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Edgar Allan Poe (Berenice) – devanear

quarta-feira 14 de setembro de 2022

    

Cássio de Arantes Leite

Cismar por longas infatigáveis horas com a atenção   cravada nalgum frívolo motivo à margem, ou na tipografia, de um livro; deixar-me absorver pela maior parte de um dia de verão numa esquisita sombra caindo obliquamente sobre a tapeçaria, ou sobre o soalho; abandonar-me durante toda uma noite observando a chama firme   de uma lamparina, ou as brasas de um fogo  ; sonhar por dias a fio com o perfume de uma flor  ; repetir monotonamente alguma palavra comum, até que o som  , à força da frequente repetição, cesse de transmitir qualquer ideia à mente  ; perder toda sensação   de movimento   ou existência física, por meio da absoluta placidez corporal longa e obstinadamente mantida: — tais eram alguns dos mais comuns e menos perniciosos caprichos induzidos por uma condição das faculdades   mentais, não, decerto, inteiramente sem paralelo, mas definitivamente desafiando toda análise ou explicação.

Original

To muse   for long unwearied hours with my attention riveted to some frivolous device upon the margin, or in the typography of a book — to become absorbed for the better part of a summer’s day in a quaint shadow falling aslant upon the tapestry, or upon the floor — to lose myself for an entire night in watching the steady flame of a lamp, or the embers of a fire — to dream away whole days over the perfume of a flower — to repeat monotonously some common word, until the sound, by dint of frequent repetition, ceased to convey any idea   whatever to the mind   — to lose all sense of motion or physical existence in a state of absolute bodily quiescence long and obstinately persevered in — Such were a few of the most common and least pernicious vagaries induced by a condition of the mental faculties, not, indeed, altogether unparalleled, but certainly bidding defiance to any thing like analysis   or explanation.


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