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Hulin (PEPIC): ahamkara

sábado 30 de julho de 2022

    

Um dos mais compreensivos livros sobre o pensamento   indiano tomando como eixo   de estudo a questão do "ego" no pensamento indiano clássico — ahamkara (fazer-eu): LE PRINCIPE DE L’EGO DANS LA PENSÉE INDIENNE CLASSIQUE : LA NOTION D’ AHAMKARA (PUBLICATIONS DE L’INSTITUT DE CIVILISATION INDIENNE), Collège de France, 1978).

A questão da individuação é uma daquelas que acompanham a metafísica ocidental no curso inteiro de sua história. Objeto de admiração   para os Pré-socráticos  , pedra de tropeço para a teoria   platônica das Ideias, ela encontra sua "solução  " clássica em Aristóteles, graças à intervenção do par matéria-forma. Transmitida pela escolástica medieval, ela ressurge na monadologia de Leibniz   e se mantém no plano de fundo dos debates de filosofia biológica mais contemporânea. Ora, toda esta linhagem de pensadores buscou somente fundar, de modo positivo, a individualidade do vivente em geral como condição de possibilidade da verdadeira personalidade, aquela do sujeito humano. Quando um Schopenhauer  , ao contrário, fala do principium individuationis, entende denunciar   uma forma de ilusão   metafísica: aquela que nos faz perceber o absoluto   — para ele a Vontade — objetivado e dispersado na multitude dos organismos viventes com suas necessidades e desejos particulares. Mas pode ser que Schopenhauer, no contrapé de uma longa tradição   de afirmação   e de justificação da Pessoa  , tenha ficado prisioneiro desta tradição. Quero dizer por isto que a Pessoa poderia ter sido refutada em sua existência real  , e isso sob diferentes formas de sujeito moral, indivíduo  , alma   criada, etc., sem no entanto se fazer o objeto de uma colocação em questão ao nível da determinação de sua essência  . Se esta hipótese se verificasse, esclareceria o famoso pessimismo de ou niilismo do autor. Se verdadeiramente, por uma necessidade   de essência, a Vontade não se faz fenômeno para nós   senão sob a forma desta tensão dolorosa pela qual, de um mesmo movimento  , o sujeito se constitui em centro   de referência autônomo, constitui seus semelhantes como tais e se opõe a eles, enquanto a cessação radical da dor   (a distinguir   de sua suspensão temporária) passa pela dissolução da individualidade ela mesma, com seus poderes de ação, de conhecimento e de alegria  . Mas é dos Upanixades   e do budismo que Schopenhauer pretendia tirar o essencial de sua doutrina. Assim, involuntariamente, contribuiu para enraizar no ocidente — e até nossos dias — o preconceito segundo o qual as soteriologias indianas não fariam senão traduzir um fuga   diante das tarefas e conflitos da existência, se referenciariam ao «pessimismo da fraqueza  » (Nietzsche  ), sacrificariam toda alegria, e mesmo toda forma de consciência  , ao desparecimento da dor  , ergueriam, sob o nome de nirvana, a queda no nada em fim último do homem  .

A NOÇÃO DE AHAMKARA

PRIMEIRA PARTE - O ATMAN   E A EMERGÊNCIA DO PROBLEMA DA INDIVIDUAÇÃO

I O atman e a revelação védica

II O budismo e a negação do atman

III A reação bramânica e seus limites

  • A consciência de si segundo a Mimamsa
  • Paixão e desapego   segundo o Samkhya-yoga
  • O eu subsistência do Nyaya-Vaisesika
  • Persistência das objeções budistas: o Tattvasamgraha

SEGUNDA PARTE — IGNORÂNCIA METAFÍSICA E INDIVIDUAÇÃO SEGUNDO O ADVAITA

I Sankara  : Ambiguidades da sobreposição

  • Questões de terminologia
  • Gênese da individualidade
  • A perspectiva da liberação

II As primeiras construções sistemáticas

  • A. Padmapada
    • O estatuto ontológico da nesciência
    • Os níveis da consciência de si
  • B. Mandanamishra
  • C. Sureshvara

III Controvérsias e trocas de influências no Advaita tardio

  • A. A escola de Vivarana e a ilusão cósmica
    • O aporte de Prakasatman
    • Bharatitirtha: o espelho   do ego e a dupla criação
  • B. As doutrinas subjetivistas
    • Vacaspatimishra e a questão do lugar da ilusão
    • Sarvajnatman e o solipsismo transcendental

Conclusão

TERCEIRA PARTE — A NOÇÃO DE PURNAHAMTA NO XIVAÍSMO DE CAXEMIRA

I Os fundamentos metafísicos

  • A generosidade do absoluto: o spanda
  • A gênese da servidão

II Experiência afetiva e experiência mística

  • Surpresa e confusão  : a reconquista do instante
  • Alegria, dor, deslumbramento

III Experiência estética e desindividualização

  • Fusão das consciências
  • Sabores poéticos e sabor   do brahman

Conclusão


Ver online : EXCERTOS DA OBRA DE MICHEL HULIN