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Paixão de Cristo

sábado 23 de julho de 2022

    

EVANGELHOS  : Mateus 26-28; Marcos 14-16; Lucas 22-24; João 18-19

Antonio Orbe

Los gnósticos no tuvieron reparo en invocar la pasión. Y, por mucho que redujeran la eficacia de los sufrimientos y muerte de Jesús  , admitían el hecho y su importancia histórica.

Se ha puesto de moda últimamente la concepción cíclica, no-histórica, de la gnosis   heterodoxa. Mientras los eclesiásticos se hacen fuertes en lo irreversible de la historia  , con centro   fijo en la muerte de Jesús, acaecida «una sola vez», el hombre gnóstico (y pagano) repetiría inexorablemente períodos (resp. los «grandes años») en rotación continua.

Ni entre basilidianos, ni menos entre los discípulos de Valentín, encuentro yo nada que ratifique tal idea  . Heracleón hace del pathos   de Jesús la divisoria de las dos vertientes del tiempo. Los dos grandes períodos en que reparte la economía son: a) el siglo actual, transitorio, y el futuro  , nupcial, definitivo; o bien, b) el tiempo que precedió y el que sigue al pathos de Cristo.

Los basilidianos indicaron con escrúpulo las fechas del nacimiento, bautismo y pasión de Jesús:

Calculando (los de Basílides) con acribía (la fecha de) la pasión, unos la refieren al año decimosexto de Tiberio, 25 del mes Famenot (21 de marzo); otros, 25 del mes Farmouzí (20 de abril). Otros dicen que el Salvador   padeció (peponthenai) el 19 de Farmouzí (14 de abríl).

Tanto interés por fijar el día de la pasión hace honor a los gnósticos.

Desconocemos las fechas que para el nacimiento, bautismo y pasión de Jesús consagraron los discípulos de Valentín. Sobre el tiempo «relativo» fueron bastante claros.

Quoniam duodécimo mense passus est (Dominus): uno   enim anno volunt Eum post baptisma   praedicasse.

Abundan las fórmulas equivalentes: «passus est (Dominus)», «Salvatoris passio» (II 20,1), «Domini passio» (II 20,4), «patiens Christus» (II 20,2), «Christi passio» (II 20,3).

Si cupiera algún escrúpulo para lo irreversible del nacimiento y pathos del Salvador, he aquí cómo se expresan, en contexto astrológico, los valentinianos:

Así como el nacimiento del Salvador nos arranca del devenir (geneseos) y del hado, así también su bautismo del fuego y la pasión (nos arrancan) de la pasión (to Pathos tou pathous), a fin de que en todo le acompañemos.

El pathos del Salvador nos libró de las pasiones a que vivíamos sometidos antes de su venida. Según Carpócrates, los ofitas de San Ireneo y otros gnósticos, las almas pasaban de un cuerpo a otro, a merced del demiurgo  , multiplicando existencias sine fine. Tal fenómeno se atajó a raíz del nacimiento de Jesús y se remedió definitivamente con la ascensión. De una vez para siempre. Las cláusulas del Evangelium Veritatis sugieren lo mismo.

Los sectarios atribuían indistintamente el pathos a Jesús, Cristo, Señor, Salvador...; mas, llegado el caso, perfilaban entre Hijo   del hombre e Hijo de Dios, entre Cristo psíquico y Salvador.

Mas el Hijo de Dios, ¡oh Regino!, era Hijo del hombre, y El les incluía a los dos en posesión de la humana y divina naturaleza, a fin de vencer, por un lado, a la muerte, en cuanto Hijo de Dios, y producir, por otro, la apocatástasis en el seno del Pleroma   a título de Hijo del hombre.

