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Imagens Oníricas

domingo 20 de março de 2022

Santos Psicologia Simbologia - CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA MODERNA À SIMBOLOGIA (cont.)

IMAGENS ONÍRICAS

Nos sonhos, revelamos algo da nossa vida arcaica, como mostrou Jung  , além do arcaico individual. Nietzsche   dizia que, dormindo ou em sonhos, nós refazemos toda a tarefa da humanidade primitiva, e que se o modo de raciocinar do homem moderno, em vigília, é racional, devemos, no entanto, considerar que não há, propriamente, predominância da racionalidade, pois em quatro quintos da nossa vida nós somos irracionais, no bom sentido da palavra.

Ao examinar os sonhos ou meditar sobre eles, Nietzsche   concluiu que esse devera ser o modo de pensar dos homens primitivos. O pensamento lógico, rigoroso, com o nexo de causa e efeito, só foi conquistado, posteriormente, após longo e tremendo esforço do homem, estimulado pela técnica.

Mais ou menos esse pensamento foi o exposto por Freud   posteriormente.

Muitos outros psicólogos acompanharam essa consideração de que o pensamento arcaico é onírico, e que o mito seria apenas um sonho coletivo do corpo, uma espécie de "fragmento" da superada vida anímica infantil do povo." (Riklin cit. por Jung  ).

Jung  , comentando essas opiniões, afirma: "O próprio Freud   indicou à saciedade até que ponto os motivos inconscientes se apóiam no instinto, que, afinal, é certamente um dado objetivo. Do mesmo modo reconheceu sua natureza arcaica, pelo menos em parte. As bases inconscientes dos sonhos e das fantasias, só na aparência são reminiscências infantis. Na realidade, trata-se de formas do pensamento, baseadas em instintos, primitivas ou arcaicas, que, como é natural, destacam-se com maior clareza na infância do que depois. Mas, em si, longe estão de ser infantis ou sequer patológicas." (Op. cit. pág. 53 e 54).

Jung   reconhece que os mitos estão aparentados com os produtos do inconsciente, e que o adulto, em processos de introversão, encontra primeiramente reminiscências infantis regressivas "do passado individual"; e que se a introversão e a regressão se intensificam, aparecem marcas, primeiramente vagas e isoladas, mas logo cada vez mais nítidas e numerosas de um estado espiritual arcaico. É evidente que Freud   interpreta predominantemente a simbólica onírica como referente à libido em sentido eminentemente sexual. É fácil encontrar-se nos símbolos das diversas religiões essa referência, que constituiria um símbolo secundário, isto é, do subconsciente individual e, terciàriamente, do inconsciente coletivo humano.

Assim o referido seria o sexual. Jung  , levando avante as suas investigações, concluiu, e nisso revelou profunda compreensão da simbólica, que as referências sexuais não marcavam o término, mas, sim, que o ser humano usa símbolos sexuais para com eles referir-se a símbolos quaternários, que já se referem propriamente ao cósmico.

Exemplifiquemos: o peixe, na sua poli-significabilidade, pode simbolizar o phalus, e o pênis. Toda a forma fálica pode simbolizar o membro viril do homem. Freud   alcançaria até ai. Mas o poder do sol, símbolo da divindade, o poder fecundante, permite ser significado pelo pênis, o qual, por sua vez, receberia o símbolo da forma fálica. Vê-se por esse modo, que Jung   vai além de Freud  , e alcança o símbolo quaternário, e até o quinário em alguns casos.