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Gouillard: Máximo, o Confessor

sábado 30 de julho de 2022

    

Ed. Paulinas

Da oração   (euche) ininterrupta

O irmão   disse: meu Pai, peço que me ensineis de que modo a oração (euche) desacostuma o espírito   de todos os conceitos. O ancião respondeu: Os conceitos são conceitos de objetes. Desses objetos, uns se dirigem aos sentidos, outros ao espírito. O espírito que se demora entre eles, fica remoendo seus conceitos. Mas, a graça   (kharis) da oração (euche) une o espírito a Deus  ; unindo-o a Deus, ela o separa de todos os conceitos. O espírito, assim nu, torna-se familiar e semelhante a Deus. Como tal, pede-lhe o que convém e seu pedido nunca é frustrado. Por isso, o Apóstolo prescreveu "orar sem interrupção", para que, unindo assiduamente nosso espírito a Deus, nós   o desacostumemos, pouco a pouco, do apego às coisas materiais.

O irmão lhe disse: como pode o espírito "orar sem interrupção"? Salmodiando, lendo, conversando, ocupando-nos em nossos ofícios, nós   os desviamos em inúmeros pensamentos e considerações. O ancião respondeu: a Divina Escritura não prescreve nada de impossível. Também o Apóstolo salmodiava, lia, servia e, no entanto, orava sem interrupção. A oração (euche) ininterrupta é o manter o espírito concentrado em Deus, numa grande reverência e num grande amor; imobilizá-lo na esperança   de Deus, contar com Deus em todas as nossas ações e em tudo o que nos acontece. O Apóstolo, porque a isso tudo se dispunha, orava sem descanso (Livro ascético, nn, 24 e 25, P.G. t. 90, c. 929 bd ).


Da purificação (katharsis  ) do coração   (kardia)

Quando tiverdes valentemente triunfado sobre as paixões do corpo (soma), guerreado suficientemente contra os espíritos impuros e empurrado os seus pensamentos para fora do domínio   da alma   (psyche), orai então para que vos seja dado um coração (kardia) puro e que o espírito de retidão   seja restaurado em vossas entranhas ( SI 51,12 ). Isto é, esvaziado dos pensamentos corrompidos, a graça (kharis) vos deixe repleto dos pensamentos divinos. E que seja o mundo espiritual de Deus, imenso e resplandecente, composto das contemplações morais ( vida ativa ), naturais ( primeiras contemplações ) e teológicas ( contemplação   (theoria) de Deus ).

Quem purificar o coração (kardia), conhecerá não somente as razões dos seres inferiores a Deus; mas, olhará também, até certo ponto, para o próprio   Deus, quando, tendo atravessado a sucessão de todos os seres, atingir o píncaro supremo da felicidade  . Deus, manifestando-se nesse coração (kardia), dignar-se-á gravar nele suas próprias leis, pelo Espírito, como em novas tábuas mosaicas. Isso, na medida em que o coração (kardia) tiver progredido na ação (praxis  ) e na contemplação (theoria), conforme o propósito místico do preceito: "Crescei" ( Gn 35,11 ).

Pode-se chamar coração (kardia) puro àquele que não tem mais nenhum movimento   natural para o que quer que seja, da maneira que for. Nessa tabuinha perfeitamente aplainada por uma simplicidade absoluta, Deus se manifesta e inscreve suas próprias leis.

É puro o coração (kardia) que apresenta a Deus uma memória sem espécies nem formas, disposta unicamente a receber   as impressões pelas quais Deus costuma se manifestar  .

O espírito de Cristo  , que os santos recebem conforme a palavra  : "temos o espírito do Senhor" ( 1 Cor 2,16 ), não vem a nós através   da privação   de nosso poder intelectual  , nem como complemento de nosso intelecto   (nous), nem sob forma de acessão substancial a nosso intelecto (nous). Não. Ele faz brilhar o poder de nosso intelecto (nous) em sua própria qualidade   e o conduz ao mesmo ato que ele. Chamo "ter o espírito de Cristo": pensar segundo Cristo e meditar Cristo em todas as coisas ( Capítulos teológ. e econ. 2a Centúria, nn. 79-82, P.G. t. 90, 1161 s.).

