verde. Os estágios anteriores foram marcados por uma dramática característica   de realização, mas no nono estágio este drama   esmaece, deixando apenas frescor ou naturalidade: As águas são azuis, as montanhas são verdes. Mas onde estão os seres humanos? Resta um sabor   sutilmente transcendental nesse Retorno à Origem. O processo   de Iluminação foi tão longe, através   de tantas simplificações, que é difícil reconhecer   e aceitar   as elaborações da personalidade e da sociedade humanas: É como se ele fosse agora cego e surdo. Sentado em sua choupana, ele não suspira por coisas externas. Existe aqui uma dualidade sutil entre a Origem que floresce na forma de pinheiros ou cerejeiras e sua manifestação como o engano e o sofrimento   crônico da civilização humana. Este Retorno à Origem precisa ser aprofundado de modo a incluir o retorno à vida mundana.