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Psychanodia Viagem Celeste

domingo 20 de março de 2022

      

A VIAGEM CELESTE DA ALMA  
Os trabalhos de Wilhem Anz e Wilhelm Bousset marcaram pela simplicidade, talvez até simplismo; Carsten Colpe demonstra muito bem que nossas informações concernentes a vários tipos de ascensões visionárias vem se tornando mais precisas; vem se perdendo a simplicidade.

A psychanodia   ou viagem celeste da alma representa, dos pré-socráticos   a nossos dias, uma das experiências extáticas ou escatológicas mais difundidas no interior   de diversas religiões ou correntes religiosas do mundo inteiro. Há uma certa continuidade   nos relatos visionários, de Platão   até a baixa Idade Média   cristã.

  • A ideia de uma influência oriental — sobretudo Zoroastro   - iraniana — sobre os relatos gregos de ascensão ao céu é supérflua quando se pensa na existência dos «xamãs» na Grécia antes de Sócrates   (v. Pré-socráticos) começam no tempo   de Platão a contribuir na construção de crenças escatológicas sempre mais conformes às hipóteses científicas, o que leva, sob a influência da astrologia  , ao cenário mais ou menos constante de uma ascensão que se desenvolve através das sete esferas planetárias segundo a ordem «caldaica» ou «egípcia».
  • Ascensões do tipo “judaica”: testemunhos mais abundantes; influência babilônica; ascensão através de 3 ou sete céus que não são jamais céus planetários. Todo o apocalipse judeu e judeu-cristão, a mística da MRKBH ou do carro portando o trono divino na visão de Ezequiel, os relatos islâmicos do miraj de Maomé  , os apocalipses cristãos e judeus medievais são deste tipo que se pode definir   como o mais simples.
  • Numerosos apocalipses tipicamente gregos como o Mito   de Er em Platão e os mitos escatológicos de Plutarco  , não parecem se enquadrar no tipo “grego” que se acabou de definir; estes apocalipses têm uma influência determinante sobre o tipo “judeu” na época cristã.
  • Convergências entre o tipo grego e judeu de ascensão não chegam jamais a retirar as diferenças essenciais entre eles. Quando o miraj de Maomé fala de sete/oito céus, não se refere jamais aos céus astronômicos como acreditava erroneamente Miguel Asin Palacios. De fato em Dante os céus são contados e nomeados segundo os planetas e a cosmologia aristotélica. Razão   ainda maior para se opor a assimilação   do miraj de Maomé à ascensão de Dante em Miguel Asin Palacios.