Original

DE LA PRIÈRE ININTERROMPUE

Le frère dit : mon Père, apprenez-moi, je vous en prie, comment la prière sèvre l’esprit de tous les concepts. L’ancien répondit : Les concepts sont des concepts d’objets. De ces objets les uns s’adressent aux sens, les autres à l’esprit. L’esprit qui s’attarde parmi eux roule en lui leurs concepts. Mais la grâce de la prière unit à Dieu l’esprit ; en l’unissant à Dieu, elle le sépare de tous les concepts. L’esprit, ainsi nu, devient familier et semblable à Dieu! Comme tel, il lui demande ce qui convient et sa demande n’est jamais frustrée. C’est pourquoi l’Apôtre prescrit de “ prier sans interruption ”, afin qu’unissant assidûment notre esprit à Dieu, nous le sevrions peu à peu de l’attachement aux choses matérielles.

Le frère lui dit : comment l’esprit peut-il “ prier sans interruption ” ? En psalmodiant, lisant, conversant, vaquant à nos offices, nous le détournons sur de nombreuses pensées et considérations. L’ancien répondit : la Divine Écriture ne commande rien d’impossible. L’Apôtre lui aussi psalmodiait, lisait, servait et il priait pourtant sans interruption. La prière ininterrompue, c’est de tenir son esprit appliqué à Dieu dans une grande révérence et un grand amour, de le suspendre à l’espérance de Dieu, de compter sur Dieu dans toutes nos actions et dans tout ce qui nous arrive. L’Apôtre, parce qu’il était dans ces dispositions, priait sans trêve (Livre ascétique, nos 24 et 25, P. G. 90, 929 bd).

DE LA PURIFICATION DU CŒUR

Lorsque vous aurez vaillamment triomphé des passions du corps, suffisamment guerroyé contre les esprits impurs et bouté leurs pensées hors du domaine de l’âme, priez alors que vous soit donné un cœur pur et que l’esprit de droiture soit restauré dans vos entrailles (Ps. 51, 12) c’est-à-dire que, vidé des pensées corrompues, la grâce vous emplisse des pensées divines. Et que soit le monde spirituel de Dieu, immense et resplendissant, composé des contemplations morales (vie active), naturelles (premières contemplations) et théologiques (contemplation de Dieu).

Celui qui aura rendu pur son cœur ne connaîtra pas seulement les raisons des êtres inférieurs à Dieu : il fixera aussi dans une certaine mesure Dieu lui-même, lorsqu’ayant franchi la succession de tous les êtres, il atteindra au faite suprême de la félicité. Dieu, se manifestant dans ce cœur, daignera y graver ses propres lois par l’Esprit, comme sur de nouvelles tables mosaïques. Cela clans la mesure où le cœur aura progressé dans l’action et la contemplation, suivant l’intention mystique du précepte : “ Croissez ” (Gen. 35, 11).

On peut appeler cœur pur celui qui n’a plus aucun mouvement naturel pour quoi que ce soit, de quelque manière que ce soit. Sur cette tablette parfaitement lissée par une absolue simplicité, Dieu se manifeste et inscrit ses propres lois.

Le cœur est pur qui présente à Dieu une mémoire sans espèces ni formes, uniquement disposée à recevoir les caractères par lesquels Dieu a accoutumé de se manifester.

L’esprit du Christ que reçoivent les saints suivant la parole : “ nous avons l’esprit du Seigneur ” (I. Cor. 2, 16) ne vient pas en nous par la privation de notre puissance intellectuelle, ni comme un complément de notre intellect, ni sous la forme d’une accession substantielle à notre intellect Non. Il fait briller la puissance de notre intellect dans sa propre qualité et la porte au même acte que lui. J’appelle “ avoir l’esprit du Christ" : penser selon le Christ et penser le Christ en toutes choses (Chapitres thèol. et écon, IIe centurie, nos 79-82, P.G. 90, 1161 s.[52]).


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