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Masui (VI) – instantes

quarta-feira 14 de setembro de 2022

    

tradução

Quais são as coisas que podem ter alguma certeza   para nós, além de qualquer contribuição de cultura, senão instantes? Porque a certeza não se mede pelos dados do nosso quotidiano, mas apenas nos instantes em que nos abandonamos a outra coisa, nos momentos em que transcendemos os acontecimentos da nossa própria vida.

Estes momentos não podem ser medidos, não podem ser avaliados; nenhum critério pode ser aplicado a eles: eles são. São aqueles que lembramos como momentos abençoados em nossa história. Eles são medidos apenas pelo seu grau de intensidade e duração.

A superioridade   do Oriente consiste em ter sabido construir uma verdadeira ciência do instante   e construir, a partir da intuição superior, uma metafísica   coerente e dinâmica. Ambos se baseiam no conhecimento tradicional da raça  , resquícios do chamado período da “mentalidade primitiva”, ao qual nós, ocidentais, hoje temos pouco acesso, exceto através da vida onírica. O que, no oriental, permaneceu canalizado, circunscrito e suscetível de reintegração, vai à deriva em nós... Detectamos a doença   de uma cultura pelos distúrbios do subconsciente.

Original

Quelles sont les choses qui peuvent avoir pour nous quelque certitude, en dehors de tout apport de culture, si ce ne sont les instants ? Car la certitude ne se mesure pas aux données de notre vie courante mais uniquement aux instants où nous nous abandonnons à autre chose, aux instants où nous transcendons les événements de notre propre vie.

Ces instants ne se jaugent pas, ne s’évaluent pas; aucun critère ne peut leur être appliqué : ils sont. C’est d’eux dont nous nous souvenons comme des moments bénis de notre histoire. Ils se mesurent uniquement par leur degré d’intensité et de durée.

La supériorité de l’Orient consiste à avoir su bâtir une véritable science de l’instant et à construire, à partir de l’intuition   supérieure, une métaphysique cohérente et dynamique. L’une et l’autre s’appuient sur les connaissances traditionnelles de la race, résidus de la période dite «mentalité primitive», à laquelle nous, Occidentaux, n’avons plus guère accès que par la vie onirique. Ce qui, chez l’Oriental, demeurait canalisé, circonscrit et susceptible de réintégration s’en va chez nous à la dérive... On décèle la maladie d’une culture aux troubles du subconscient.


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