Los apelativos, muy equívocos, ofrecen su peligro. Cambia mucho el Anthropos   (resp. Theos  ) según se refiera al demiurgo o al hombre espiritual. El Cristo psíquico, Hijo del hombre (de ET 61, 4), rima con el Cristo, Hijo del hombre (de Heracleón: fr.35); no tanto con el Hombre perfecto (de Evangelho de Felipe - EvPhil 40), y aún menos con el Hijo del hombre (de Evangelho de Felipe - EvPhil 102 y 120). El contexto determina en cada caso el alcance de los términos. [CRISTOLOGIA GNÓSTICA]

Joaquim Carreira das Neves

Já foi dito que a narrativa da paixão e morte de Jesus, no quarto evangelho, segue de perto a mesma narrativa dos Sinópticos, tanto no tempo como no espaço, na geografia física como na geografia humana:

  • prisão   de Jesus (18,1-11),
  • apresentação diante de Anás (18,12-14),
  • primeira negação de Pedro (18, 15-18),
  • interrogatório de Anás (18, 19-24),
  • segunda negação de Pedro (18, 25-27),
  • julgamento   por Pilatos (18, 1-19, 16),
  • crucifixão (19, 17-37),
  • morte (19,28-37),
  • sepultura (19,38-42).

Mas esta sequência narrativa, em relação   aos Sinópticos, como veremos, é mais aparente do que real  .

Defendemos a tese de que a narrativa da paixão, morte e ressurreição   foi a primeira das narrativas invocada pelos discípulos-apóstolos. Antes de se anunciar o Jesus do Reino de Deus   (Sinópticos), através de parábolas, milagres, pequenos discursos, anunciou-se o Jesus do mistério pascal  . Aquele Jesus, profeta de Nazaré, morto numa cruz, não acabou no túmulo nem numa simples memória de homem extraordinário, fiel a Deus e a si mesmo  . Os discípulos descobriram, guiados por Deus e pelas Escrituras, que a ação daquele profeta de Nazaré correspondia ao desígnio final de Deus e, assim sendo, que naquela Cruz não estava o fim mas o princípio.

Iremos descobrir que o quarto evangelho não repete apenas os três Sinópticos. E o sinal maior de que assim é reside no facto de a paixão, nos Sinópticos, abrir com a ceia "pascal" e "eucarística", ao contrário do que já vimos no quarto evangelho. Também já percebemos, ao longo do estudo da primeira parte do evangelho (1-12), do estudo do cap. 13 sobre a "ceia de despedida" e dos discursos de Adeus (cc. 14-17), que todo o evangelho se orienta para a "hora" maior da PAIXÃO (2, 4; 7, 6. 30; 8, 20; 13, 1; 17, 1). O relógio das "horas" de Jesus para o seu ponteiro na exclamação-revelação do Crucificado: "[Tudo] está consumado: tetelestai"! (19,30b). Assim se compreende também que a Paixão seja "glória  " (2, 22; 7, 39; 12,16. 28; 17,1. 5. 24), que o Crucifixado seja o Exaltado (3,14,8,28; 12,32-33), que o Espírito   só será derramado quando Jesus for glorificado (7,39), que todos serão atraídos por Jesus através da Cruz (13, 32). A paixão é o clímax da revelação do amor do Pai pelo Filho e vice-versa e da revelação do amor dos discípulos entre si.

Os autores continuam a perguntar se o autor do quarto evangelho conhecia a narrativa da paixão segundo os Sinópticos. Apenas podemos dizer que não sabemos. O mais natural é que conhecesse a narrativa através da tradição   oral e não escrita. De qualquer maneira, ao estudarmos as várias narrativas da paixão, devemos comparar sempre o quarto evangelho com os Sinópticos. Diríamos que nas narrativas próprias de João reside a mensagem do seu evangelho.

Ao contrário da estrutura   literária de muitas unidades do quarto evangelho, é relativamente fácil dispor das unidades literárias da paixão (cenas da paixão), como já expusemos no princípio. Muitos autores não distinguem as quatro unidades fornecidas pelas duas cenas de Jesus diante de Anás (18, 12-14 e 18, 19-24) e as duas cenas da negação de Pedro (18, 15-18 e 18, 25-27). De facto, trata-se mais dum dispositivo literário do que de cenas separadas.

A macro-narrativa da paixão está enquadrada pela mesma afirmação   do espaço, no princípio, em 18,1 e, no fim, em 19, 41 (bis): èn kèpos: um horto (jardim). Esta constatação de espaço-lugar vai ter importância para a compreensão   da mesma paixão a nível teológico: Jesus encontra-se com os seus "inimigos" num horto-jardim e reencontra-se, embora morto, com os seus "novos amigos", num horto-jardim. [Excertos de "Escritos de São João"]


Etapas da Paixão